O mito do Número de Ouro

Olá, galerinha do PW! Tudo beleza?!

A natureza está repleta de números que aparecem com grande frequência e se repetem em fenômenos e elementos diversos ao nosso redor. Essas constantes estão presentes nas construções humanas, nas artes e na própria natureza. Uma dessas constantes é conhecida como número de ouro.  Vocês já ouviram falar sobre ele? Não?!

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Espiral áurea – Disponível em Wikimedia, acessado 14/12/2016

O número de ouro vale 1,618… e foi descoberto pelo matemático Euclides há mais de 2300 anos, na Grécia Antiga. Na Matemática, é classificado como um número irracional e representado pela letra grega Φ (fi). Ele é fruto da divisão de uma linha reta em dois segmentos, cuja  razão entre eles é igual ao quociente entre a linha inteira e o segmento maior. A proporção áurea é fascinante e possui aplicações fantásticas em vários segmentos da matemática, artes, arquitetura e engenharia. No entanto, muitas delas não passam de mitos! Vários estudiosos, como o matemático Keith Devlin, o físico Donald E. Simanek e o astrofísico Mario Lívio, contestam alguns exemplos populares de aplicações dessa proporção, entre elas, algumas bem famosas, tais como: o Partenon, a Mona Lisa e as conchas de caramujos, conhecidas como Nautilus.

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Embalagens de sementes de Girassol -Institute of Science in Society, via CNET, acessado em 14/12/2016

De fato, essa proporção está presente com muita frequência na natureza, nas artes, nas ciências e numa variedade de situações. Por exemplo, na Matemática, podemos encontrá-la na famosa sequência de Fibonacci ( 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, .…), ao dividirmos dois números consecutivos continuamente. Na natureza, a embalagem de sementes na cabeça do girassol estão dispostas em uma série de espirais no sentido horário e anti-horário, em que, de uma forma geral, aparece a sequência de Fibonacci. Nas artes, o número fi está relacionado à estética e à beleza e muitos artistas e arquitetos, como Salvador Dalí e Le Corbusier, usaram nas suas obras.

Há muitos textos que afirmam que a fachada do Partenon, na Grécia, templo construído para louvar a deusa Atena, foi concebido com base na proporção áurea. No entanto, esse fato não pode ser verdade, pois o templo foi construído antes da descoberta do número de ouro por Euclides. Segundo Revlin, é muito fácil encontrar padrões onde eles não existem, afinal, se olharmos ao nosso redor, seremos capazes de encontrar qualquer número em qualquer lugar!

Outra mito muito famoso é o da Mona Lisa. Segundo muitos textos, é possível encontrar a espiral áurea em pontos distintos do seu rosto. No entanto, os pontos ondem se iniciam essas espirais parecem não ter muita lógica ou motivação. No site da Universidade Federal Fluminense (UFF), é possível verificar, através de simuladores, a falsidade dessas afirmações e verificar que não há presença da razão áurea no rosto de Gioconda, como muitos afirmam.

Para finalizarmos, não poderia deixar de falar sobre o Nautilus. De fato, temos  a presença da Matemática nessa concha, mas nem de longe a sua forma tem alguma relação com a espiral áurea. Na verdade, a sua forma obedece a uma escala logarítmica, algo que já tinha ouvido falar desde a época de ensino médio! No site da UFF, você poderá comprovar o que estou afirmando, utilizando alguns simuladores.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências:

Enciclopédia Livre, Wikipedia, Proporção áurea. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Propor%C3%A7%C3%A3o_%C3%A1urea. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Universidade Federal Fluminense, O número de ouro. Disponível em: http://www.uff.br/cdme/rza/rza-html/rza-vitruvian-br.html. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Gizmodo Brasil, Os mitos e verdades sobre a proporção áurea. Disponível em: http://gizmodo.uol.com.br/mitos-proporcao-aurea/.  Acesso em 14 de dezembro de 2016.

 

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Projeto estimula o uso das linguagens audiovisual e artística como meio de difusão de conhecimentos para estudantes da rede pública

Estudante-repórter: Roniton Fernandes

Os professores Geraldo Seara e Nildson Veloso apresentaram o pôster Curso de Interpretação e Produção de Vídeos Estudantis, durante o primeiro dia do Inovatec (I Congresso Baiano de Inovação e Tecnologia na Educação). O objetivo do curso é propiciar aos estudantes os conhecimentos básicos sobre a linguagem cinematográfica, além de incentivá-los a criar conteúdos para o uso em sala de aula.

Para realizar a atividade, os professores visitam escolas da rede pública estadual em toda Bahia. O professor Nildson avaliou o interesse dos alunos como surpreendente: “O interesse foi muito além do que a gente esperava. Quando os estudantes percebem a responsabilidade e a disciplina que o curso exige, eles vão se motivando”.

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Fig. 1: Nildson Veloso. Foto: Emili Oliveira

Com o apoio da Rede Anísio Teixeira, o curso vem gerando bons frutos e, apesar de algumas dificuldades, a expectativa é de que em 2017 ocorram novas edições da formação. O professor Geraldo Seara contou para a nossa equipe o que ele espera para o futuro do projeto: “Com fé em Deus, isso não vai parar. Inclusive, queremos ampliar. A ideia é que aumente o número de pessoas formadas, para que elas sejam assistidas diretamente e para que multipliquem o nosso trabalho”.

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Fig. 2: Geraldo Seara. Foto: Emili Oliveira

 

O estudante-repórter Roniton Fernandes. Foto: Raulino Júnior

O estudante-repórter Roniton Fernandes. Foto: Raulino Júnior

Roniton Fernandes tem 19 anos, é estudante do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, que fica em Salvador, e faz parte da equipe da Cobertura Colaborativa Estudantil.

Resenha PW ⇨ Riachão: o cronista do samba baiano

Oi! Tudo bem? Ontem, 27 de novembro de 2016, completaram-se cem anos do registro do samba Pelo Telephone (assim mesmo, com “ph”, respeitando a grafia da época), no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional. A obra, de autoria de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o famoso Donga, é considerada o primeiro samba brasileiro. E, no ano em que o gênero completa cem anos de existência, que tal conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de Riachão, um de nossos sambistas contemporâneos mais festejados?

Fig. 1: O sambista Riachão mostra vitalidade e muita alegria com seus 95 anos de vida. Foto: reprodução do site da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia

Fig. 1: O sambista Riachão mostra vitalidade e muita alegria com seus 95 anos de vida. Foto: reprodução do site da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia

Em 2009, a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA) publicou o livro Riachão: o cronista do samba baiano, escrito pela jornalista Janaína Wanderley da Silva. A biografia integra a coleção Gente da Bahia. Com linguagem simples e deixando evidente toda a identidade do sambista, a obra, que tem 12 capítulos, envolve o leitor do início ao fim.

Clementino Rodrigues, o Riachão, completou 95 anos no último dia 14 e aos nove já cantava em aniversários. Contudo, antes de começar a viver da música, aprendeu o ofício de alfaiate. Uma das passagens mais interessantes do livro é quando Janaína narra o motivo que o levou a compor a primeira música:

Era 1936, Riachão cantava desde os 9 anos e seu repertório era recheado de sambas do Rio de Janeiro. Num certo dia, quando saiu da alfaiataria, caminhava com destino à Ladeira da Misericórdia para comprar material de trabalho e avistou um pedaço de papel no chão. Se abaixou e pegou um pedaço de revista rasgado e com letras marrons. Ao ler, um choque misturado com desalento. O escrito “Se o Rio não escrever, a Bahia não canta”, lhe travou a garganta. Aquelas palavras não saíram da cabeça do jovem por horas. Após uma dia de trabalho, chegou em casa, jantou, deitou-se para dormir e aquela frase ainda martelava sua cabeça. No dia seguinte, registrado na sua vida como o nascimento do artista, compôs: “Eu sei que sou malandro, sei/Conheço o meu proceder/Eu sei que sou malandro, sei/Conheço o meu proceder/Deixa o dia raiar, deixa o dia raiar/A nossa turma é boa, ela é boa/Somente para batucar…”.

O que quase ninguém sabe, e é uma curiosidade presente na biografia, é que Riachão começou a carreira cantando música sertaneja. No CD Humanenochum, de 2001, ele gravou a música Vida da Semana, considerada sua obra sertaneja mais importante. Muitos outros artistas gravaram e popularizaram as composições de Riachão, como Marinês (“Terra Santa”), Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gang do Samba, Lampirônicos e Anastácia (“Cada Macaco no Seu Galho”); Trio Nordestino (“Retrato da Bahia”, “Bochechuda”, “Papuda”, “Vamos Pular, Gente”), Cássia Eller (“Vá morar com o Diabo”), banda Moinho (“Baleia da Sé”) e Terra Samba (“Vá pra Casa”).

No livro, Janaína não deixa de registrar a fase em que Riachão ingressou na Rádio Sociedade da Bahia (ele ficou lá por 26 anos) e também o lançamento do 1° LP solo, O Sonho do Malandro, de 1982. A versatilidade do artista é, o tempo todo, destaque na obra. O leitor fica sabendo que, além da música, Riachão atuou no cinema e na TV. Contudo, não é só de alegria que se vive uma vida, não é? Em janeiro de 2008, um acidente de carro causou a morte de seis membros de sua família, incluindo a mulher e dois filhos.

Janaína Wanderley da Silva conseguiu captar muito bem a alma de Riachão. O livro nos faz rir muito mais do que chorar. Assim é Riachão: a “alegria em pessoa”. Uma frase que consta na biografia, atribuída a ele, mostra como Clementino Rodrigues se define: “Eu sou o artista que me torno uma nota musical para levar alegria ao povo”. Que a alegria de Riachão esteja sempre viva!

Referência:

SILVA, Janaína Wanderley da. Riachão: o cronista do samba baiano. 2.ed. Salvador: Assembleia Legislativa, 2009. (Coleção Gente da Bahia).

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Tecnologias Educacionais e o Antirracismo

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Mural no V SERNEGRA – IF Brasília – Foto: Carlos Barros

 

No mês dedicado à Consciência Negra, o Instituto Federal de Brasília (IFB) organizou a Semana de Reflexões Sobre Negritude, Gênero e Raça – SERNEGRA. Diz respeito a um evento técnico-científico, idealizado e organizado pelo Grupo de Pesquisa Estudos Culturais Sobre Classe, Gênero e Raça.

Neste ano (2016), aconteceu a quinta edição do SERNEGRA, trazendo reflexões sobre a luta antirracista no Brasil, a teoria e a práxis decolonial, abordando os eixos: a colonialidade do poder, do saber e fazer ser, debruçada sobre questões como a Geopolítica do Poder e a possibilidade de uma arte e de uma pedagogia decolonial.

A interculturalidade é o ponto forte desse Seminário, que contou com apresentações artísticas, oficinas, debates, filmes, palestra, simpósios temáticos com algumas das principais personalidades do mundo acadêmico, artístico e político que se propõem a debater o enfrentamento das questões raciais e de gênero no Brasil, Estiveram presentes: Adolfo Alban Achinte, Universidad Del Cauca – Unicauca/ ColômbiaPatricia Hill Collins, University Professor of Sociology at the University of Maryland, College Park, Nelson Fernando Inocêncio, Universidade de Brasília, Joaze Bernardino Costa, Universidade de Brasília, Vera Maria Ferrão  Candau, Universidade Católica do Rio de Janeiro, Wanderson Flor do Nascimento, Universidade de Brasília.

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Caderno de Resumos do V SERNEGRA – Foto: Carlos Barros

As tecnologias educacionais foram temas de debates, através de apresentações de projetos que trouxeram ações que difundem o antirracismo e que podem servir de exemplos para estudantes e professores, na prática pedagógica. Foram eles: Cine NEABI: educando para a diversidade (IF Roraima); Ikoloju: cibercultura e educação antirracista (UERJ); Documentários com estudantes de escolas públicas baianas (IAT – BA); Memórias e identidades: produção formativa de vídeos educacionais (IAT/UFBA); Violência no contexto escolar e racismo: um olhar a partir de um município do entorno do Distrito Federal (Universidade Nacional da Província de Buenos Aires e Faculdade Anhanguera de Valparaíso/GO – Kroton Educacional); e Programa Intervalo como tecnologia educacional na contribuição de práticas antirracistas: o caso do Quadro Histórias da Bahia (IAT- BA).

 Momentos como esse comprovam que as tecnologias aliadas ao processo educativo podem trazer benefícios tanto para a Educação, como para a compreensão da relevância do papel do cidadão em seu grupo social, estimulando a autonomia e a criticidade dos estudantes, principalmente, acerca de questões pouco presentes nos Livros Didáticos, como é o caso da Educação para as Relações Étnico-Raciais.

Fotografando Saberes

Estudante-repórter: Emili Oliveira

Olá, gente! Eu e Carol Aguiar, do núcleo de produção fotográfica da Oficina de Produção de Mídias na Educação, fizemos a cobertura colaborativa do último dia do 5º Seminário Estadual de Educação Integral, que ocorreu nos dias 24 e 25 de novembro, no Instituto Anísio Teixeira (IAT) O evento contou com muitas palestras, uma delas discutiu a atual conjuntura política da educação brasileira, enfatizando o debate sobre a escola sem partido. Confira, abaixo, o registro fotográfico que fizemos da mesa redonda e da estrutura do IAT. Foi uma experiência que abriu novos caminhos, permitindo cada vez mais novas descobertas.

 

Foto: Autorretrato

Foto: Autorretrato

Emili Oliveira tem 16 anos, é estudante do Centro Estadual de Educação Profissional em Controle e Processos Industriais Newton Sucupira, que fica em Salvador, e faz parte da equipe da Cobertura Colaborativa Estudantil.

 

Qual é a do Black?

Empoderamento, resistência e consciência.

Atualmente, nos corredores das escolas, encontramos vários alunos, alunas e professores que decidiram assumir seus cabelos naturais. Cachos de todos os tamanhos, volumes e comprimentos desfilam um poder que transcende a simples beleza estética. Preferir o uso dos cabelos naturais é um encontro com a identidade.

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Fig. 01 – Imagem: Peterson Azevedo

Mas será que é por isso mesmo que eles estão aderindo a esse visual natural?

Bom, pode até começar como uma modinha, mas se transforma em algo muito maior. A partir do momento que esses jovens aceitam suas madeixas, começa um processo de autoconhecimento, fortalecendo  a construção de padrões estéticos próprios e desconstruindo os valores estéticos ocidentais. Eles passam a perceber que a discriminação não se dá apenas por palavras, se dá também pela não aceitação de um fenótipo. Talvez, partindo desse ponto, esses indivíduos busquem compreender acontecimentos sociais e juntem-se a outros na luta pelo combate à discriminação e ao racismo.

Pensando bem, aproveitar(-se de) um artifício estético para protestar não é novo. Nos anos 60, o uso do cabelo afro ganhou força com o movimento Black Power,  usado como ferramenta de afirmação   na luta pelos direitos civis. Na época, as mulheres, principalmente, decidiram deixar de alisar os cabelos e saíram às ruas ostentando seus cabelos naturais, causando um desconforto e espanto na comunidade branca. Naquela época, usar o Black era o mesmo que soltar os grilhões do período da escravatura, impor respeito. Foi neste período que sujeitos como Martin Luther King, Malcolm X ganharam voz, ambos revolucionários em suas ações em prol da causa dos negros e dos direitos civis, atuando de formas diferente nos EUA. Outro movimento foi o dos Panteras Negras (Black Panther) em 1966, eles participaram de uma importante parte no movimento dos direitos civis. Os Panteras Negras tinham uma postura mais violenta. porém todos estes sujeitos tinham  um desejo em comum: igualdade.

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A palavra é empoderamento. Ela está em alta, mas o que é isso mesmo? É ser livre, se reconhecer como é, e aceitar a sua ancestralidade sem pressão dos ditos padrões estéticos infligidos. Reconhecer seus traços largos, e a estruturas dos fios de um cabelo crespo.

 

Sabemos que a valorização do afrodescendente é uma luta constante, mas o nosso país é muito plural e teremos  ,inevitavelmente, que lidar com essas questões. A estética negra é um instrumento de reconhecimento, conquista,  consciência, resistência.

https://oprofessorweb.wordpress.com/2015/11/05/amanha-e-dia-de-branco/

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/11/11/mes-da-consciencia-negra-a-festa-da-resistencia/

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia