Vc jaH imaginoW te D encaraH 1 textU TdO escritU assim?

    A escrita surgiu tardiamente, se comparada ao aparecimento da linguagem, mas, sem dúvida, trouxe importantes mudanças no mundo: desenvolveu a comunicação entre os homens, permitindo-lhes derrubar barreiras que serviam de distanciamento entre grupos, oportunizou intercâmbio, trocas de informação, preservação da memória, além de favorecer o desenvolvimento intelectual do ser humano.

    Este processo segue em constante evolução, afetado fortemente pelo avanço das novas tecnologias, mais recentemente pelas chamadas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). A partir do final do século passado, a internet e, mais especificamente, a comunicação por ela proporcionada, revelou-se como a maior revolução na comunicação, desde a invenção da escrita. Todos os meios de comunicação até então em uso proporcionaram, de modo mais ou menos incisivo, modificações na sociedade e na visão de mundo das pessoas e contribuíram, fundamentalmente, para a agilidade e eficiência da comunicação. A internet, entretanto, proporcionou, além disso, a extensão de algumas das nossas capacidades naturais: ela nos permite apreciar coisas que naturalmente não poderíamos ver e, além disso, interagir com elas, tocando-as em sua realidade virtual; ouvindo o que desejamos, conversando com quem não conhecemos, entre outras façanhas.

    A internet também vem inaugurando alterações na forma de escrita, tendo inclusive uma abordagem própria: a linguagem virtual ou o “internetês”, como é chamado popularmente. Trata-se de uma linguagem informal, baseada na simplificação da escrita, com recursos que a transformam em uma linguagem taquigráfica, fonética e visual, observada especialmente no chat do Facebook, Twitter, Instagram, e, sobretudo, no WatsApp. Na expressão “Q 9da10 vc ten?”, temos um exemplo da linguagem comumente utilizada nestes aplicativos e para acessá-la – “Que novidades você tem?” – é necessário recorrer especialmente à visão. É que nesta nova linguagem as palavras são, sobretudo, vistas. O que se vê (lê) não são palavras tal como as conhecemos em seu formato ortográfico, mas símbolos codificados que evocam no leitor palavras reais. É vasto o repertório: vc – você; blz – beleza; naum – não; cmg – comigo; neh – não é; kd – cadê; flw – falou; blza – beleza, entre outros. Como bem referiu Joel Birman, UERJ, em recente colóquio “Psicanálise, Educação e Política em tempos incertos: che vuoi?“, promovido pela UNEB: entre os adolescentes, maiores usuários das redes sociais, observamos “uma linguagem rica com muita metonímia e pouca metáfora“. Este recurso é absolutamente novo, se assemelha, mas não se confunde com siglas ou acrônimos. Uma sigla resulta da redução de um grupo de palavras às suas iniciais, de acordo com a designação de cada letra; acrônimo, por sua vez, compreende-se como a junção de letras ou sílabas iniciais de um grupo de palavras e se pronuncia como uma palavra só, respeitando a estrutura silábica da língua. Tão vasto quanto pontos de interrogação, exclamação e reticências, os emoticons e gifs são excessivamente utilizados. Tudo com a intenção de emprestar à escrita uma entonação mais próxima da fala e tornar a conversa mais atrativa.

Fonte: Wikpedia.org/wiki/internet%C3%AAs

    O “internetês” tem trazido uma nova preocupação entre os educadores. Muitos deles predizem que o uso das novidades virtuais pode ocasionar a perda dos padrões ortográficos e escritas cada vez menos adequadas a outros contextos de produção. Em oposição a essa ideia, outros consideram benéfica a influência da internet na construção da linguagem pelos adolescentes, que estão, muitas vezes, aprimorando o processo de produção escrita. “[…] Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto”, diz Fernanda Maria Pereira Freire, pesquisadora que atua na área de Linguagens e Tecnologias. Ela defende que a comunicação mediada por computadores têm permitido o exercício da linguagem escrita de maneira diferenciada e destaca que “ferramentas para a produção escrita (editores de texto, de páginas web, de histórias em quadrinho) e para a comunicação à distância (bate-papo, icq e correio eletrônico) inauguram novas condições de produção de discurso, integrando elementos originais ao que hoje denominamos leitura-escrita.” Nas telas e não nos papéis impressos, mais uma característica do internetês é o uso de onomatopéias para representar um som ou enfatizar determinada sílaba. Isso promove nos interlocutores a compreensão de como determinada palavra deve ser lida e que intenções carregam.

    Esta forma de comunicação divide opiniões, como antes fora dito. Podemos considerar, entretanto, que “nenhum instrumento ou tecnologia inventada pelo homem pode ser intrinsecamente positivo ou negativo, certo ou errado, útil ou perigoso. É só a utilização que disso se faz que pode ser julgada com regras éticas”, como sinaliza Roberto Fasciani. E é esta a discussão que deve ser estimulada nas escolas e outros espaços de educação.

Lilia Rezende
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Referências:
FASCIANI, Roberto. Novas tecnologias informáticas, mass media e relações afetivas.
FREIRE, Fernanda M. P. A palavra (re)escrita e (re)valida via Internet. In: SILVA, Ezequiel T. da (Coord.); FREIRE, Fernanda; ALMEIDA, Rubens Queiroz de; AMARAL, Sergio F. do. A leitura nos oceanos da internet. SP: Cortez, 2003. 127 p. p.19-32.

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Raios!

Chuva forte, ventos, raios e trovões compõem um cenário que inquieta muita gente! Antigamente, e ainda hoje, não é raro deparar-se com pessoas que, durante a ocorrência de tempestades, cobrem todos os espelhos com toalhas e lençóis, guardam todas as tesouras e facas da casa, de forma a evitar a sua exposição. Isso porque, segundo o conhecimento popular, esses utensílios têm a propriedade de atrair raios.

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Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Os mitos acerca dos raios e trovões não são de hoje, datam de períodos muito antigos. Os babilônicos, por exemplo, acreditavam que o deus Adad carregava um bumerangue em uma das mãos, que quando lançado, provocava o trovão. E, na outra mão, empunhava uma lança, que, quando arremessada, produzia os raios. Já os gregos acreditavam que os raios eram lanças forjadas por gigantes ciclope . Segundo a mitologia, eles trabalhavam como ferreiros, fabricando-as, para que Zeus, o rei dos deuses, as atirasse sobre os homens pecadores e arrogantes.

A partir do século XVIII, os raios começaram a ser compreendidos sob o ponto de vista da ciência. Os primeiros estudos sistemáticos foram realizados em 1752, em Paris, por Thomas François Dalibard. Ele suspeitava que os raios estivessem associados à eletricidade estática e, por isso, se propôs a subir no alto de uma montanha durante uma tempestade, onde colocou uma haste metálica isolada do chão e logo em seguida, utilizando os dedos, verificou que pulavam faíscas em direção a eles. Comprovando, assim, a natureza elétrica das descargas atmosféricas. Posteriormente, várias experiências foram feitas, sendo a mais conhecida a realizada pelo americano Benjamin Franklin. Segundo a história, Franklin empinou uma pipa num dia de tempestade e observou que faíscas pulavam de uma chave amarrada próximo da extremidade da linha à sua mão. Confirmando aquilo que Tomas François já havia constatado no seu experimento.

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Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Hoje, sabemos que os relâmpagos têm a sua origem na eletrização das nuvens, gerando, assim, campos elétricos intensos; que, quando atingem níveis críticos, quebram a rigidez dielétrica do ar, possibilitando a descarga elétrica entre nuvens ou entre as nuvens e o solo. Essas descargas provocam o aquecimento abrupto do ar que se expande, gerando os estrondos que conhecemos como trovão. Apesar de se tratar do mesmo fenômeno, percebemos o trovão e o relâmpago em momentos distintos. Isso ocorre porque o som e a luz possuem velocidades diferentes. Como sabemos, a luz (300.000.000 m/s) é muito mais rápida que o som (340 m/s), por isso é percebido muito antes, ocasionando a falsa sensação de que se tratam de fenômenos diferentes.

Por mais bonitos e atraentes que sejam, os relâmpagos representam um grande perigo. Isso porque, ao atingir o corpo humano, a corrente elétrica gerada por eles pode causar queimaduras, parada cardiorrespiratória e o óbito do indivíduo.

Os raios têm uma probabilidade maior de atingir os pontos mais altos, locais descampados, piscinas, praias, campos de futebol e árvores isoladas. Assim, durante uma tempestade, deve-se evitar esses locais. Caso esteja dentro de um veículo, evite sair dele. O carro é o local mais seguro para se abrigar dos raios. Ele funciona como uma gaiola de Faraday, anulando o campo elétrico no seu interior. E, finalmente, não precisa mais cobrir os espelhos de casa! Eles não atraem os raios! Até hoje, não foi encontrada nenhuma relação entre eles, até porque o espelho é feito de vidro, material que não conduz bem a eletricidade, logo não oferece nenhum perigo. Já os metais, principalmente os pontiagudos, devem ser evitados, já que eles são bons condutores de eletricidade. Por medida de segurança, desligue os eletroeletrônicos e evite fazer ligações no telefone fixo!

Aprenda mais sobre os raios, acessando agora o Ambiente  Educacional Web!

Referências:

INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS. Eletricidade prejudicial ou fundamental?. Disponível em: <http://www.ifsc.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=926:desvendando-raios-eletricida-prejudicial-ou-fundamental&catid=7:noticias&Itemid=224>. Acesso em: 13 de junho de 2017.

 

 

(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

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Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

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Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

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Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

O baianês nosso de todo dia

Colé de mermo! Tá tudo massa? Hoje, a gente vai trocar uma ideia sobre o baianês. Você tá ligado? Não precisa ficar agoniado, não. É de boa! Tá rebocado! Só não vamos entrar na molequeira, porque a coisa aqui é séria. Brincadeiras à parte, se você é baiano, já prestou atenção ao nosso modo de falar? Temos uma forma própria de nos expressar e, muitas vezes, a gente não atenta para isso. Essa forma, obviamente, não é homogênea, padronizada, mas faz parte dos nossos costumes. Repare como eu comecei este texto. Oxe! Olha o baianês aí de novo!

Fig. 1: capa da 2ª edição do Dicionário de Baianês, publicada em 1992. Foto: Raulino Júnior

O baianês é um dialeto do português brasileiro, cujo uso frequente se dá no estado da Bahia. Ele é formado por palavras e expressões que caracterizam a cultura do povo baiano. A sua composição tem influências históricas, principalmente quando se pensa nas correntes migratórias da época do Período Colonial, quando Salvador protagonizava as ações administrativas do Brasil. A então capital do país influenciou e contribuiu para consolidar essa forma peculiar de se comunicar.

Há uma vertente da Linguística, a ciência da linguagem, que estuda esse fenômeno da língua: a Sociolinguísitca. Ela se debruça, de forma científica, sobre os aspectos linguísticos e sociais que são evidenciados na relação entre língua e sociedade. É um estudo muito interessante! Porque, para a Sociolinguística, as condições de produção devem sempre ser consideradas. Uma pergunta-guia é: por que tal falante usa tal forma para se comunicar? Daí vem toda a investigação. O estudo é descritivo, voltado para o emprego linguístico concreto. Os fatos da língua são investigados pelos sociolinguistas tomando como base o uso vivo dela. Nesse sentido, noções de “certo” e “errado” não são levadas em consideração. É assim com o dialeto baiano. Expressões como “Colé, bródi!” e “Ópraisso!” se justificam devido a essa investigação científica.

Contudo, como o baianês é uma linguagem que nasce da fala, é preciso ter consciência para a adequação do seu uso, além de atentar para as diferenças existentes entre a língua falada e a língua escrita. Numa conversa com amigos, no pátio da escola, temos uma forma mais descontraída de falar, com reduções de palavras e uso de gírias, por exemplo. Entretanto, numa entrevista de emprego, a nossa fala, geralmente, se torna mais formal.

Quem investigou e registrou a nossa forma de falar foi o engenheiro Nivaldo Lariú, que é natural de Itaperuna, município do Rio de Janeiro. Ele radicou-se na Bahia há mais de 40 anos e catalogou as palavras e expressões ditas pelos baianos no Dicionário de Baianês. O livro já tem mais de 1500 verbetes e é um dos poucos registros sobre o dialeto. Vale muito a pena consultá-lo. Quer pegar o boi? Corra atrás da obra, criatura!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Duas faces de uma mesma prática

A leitura é muito mais

do que decifrar palavras.

Quem quiser parar pra ver

pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão,

se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,

se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa…”

O trecho acima, do poema Aula de Leitura, do escritor, ilustrador e pesquisador paulista Ricardo Azevedo, mostra como a leitura é uma prática que nos enche de possibilidades de ver o mundo. Através dela, a gente decifra tudo, até as coisas consideradas mais difíceis. Por mais clichê que pareça, para quem lê, a vida tem outra face e várias facetas. Quem lê, de fato, se torna possível e passível; porque leitura é sentimento.

Fig. 1: Família “Leitura e Escrita” (da esquerda para a direita): Rodrigo de La Rocha, Diego Santoro, Elaine Camacã, Alex Simões, Mariângela Nogueira (sentada), Larissa Kharkevitch, Anderson Shon, Nana de Carvalho e Armando Almeida. Foto/Edição: Peterson Azevedo.

A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.

A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

O projeto Memórias de Leitura foi produzido, como afirmou Mariângela, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), em outubro de 2016. O poeta Alex Simões, 43 anos; o tradutor, poeta e escritor Rodrigo de La Rocha, 28 anos; e o professor e escritor Anderson Shon, de 29 anos, foram algumas das pessoas que compartilharam as memórias. A convite do nosso blog, eles falaram como foi essa experiência e opinaram sobre a importância da iniciativa:

O Memórias de Leitura foi gravado por jovens integrantes da Cipó Comunicação Interativa e a produção teve apoio da DLL. Por curiosidade, você gostaria de saber quais são as memórias de leitura de quem idealizou a iniciativa? Nós também! Por isso, perguntamos à equipe que compõe a Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon: quais são as memórias de leitura de vocês? Neste vídeo, você confere os depoimentos:

IV Concurso de Escritores Escolares

Outra ação da DLL (FPC) que tem a leitura como mote é o Concurso de Escritores Escolares. Isso porque todo ato de escrita pressupõe o de leitura. Na sua 4ª edição, o concurso é voltado para estudantes regularmente matriculados no Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, das redes pública e particular da Bahia. Cada estudante só pode se inscrever em uma das categorias (redação ou poesia), com texto inédito, ficcional ou não. O tema das produções é livre. No vídeo a seguir, Armando Almeida, 60 anos, coordenador de Leitura da DLL, fala como se deu a adesão das escolas ao concurso, durante todo esse tempo, e sobre o estímulo à escrita:

O professor Anderson Shon, que participa há dois anos do concurso, estimulando os seus alunos, diz que faz a sensibilização focando na escrita criativa: “Eu sempre trabalhei redação longe de qualquer objetivo de passar no ENEM, de passar em vestibular. Eu sempre foquei em escrita criativa. Quando eu soube do concurso, lá na 2ª edição, para mim, era a ideia de validar os meus conhecimentos e os conhecimentos deles. Porque a gente escrevia, a gente gostava, mas a gente nunca tinha passado por uma avaliação. Na primeira vez que eu participei, tive sete alunos premiados. No ano passado, tive Beatriz Vieira em primeiro lugar. A gente já trabalhava a escrita de uma forma extremamente criativa. Minha ideia de trabalhar a escrita com eles é no conceito de que a escrita é viva. Nas nossas aulas, não existe nada que esteja extremamente errado. Para mim, estimular os alunos, é sempre desafiá-los, mostrar que eles são capazes, criativos e com condições de virarem escritores no futuro”, pontua.

As inscrições para participar do IV Concurso de Escritores Escolares poderão ser feitas até 14 de junho, na sede da FPC, que fica na Avenida Sete de Setembro, Edifício Brasilgás, 4º andar, sala 01, Centro, Salvador-BA, CEP.: 40060-001. Quem não mora na capital, pode fazer a inscrição pelo correio, com Aviso de Recebimento (AR). Dezoito candidatos serão contemplados, com prêmios como notebook, tablet, e-book e kits de 50, 40 ou 30 livros. Para saber mais informações sobre o concurso, acesse o site www.fpc.ba.gov.br. Sucesso! E não esqueça: a leitura te leva para qualquer lugar. Basta você querer!

Texto/Produção: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Edição/Finalização: Keops Maciel

Agradecimentos à equipe da Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon, e a todas as pessoas que participaram desta reportagem.

Dinheiro: da moeda ao bitcoin

Olá, pessoal!

Escambo. A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. No início, não havia moeda. As transações comerciais eram realizadas através de simples troca de mercadoria por outra, sem equivalência de valor. A esta transação se dá o nome de escambo. “Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras. Aceitas por todos, assumiram a função de moeda, circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor”, segundo o site Banco Central do Brasil. Eram as moedas–mercadorias, como foi o caso do gado (do latim pecus) e do sal. Essa forma de comércio, porém, não permitia o acúmulo de riquezas.

As primeiras moedas. Com a descoberta do metal, este foi eleito como principal padrão de valor por apresentar vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza. A Bíblia cita transações comerciais cujas moedas eram o ouro, a prata e o bronze. No século VII a.C., surgem, então, as primeiras moedas com características das atuais: pequenas peças metálicas, com peso e valor definidos e com a impressão da marca de quem as emitiu e garante o seu valor. Hoje, as moedas trazem impressas algumas personalidades de seu país. Provavelmente, a primeira figura histórica a ter sua efígie registrada numa moeda foi Alexandre, o Grande, da Macedônia, por volta do ano 330 a.C. No século I, o imperador César também teve sua efígie registrada no denário, conforme relata Jesus em Mateus 22.19 – 21. Além disso, já existiram moedas ovais, quadradas, poligonais etc., e de materiais como madeira, couro e até porcelana.

No final do século 19, o cuproníquel e, posteriormente, outras ligas metálicas, passaram a ser muito empregados, vindo a moeda a circular pelo seu valor gravado em sua face, que independe do metal nela contido.

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Figura 1

A origem da cédula e do cheque. Na Idade Média, surgiu o costume de se guardar os valores com um ourives. Este, como garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel. Com o advento do papel-moeda, a cunhagem de moedas metálicas ficou restrita a valores inferiores, necessários para troco. No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810. Tinham seu valor preenchido à mão, tal como hoje, fazemos com os cheques. No Brasil, a primeira referência ao cheque apareceu em 1845, quando se fundou o Banco Comercial da Bahia; mas, mesmo assim, sob a denominação de cautela. Só em 1893, pela Lei 149-B, surgiu a primeira citação referente ao cheque, no seu art. 16, letra “a”, vindo o instituto a ser regulamentado pelo decreto 2.591, de 7 de agosto de 1912.

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Figura 2

Com o tempo, da mesma forma ocorrida com as moedas, os governos passaram a conduzir a emissão de cédulas, controlando as falsificações e garantindo o poder de pagamento. Atualmente, quase todos os países possuem seus bancos centrais, encarregados das emissões de cédulas e moedas. O conjunto de cédulas e moedas utilizadas por um país forma o seu sistema monetário. Este sistema, regulado por meio de legislação própria, é organizado a partir de um valor que lhe serve de base e que é sua unidade monetária (Real, Dólar, Euro, etc.). Atualmente, quase todos os países utilizam o sistema monetário de base centesimal, no qual a moeda divisionária da unidade representa um centésimo de seu valor (cêntimo, cents, centavos). Os países, por meio de seus bancos centrais, controlam e garantem as emissões de dinheiro.

Cartões de Crédito. O uso de moedas e cédulas está sendo substituído cada vez mais por pequenos cartões de plástico, que podem ser usados na compra de grande número de bens e serviços, inclusive em lojas virtuais, através da internet. Os cartões não são dinheiro real, simplesmente registram a intenção de pagamento do consumidor. Cedo ou tarde, a despesa terá de ser paga, em espécie ou em cheque. É, portanto, uma forma imediata de crédito.

O Cartão de Crédito surgiu nos Estados Unidos na década de 20. Em 1950, o Diners Club criou o primeiro cartão de crédito moderno, confeccionado em papel cartão e em 1955 passou a usar o plástico em sua fabricação. Em 1958, foi a vez do American Express lançar seu cartão. Na época, os bancos perceberam que estavam perdendo o controle do mercado para essas instituições e, no mesmo ano, o Bank of America introduziu o seu BankAmericard, que, em 1977, passa a denominar-se Visa; que hoje, juntamente com a bandeira MasterCard, lideram o setor, seguidas pela brasileira Elo. Os cartões facilitam a compra! Os cartões telefônicos também são um bom exemplo disso!

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Figura 3

O mais recente avanço tecnológico em termos de cartão foi o desenvolvimento do smart card, o cartão inteligente. Perfeito para a realização de pequenas compras, ele vem com um chip que pode ser carregado com uma determinada soma em dinheiro. À medida que o portador vai gastando, seu saldo vai sendo eletronicamente descontado. Quando o saldo acaba, o cartão pode ser carregado com uma nova quantia”, segundo o site Banco Central do Brasil. Um bom exemplo de smart card é o Salvador card para pagamento da passagem de ônibus e de metrô.

O Bitcoin. Recentemente, num ataque de hackers que afetou computadores de organizações de vários países, “sequestraram” o acesso aos dados e pediram uma recompensa para que o tivesse de volta. Para tanto, usaram um vírus de resgate que inutilizaram o sistema ou seus dados até que fosse paga uma quantia em dinheiro bitcoins! Foi aí, então, que o jovem britânico Marcus Hutchins, de 22 anos, entrou em cena. Ele gastou o equivalente a R$ 35,00 para comprar o endereço e conseguir analisar o comportamento do vírus. Mas, quando fez isso, sem querer, a propagação do programa foi interrompida, como se um “botão de segurança” tivesse sido ativado, levando à sua autodestruição. Mas, afinal, o que é bitcoin?

Segundo o site mandaê, bitcoin é uma moeda virtual criada em 2009 por um programador desconhecido, de pseudônimo Satoshi Nakamoto. Acredita-se que em algum momento um grupo de programadores ou o próprio Nakamoto teve a ideia de desenvolver um processo chamadomineração”. Nesse processo, os indivíduos ou empresas que doarem seus esforços para resolver enigmas matemáticos do sistema virtual têm como recompensa bitcoins recém-criados, que são liberados após uma decodificação. Como essas codificações a serem desvendadas são limitadas, novos bitcoins deixarão de ser produzidos e todas as transações serão feitas com os já existentes. Será quando o valor dessa moeda se estabilizará significativamente.

Além de mineração, a moeda virtual pode ser obtida em troca de dinheiro, produtos e serviços, além de ser possível ver a cotação do dia como qualquer outra. É possível enviar e receber bitcoin eletronicamente usando um software que serve como uma carteira virtual e pode ser implementado em um computador pessoal, dispositivo móvel ou um aplicativo web. As transações das carteiras são processadas, verificadas e registradas publicamente no meio virtual, mas apenas o seu ID é armazenado no registro público, não o seu nome real ou qualquer outro documento. O que garante, além de tudo, segurança nas transações.

Com o bitcoin, os empreendedores podem realizar seus maiores desejos: pagamentos recebidos instantaneamente, nenhuma taxa de transação, uma moeda universal e sem a intermediação de bancos ou qualquer outra entidade financeira, sendo você o único responsável sobre os valores das suas vendas. Conheça outras moedas virtuais aqui!

Com a informática, o dinheiro se transformou em impulsos eletrônicos invisíveis, livres do espaço, do tempo e do controle de governos e corporações”, afirmou  à Superinteressante, o antropólogo Jack Weatherford, da Faculdade Macalester, Estados Unidos, autor do livro A História do Dinheiro.

Visite o Museu Eugênio Teixeira Leal, o Museu do Dinheiro, especializado em moedas e condecorações e que tem um acervo composto por mais de 6000 peças. O Museu fica na Rua do Açouguinho, nº 1 – Pelourinho e funciona de terça a sexta feira das 9h às 18h; sábados das 13h ás 17h e domingos das 10h ás 14h. Visite a página no Facebook.

museu

Figura 4

Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Museu de valores do Banco Central. Disponível em <http://www.bcb.gov.br/htms/origevol.asp>. Acesso em 17/05/2017, às 14h51.

BITCOINS BRASIL. O que é bitcoins? Disponível em: <https://www.bitcoinbrasil.com.br/o-que-e-bitcoin/ >. Acesso em 17/05/2017, às 13h25.

BITCOIN FORUM. Disponível em: <https://bitcointalk.org/index.php?topic=1506059.0>. Acesso em 17/05/2017, às 13h44.

MANDAÊ. Moeda virtual: bitcoin como solução para as vendas. Disponível em: <https://www.mandae.com.br/blog/moeda-virtual-bitcoin-como-solucao-para-as-vendas/?utm_source=worldsense&utm_term=moeda+virtual&utm_campaign=mandae&utm_medium=referral&utm_content=creative%25252540desktop>. Acesso em 18/05/2017, às 14h.

METRIC CONVERSION. Disponível em: <http://www.metric-conversions.org/pt/moeda/bitcoin-em-real.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h05.

SECULTBA – SECRETARIA DE CULTURA. Disponível em: <http://www.cultura.ba.gov.br/2017/03/13378/Museu-Eugenio-Teixeira-Leal-apresenta-seu-acervo-especial.html>. Acesso em 25/05/2017, às 14h40.

SUPERINTERESSANTE. Como surgiu o dinheiro? Disponível em <http://super.abril.com.br/cultura/como-surgiu-o-dinheiro>. Acesso em 19/05/2017, às 14h04.

TECMUNDO. Além dos bitcoins: conheça outras moedas virtuais. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/bitcoin/46659-alem-dos-bitcoins-conheca-outras-moedas-virtuais.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 14h16.

UOL NOTÍCIAS. Disponível em: <https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/17/cocuproníquelnheca-o-heroi-que-conseguiu-parar-o-avanco-do-ataque-virtual-wannacry.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h17.

WIKIPÉDIA. Dinheiro. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dinheiro>. Acesso em 17/05/2017, às 14h16.

IMAGENS, acessada em 24/05/2017.

Figura 1: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:5_CENTAVOS_Brasil_1998.jpg

Figura 2: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deodoro_da_Fonseca_na_nota_de_20_mil_r%C3%A9is_de_1925.jpg

Figura 3: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=150326&picture=&jazyk=PT

Figura 4: https://www.google.com.br/maps/@-12.9723968,-38.5092847,3a,60y,181.61h,91.27t/data=!3m6!1e1!3m4!1sLRb9sI6D1l6nqCc9HWdpxA!2e0!7i13312!8i6656

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Por trás de uma grande mulher….

 Em 1948, morria sozinha e desconhecida em Zurique, Mileva Maric. Poucas histórias no mundo científico seriam tão dolorosas e injustas como a dela!  Uma mulher brilhante, com pensamentos e atitudes muito além do seu tempo!  Nascida num período em que as mulheres eram responsáveis pela criação dos seus filhos e pela manutenção da casa, Mileva, diferentemente das demais, tinha outros anseios. A sua vocação para os estudos, e seu interesse por temas relacionados à Física e à Matemática, levaram o seu pai a pleitear uma permissão especial para que ela estudasse numa Escola Secundária, que, na época, era apenas para homens. No Outono de 1896, ela ingressou no renomado Instituto Federal Suíço de Tecnologia -ETH, em Zurique, onde iniciou os seus estudos de Física. Era a única mulher numa turma de seis alunos, e a quinta mulher a fazer parte daquela instituição.  Nesse mesmo ano, ingressava na mesma classe de Mileva, o jovem Albert Einstein, por quem mais tarde ela se apaixonaria e se casaria.

Einstein, Albert (1879-1955), Einstein-Maric, Mileva (1875-1948)

Disponível em wikimedia, acessado em 16/05/2017

Sabe aquele ditado que diz que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher? Pois é! Acho que, no caso de Maric, a história dessa grande mulher, por uma ironia ou não do destino, foi ofuscada e escondida por trás de Albert Einstein.

No início, tudo não passava de uma relação de estudos compartilhados, experiências, ideias e inspiração mútua. Mileva se destacava nos estudos e isso fascinava o jovem Einstein, que logo se sentiu atraído pela jovem e passou a cortejá-la. Mesmo se sentindo atraída por ele, Maric renunciou por várias vezes o envolvimento, afinal, ela estava ciente dos desafios que enfrentaria como mulher num mundo estritamente masculino e preconceituoso.  Finalmente, depois de muitas investidas, em 1898, Mileva e Einstein se tornaram um casal e, nesse mesmo ano, os dois colaram grau. Einstein graduou-se, em Física, em 1900, enquanto Maric tentou duas vezes obter um diploma, mas seus esforços foram interrompidos quando ela ficou grávida em 1901. A filha, mantida em segredo pelas famílias, provavelmente foi dada em adoção ou faleceu depois do nascimento, só sabemos dela, graças às cartas deixadas por Einstein. Deprimida e envergonhada com a gravidez, Mileva retorna à casa dos seus pais e abandona definitivamente os planos de se graduar na ETH. Em janeiro de 1903, depois de vários conflitos, Einstein e Mileva, finalmente, se casaram.

Em 1905, Einstein publicou a primeira versão da Teoria da Relatividade, na qual o nome de Mileva aparece como coautora. No entanto, não sabemos o porquê, essa referência desaparece nas versões posteriores. Ao que tudo indica, Mileva teve papel decisivo na elaboração da Teoria da Relatividade, e isso está mais evidente num conjunto de 54 cartas de amor trocadas entre eles, encontradas em 1986, em que Einstein fala por várias vezes “a nossa teoria”, “nosso trabalho” e “nossa investigação” . Em uma das cartas, ele escreveu: “Quão feliz e orgulhoso serei quando nós dois juntos tivermos levado nosso trabalho sobre o movimento relativo a uma conclusão vitoriosa!”

Mas, quando Albert subiu para a estratosfera científica, Mileva foi relegada aos deveres domésticos e a criação dos filhos. Cada vez mais solitária e isolada, ela se tornou presa de suas próprias inseguranças, que a mergulharam numa depressão. Foi um destino trágico para uma mulher que não era apenas um gênio em seu próprio direito, mas que também pode ter contribuído para a Teoria da Relatividade.

 Separaram-se em 1914 e divorciaram-se dois anos mais tarde. Como parte do acordo, Einstein prometeu a Mileva os valores provenientes do Prêmio Nobel, dinheiro que ela recebeu em 1922. Ele nunca mais voltaria a produzir física ao mesmo nível da obra de 1905.

Referências:

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Mileva Maric´. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Mileva_Mari%C4%87>. Acesso em: 16 de maio de 2017.

 DORIAN COPE. THE DEATH OF MILEVA MARIC. Disponível em: <http://www.onthisdeity.com/4th-august-1948-the-death-of-mileva-maric/>. Acesso em 06 de maio de 2017.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS/ INSTITUTO DE FÍSICA. Albert Einstein & Mileva Maric.  Disponível em:<http://www.if.ufrgs.br/einstein/mileva.html>. Acesso em 06 de maio de 2017.