Ser negro no Brasil hoje

O livro Ser negro no Brasil hoje, da antropóloga Ana Lúcia Valente, é uma obra interessante, que traz questionamentos contundentes para o debate em torno da situação dos negros brasileiros. Lançado em 1987, o livro discute com propriedade aspectos da cultura negra e faz com que o leitor reflita sobre a temática. Logo na introdução, Ana Lúcia provoca: “Você já pensou sobre o que é ser negro no Brasil?”. E você que está lendo este texto, já pensou?

Ser Negro
Imagem: Portal do Professor

O 1º capítulo, Contextualizando a questão, traz um apanhado sobre o que é ser negro no Brasil, retoma o passado e fala do falso mito da democracia racial brasileira. Para desfazer tal ideia, Ana Lúcia propõe que o preconceito e a discriminação sejam admitidos e vistos como um problema da nossa sociedade.

No capítulo seguinte, Falando do passado, a autora aborda mais detidamente a condição de escravo dos negros, a resistência − pois os negros “nunca demonstraram ser passivos” diante daquele regime − e como a história de um povo foi contada pelo viés dos dominadores. Nesse sentido, Ana afirma: “Boa parte das noções falsas sobre os negros escravizados não surgiu de um trabalho historiográfico profundo. Pode ser considerado como manifestação do colonialismo e dos interesses que este queria defender. Até o surgimento de uma iniciativa que procurou interpretar a história sob outros ângulos, o que estava escrito era centrado na vida da ‘camada dominante’”. A antropóloga ainda cita a Lei do Ventre Livre, a Lei dos Sexagenários e a Lei Áurea, que chama de “condenação formal do sistema escravista”.  Ana Lúcia critica a ideia ilusória de que a Lei Áurea salvou os negros e trouxe mais dignidade para eles. “A ‘libertação’ dos escravos resultou numa massa de negros que perambulavam pelas fazendas e cidades à procura de emprego”, encerra.

Intitulado Falando do presente: o racismo à brasileira, o 3º capítulo fala primeiro da realidade dos negros nos Estados Unidos e na África do Sul para depois chegar ao Brasil. Ana conclui que “ser negro no Brasil hoje significa esclarecer aos outros negros e seus descendentes o papel fundamental que eles têm a desempenhar para mudar a situação racial […]. Ser negro no Brasil é uma questão política. Não a política apenas no sentido partidário, que é importante, mas no sentido mais amplo das relações humanas. Para isso, essas relações devem ser conhecidas. E quando forem relações marcadas pelo preconceito e discriminação devem ser reconhecidas e assumidas, para então serem coibidas e penalizadas”.

Guia clássico e comentado de situações de racismo é o nome do 4º capítulo. Nele, Ana Lúcia Valente discute os estereótipos associados à população negra, as piadas descabidas que têm o negro como personagem e narra situações de racismo no mercado de trabalho, na escola e nos restaurantes. A autora fala também sobre os casamentos inter-raciais e sobre os negros que têm destaque na sociedade brasileira, como Djavan e Pelé.

O 5º capítulo trata da Breve e recente história da resistência negra organizada. Nesse sentido, apresenta as primeiras organizações que tinham como objetivo defender os ideais da população negra, como a Frente Negra Brasileira. A autora não deixa de citar o emblemático Movimento Negro Unificado, fundado em 1978, na cidade de São Paulo. Ana destaca ainda o trabalho do Olodum e do Ilê Aiyê como instrumento de valorização do atributo racial.

Racismo é crime!, este é o grito que marca o último capítulo do livro. Ana mostra, num breve histórico, leis que buscavam assegurar o respeito à população negra, como a Lei Afonso Arinos, de 1951, e reproduz trechos do item XLII, da Constituição de 1988, que define a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Contudo, a autora pondera: “No nosso entender, sozinhas, as leis são insuficientes para dar fim ao problema racial no Brasil”.

O livro apresenta um Glossário com esclarecimentos dos conceitos utilizados nos estudos sobre relações raciais ou interétnicas e a seção Sugestões de Leitura, em que Ana indica livros fundamentais para discutir a temática do racismo, como O que é racismo, de Joel Rufino dos Santos.

Ana Lúcia Eduardo Farah Valente é mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB).

Referência: VALENTE, Ana Lúcia E. F. Ser negro no Brasil hoje. 15ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1996, 88p. (Coleção Polêmica).

2 de fevereiro: fé, tradição e consciência ambiental

Oi, Pessoal!

Hoje, é dia dois fevereiro, e como em todos os anos, acontece a festa em homenagem a Iemanjá, orixá das águas do mar e seu ecossistema. O festejos se concentram na colônia de pescadores, na igreja e no mar do Rio Vermelho.

Neste dia muitos presentes são levados nas dezenas de barcos ao som de muitos fogos e saudações até o alto mar, enquanto outros são deixados ali mesmo na chegada. O mais importante para os devotos é que a ‘rainha do mar’ aceite suas ofertas. Ainda é madrugada quando começam a chegar os primeiros grupos de pessoas vindas de várias partes da cidade em direção ao bairro levando suas oferendas para a Colônia de Pescadores e mais tarde lançá-las nas águas.Segundo alguma lendas, os presentas que retornam e ficam na areia são aqueles que não foram aceitos pela dona das águas.

Existe, atualmente, uma preocupação por parte de ambientalistas que alertam sobre os presentes jogados ao mar que não se decompõem, como os frascos de perfumes, feitos em plástico. Muitos animais marinhos morrem ao ingerir esses presentes ou podem sofrer alguma mudança em decorrência do contato com estes resíduo. Os pescadores e demais organizadores dos festejos já  planejam o evento preocupados também com o aspecto ecológico que envolve a festa.

E durante todo dia rolam festas que se espalham nos quatro cantos do Rio Vermelho. São várias barracas servindo muitas comidas e bebidas. Carros de som circulam, dando mais um toque de alegria, grupos de samba de roda, blocos afros, capoeiristas, entre tantos outros contagiando a galera que, animada, segue noite adentro.

Um pouco de História:

– Conta a história que essa festa começou na década de vinte (1923), com um grupo de 25 pescadores que se juntaram para fazer oferenda a Iemanjá, pedindo-lhe que abrandasse o mar e aumentasse fartura de peixes, pois naquele período as pescarias não estavam lhes rendendo bons lucros. Então passaram a levar presentes. Muitos pescadores costumam fazer ofendas com a imagem de um cavalo-marinho, por considerá-lo guardião da casa de Iemanjá. Por isso sempre usam essa figura como forma de homenagem.

A festa de Iemanjá, é mais uma demonstração de fé do baianos, fazendo parte da cultura desse povo, que sabe unir como nenhum outro, devoção e alegria.

 Viva a alegria desse povo!!!!

Fonte: http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/festa-modelo.php?festa=8