About Marcus Leone

Especialista em Mídias na Educação, graduado em Letras Vernáculas com Inglês, em Produção Audiovisual. É professor da Rede Anísio Teixeira, roteirista e realizador audiovisual.

Uma ideia na cabeça, uma escrita e o começo de tudo

Olá, pessoal!

Desenvolveu-se no Instituto Anísio Teixeira mais uma oficina para o audiovisual que faz parte da formação Produção de Mídias na Educação (PME). Estudantes do  Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira participaram desse momento reflexivo, de leitura, planejamento, criação e produção escrita de roteiro que faz parte de um contexto discursivo multiletrado, mais amplo que enreda várias linguagens artísticas e suas semioses. Potencializar a leitura, a escrita, a expressão oral, o planejamento e, sobretudo, o pensamento crítico são objetivos da formação em todas as suas etapas que se desenvolvem sempre de forma dialógica e colaborativa.

(Fig.:1 – Estudantes da formação PME 2017 produzindo um roteiro. Foto: Marcus Leone)

Minissérie, telenovela, cinema, gênero ficcional, documental e outras tantas formas narrativas verossímeis ou não são arquiteturas e discursos humanos. Nesse sentido, a criatividade é impulsionada por vivências, leituras diversas, diálogos e observações cotidianas que sugerem e potencializam mundos. Essas vivências enredam personagens que se relacionam em um imprescindível fluxo conflituoso que vão se costurando na trama. Técnica e conteúdo vão, ao mesmo tempo, sendo expressos em uma escrita guia, norteadora de vários fluxos posteriores que ocorrem antes, durante e depois de cada set de filmagem até o nascer do filme. Ufa! Isso, amigo(a) leitor(a), evidencia um roteiro em audiovisual.

Fig.:2 – Roteiro sendo produzido por estudantes da formação PME. Foto: Marcus Leone)

Durante a formação, os estudantes escreveram roteiros, em seu primeiro tratamento, para a realização de minidocumentários que pudessem ser gravados, inicialmente em caráter de exercício, nas dependências do Instituto Anísio Teixeira ou do próprio Colégio de Aplicação. A escolha do gênero discursivo e dos temas a serem roteirizados foi feita pelos próprios estudantes, pois a criticidade, responsabilidade, autonomia e emancipação dos sujeitos são fundamentais nos processos da PME. Mesmo em um curto espaço de tempo (seis horas) para se trabalhar teoria e prática na escrita de roteiros, os estudantes se apropriaram de conhecimentos básicos e importantes para refletirem, planejarem e escreverem vislumbrando histórias.

Dessa forma, “Escrever um roteiro é muito mais do que escrever”. (Comparato, 2000, p. 20). Durante a oficina os estudantes entendem que os processos criativos e, em nosso caso, os que envolvem diretamente a escrita, se alicerçam em leituras e percepções variadas, em reflexões e, muitas vezes, em debates produtivos. Na prática, esses meninos e meninas aprenderam que planejar de forma criteriosa as ações e antevê os fatos são processos fundamentais antes deles se lançarem nas etapas de qualquer produção audiovisual e também nos caminhos da vida.

Fig.:3 – Mediação durante a escrita: professor Marcus Leone e estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira. Foto: Geraldo Seara)

Durante a oficina, três roteiros foram escritos colaborativamente. Foi muito gratificante ver a construção desses roteiros (protótipos) autorais por parte dos estudantes. Nisso tudo, o mais importante foi presenciar o processo em que os estudantes pensaram e pesquisaram as ações de forma colaborativa, a argumentação na defesa das ideias, o repensar e corrigir aquilo que ainda precisava ser ajustado no texto. Enfim, foi muito bom experimentar com eles a prática contextualizada da leitura, da escrita e da oralidade, num processo de produção multimodal que transcende os muros da escola e possibilita diálogos com o mundo.

(Fig.:4 – Apresentação de roteiro autoral. Estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira. Foto: Geraldo Seara)

A partir de então, pós-formação, espera-se que mais leituras, reflexões, mais debates, pesquisas, escritas planejadas e produções para interação e intervenção social sejam desenvolvidas pelos estudantes em sua escola e comunidade e que os mesmos compartilhem esses saberes com outros jovens.

Fig.:5 – Professor Marcus Leone e estudantes do Colégio Estadual de Aplicação. Foto: Peterson Azevedo)

 

Abaixo seguem os vídeos cujos roteiros foram feitos na oficina.

 

 

Busquemos aprendizagens que sigam caminhos em via de mão dupla, pois ela se alicerça nas sensatas consequências dialógicas docente/discente, na verdade potente e necessária da diversidade cultural, na poesia crítica do olhar em liberdade, na interação e intervenção social, nas multissemioses dos textos e na escola que se renova no fazer junto, no colaborar.

Sigamos assim, construindo redes. Sigamos em frente, escrevendo nossa história com força e sensibilidade sempre!

 

Abraço e até breve!

 

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

 

Referências

MOLETTA, A. Criação de curta metragem em vídeo digital: uma proposta de produção de baixo custo. São Paulo: Summus, 2009.

COMPARATO, D., Da criação ao roteiro. Rio de Janeiro: Rocco, 2000

Diálogo, colaboração e empoderamento

Salve, salve, companheiros(as)! Tudo bem?

O texto de hoje traz notícias de um processo formativo dialógico, crítico e colaborativo  que se desenvolveu em Cajazeiras, um dos maiores bairros de Salvador e que tem fama de ser o maior conjunto habitacional da América Latina.  Nesse processo, professores e estudantes da rede pública estadual participaram juntos da formação “Produção de Mídias Estudantis” realizada pela Rede Anísio Teixeira/IAT-SEC. As aulas aconteceram nas duas últimas semanas do mês de  agosto, no Colégio Estadual Luiz José de Oliveira no turno vespertino.

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Fig. 1: Aula de edição com o professor Geraldo Seara. Captura: Marcus Leone

Mais uma vez a formação se desenvolveu através do compartilhamento e troca de saberes acerca do uso das TICs e, tanto para os cursistas quanto para os formadores, foram momentos de muita alegria, aprendizado e sensibilidade, pois promoveram reflexões interessantes sobre como, através do uso das tecnologias, é possível inovar na escola. Nesse sentido, percebeu-se facilmente entre os cursistas, sobretudo entre os estudantes, a necessidade que estes tinham em comunicar, em serem sujeitos no processo e não apenas receptores passivos. Então, mediadores, professores e estudantes interagiram numa proposta sensível, de construções críticas,  significativas e autorais.

 

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Fig. 2: A turma na aula de realização audiovisual com o professor Marcus Leone. Captura: Geraldo Seara

A metodologia usada na formação sempre objetiva estabelecer e potencializar o diálogo, “um caminho de mão dupla” onde todos falam e são ouvidos, onde todos colaboram sendo autores e realizadores e onde o coletivo é sempre  o mais importante.  Nessa relação ficou evidente que a tecnologia pode potencializar situações de  transformação em quem “ensina” e em quem aprende. Este se mostra mais proativo, confiante e sem receio de se expor e seguir no processo. Aquele, o que “ensina”, acaba por se reconhecer e se comportar como um mediador que colabora, que aponta possibilidades, que faz parte de um círculo de saberes e potencializa o mesmo.

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Fig. 3: A turma na aula de Produção textual para multimeios com o professor Raulino Júnior. Captura: Marcus Leone

“A nossa intenção é que esse curso vá crescendo, vá também para outras escolas, que é importante na vida dessas crianças, desses jovens que já têm uma vida tão difícil, tão carente…”  Com essas palavras, o professor Carlos Vagner C. da Silva, do Colégio Estadual Nelson Barros, resume a importância desse momento educacional e o desejo de que outros jovens experimentem esse processo de aprendizagem colaborativo e dialógico.

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Fig. 4: Final da formação: cursistas e mediadores. Captura: ThiagoVinícius

Nesse período, os estudantes e professores, além de aprenderem  sobre softwares e licenças livres, produção textual para multimeios, fotografia, produção e edição audiovisual, aprenderam sobre colaboração, aprenderam que, em um trabalho coletivo, todos são importantes e que devem se comportar como um time, “onde um joga para o outro” e no final todos são vencedores.  Aprenderam também sobre Ética, sobre respeitar para ser respeitado, sobre a importância da pesquisa e do trabalho autoral…  e o melhor de tudo, ao final do curso, esses jovens de Cajazeiras perceberam o quanto são capazes e que podem e têm a missão de interferir muito positivamente na escola e comunidade.

Força e sensibilidade sempre!

Marcus Leone

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Educação: caminhos, encontros e colaboração

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Fig.1 Marcus Leone

 

Quando o ato de aprender e ensinar acontece em via de mão dupla, isso, verdadeiramente, revela processos pedagógicos e aprendizagem significativa alicerçados no cuidado, no respeito e na colaboração.

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Fig.2 Geraldo Seara

 

E foi com esse espírito dialógico, afetivo e crítico que a Rede Anísio Teixeira realizou mais uma formação em produção de mídias com uso de software livre. Nesse processo, os formadores da  Rede AT compartilharam, interagiram, trocaram e, coletivamente, construíram saberes com uma equipe formada por setenta e oito educadores do GESTAR; colegas animados e muito competentes. Esse encontro formativo aconteceu em Valença, durante os dias seis e sete de julho, com carga horária de 16h. Os educadores da Rede Anísio Teixeira, Geraldo Seara, Marcus Leone e Peterson Azevedo, com uma metodologia dinâmica (perspectiva teórico-prática), mediaram uma formação em Introdução para a Produção de Vídeo. Em tal processo, os educadores potencializaram a interação com e entre os sujeitos participantes, assim como estimularam e auxiliaram a criação de conteúdos audiovisuais autorais pela turma.

 

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Fig.3 Geraldo Seara

 

A formação transcorreu em uma sequência lógica de conteúdos e ações básicas necessárias para a produção e edição de vídeo, tendo como foco o viés educacional. Nesse contexto, os cursistas tiveram aulas sobre roteiro, etapas de produção audiovisual, linguagem audiovisual, as funções no set de filmagem, captação de imagem, som e edição de vídeo. O mais interessante nesse processo é que a proposta do curso objetiva produzir vídeos com recursos mínimos, com o que é possível fazer no cotidiano escolar. Ou seja, é primar pela simplicidade e viabilidade dos processos de produção, sem negligenciar a qualidade. Para tanto, os recursos tecnológicos usados foram minimalistas. Nesse sentido, os participantes aprenderam e produziram vídeos, capturando imagens e som com celulares e microfones improvisados, utilizando fones de ouvido.

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Fig. 4 Geraldo Seara

Ao final da formação, os colegas cumpriram o desafio proposto e exibiram suas produções audiovisuais como trabalho de conclusão do processo. A integração entre os educadores da Rede Anísio Teixeira e os cursistas do GESTAR foi muito boa, assim como a reciprocidade no cuidado e admiração. Considerando esse contexto favorável, evidencia-se então uma relação de sucesso entre esses dois programas, cujo principal objetivo é potencializar e promover cada vez mais a escola pública.

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Fig. 5 Peterson Azevedo

As imagens são fotogramas das câmeras de making of.

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia