O racismo no Brasil: a questão do colorismo

A sociedade brasileira se construiu a partir de algumas bases históricas, entre elas o racismo estrutural. A escravidão, além de ter sido a atividade que sustentou por três séculos a economia no país, deixou marcas sociais profundas, como o racismo, crença e prática a partir das quais se estabelecem hierarquias sobre a pessoas com o critério racial. Apesar de o racismo também afetar as pessoas por características étnicas (no campo das práticas culturais), o preconceito com o fenótipo negro é gritante no cotidiano brasileiro.

Os negros e negro-mestiços brasileiros ainda hoje sofrem consequências do lugar social que ficou legado pela escravidão, seja nas diferenças evidentes nos aspectos sócio-econômicos, seja na negação das representações positivas de negritude em espaços de poder. Na TV e nas mídias em geral, não temos o povo negro representado devidamente na complexidade de sua presença na sociedade brasileira.

Entre as pessoas, descendentes de africanos nascidos no Brasil, é preciso falar da diversidade de tonalidades de cor de pele, provenientes da miscigenação que ocorreu no Brasil desde o século XVI. O fenótipo (característica física que se observa nas espécies) negro no nosso país é variado. Peles mais claras ou escuras, cabelos crespos, traços fisionômicos negróides são comuns à maioria da população e são considerados hoje, características da negritude brasileira. 

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Mulher negra da Bahia fotografado por Marc Ferrez (c.1885).

Neste sentido, não é apenas negro aquele que possui a pele de cor negra, mas as pessoas que comumente podem ser chamadas de “mestiças” também são negras, na medida que fazem parte de uma extensa comunidade de pessoas que compartilham de lugares sociais reservados aos negros, podendo algumas vezes estarem presentes em outros estratos sociais, mas sempre com a marca da negritude. Nesse sentido, assumir a negritude é um ato político.

Essa variedade de tons de pele das pessoas negras é chamada de colorismo e ganhou destaque nos debates sobre racismo bem recentemente, inclusive como desenvolvimento das pressões necessárias exercidas pelos movimentos de afirmação étnico-racial em terras brasileiras. O colorismo é um fenômeno nosso, e entender sua existência diz respeito às maneiras como o racismo atua no Brasil, ora aproximando, ora afastando pessoas negras com diversas tonalidades de pele. As pessoas de cor mais escura e características negras mais marcantes certamente sofrem mais com o racismo, pois são identificadas de imediato com o imaginário negativo construído sobre os negros no Brasil, mas isso não significa que negros de pele mais clara possam ser identificados como pessoas brancas e gozem integralmente dos privilégios mais amplos dos brancos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afro-brasileiros#/media/File:Alberto_Henschel_Pernambuco_2.jpg
Moça mulata fotografada por Albert Henschel (c.1869).

O colorismo precisa ser conhecido e discutido cada vez mais, seja nas ruas, nas Escolas, em casa, em todos os ambientes. Ah! E por falar nisso, que tal conferir dois episódios do Quadro Histórias da Bahia, da Rede Anísio Teixeira que abordam a presença africana e afro-brasileira na história do Brasil?

O primeiro é Heranças do além-mar  e o segundo é Revolta dos Malês!

Vamos pros debates!

 

Carlos Barros

Professor da Rede estadual de ensino da Bahia.

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