Vai de Espanhol no Enem?

 

Hispanofonia: em vermelho, o espanhol como língua oficial; em azul, como segunda língua oficial e, em rosa, não oficial mas de grande importância. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Map-Hispano.png

A prova de língua estrangeira no Enem chega a causar alguma preocupação entre os estudantes, sobretudo por causa do tempo de estudo de idiomas que é sempre insuficiente, mesmo em escolas que levam a sério a questão. Levando-se isso em consideração, atentar para algumas dicas vai ajudar bastante. Na verdade, são poucas as questões de Espanhol – apenas cinco -, mas que visam a testar não só o conhecimento da língua, mas também a capacidade de interpretar o que está nas entrelinhas. Para isso, é preciso conhecer pelo menos um pouco sobre as culturas por trás do idioma, pois o espanhol é falado desde o México até o extremo sul do Chile e Argentina, além da Espanha, é claro, espalhando-se sobre um imenso mosaico cultural, refletindo na língua, em cada canto, os costumes próprios de cada país. Mas não devemos nos preocupar muito quanto à diversidade decorrente desse fato, porque existe uma instituição que se encarrega de manter a unidade linguística entre os vários territórios abrangidos. Trata-se da Real Academia Espanhola que, nas palavras extraídas do próprio site, “es una institución con personalidad jurídica propia que tiene como misión principal velar por que los cambios que experimente la lengua española en su constante adaptación a las necesidades de sus hablantes no quiebren la esencial unidad que mantiene en todo el ámbito hispánico”, según establece el artículo primero de sus actuales estatutos. 

É preciso notar que o texto fala de unidade e não de unificação. A propósito, no Enem de 2013 uma das questões da prova de Espanhol tratava, exatamente, desse assunto. Dê uma olhada, seguindo o este link.

Quanto ao pequeno trecho em espanhol acima, as palavras são muito próximas do português, pois derivam do mesmo latim popular. Mas é preciso atentar para algumas armadilhas do idioma, pois uma mesma palavra pode ter sentidos diferentes lá e cá. Por exemplo, observe a charge abaixo:

 

Num momento anterior à representada na imagem, a espanhola (de azul) pediu “una taza de café”. A brasileira, então, serviu-lhe café numa taça. Taza parece taça, mas é xícara. E taça em espanhol é copa. Mas, muito além dessas situações envolvendo os falsos cognatos, devemos atentar para os problemas socioeconômicos e a situação política da América Latina e Espanha, o que, certamente, contribui bastante para a compreensão de muito dos textos. Vocês estão atentos ao movimento separatista da Catalunha? Será que isso pode cair na prova? Para estarmos antenados com esse fato e muitos outros, devemos realizar leituras diárias nos impressos disponíveis online, a exemplo de El País (Espanha), Clarín (Argentina) e La Nación (Chile) e etc. Embora seja possível acessá-los em português, ler os textos em espanhol, obviamente, será de grande valia.

As questões gramaticais não podem ficar de fora. Para isso, indicamos, abaixo, alguns vídeos catalogados na Plataforma Anísio Teixeira, com mais dicas para a prova de Espanhol:

Paradigma Verbal

El Pretérito Indefinido Irregular

Ejercicios Estilo Indirecto

Actividad de los Acentos o las Tildes en Español

Boa sorte!

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

P.S. Agradecimento especial à Professora Mônica Mota, pela catalogação dos vídeos indicados.

 

REFERÊNCIAS

ESPAÑA. Real Academia Española. La instituición. Disponível em < http://www.rae.es/la-institucion> Acessado em 20/10/2017.

SORGATO, Diana. Falsos amigos. Disponível em < http://www.tradutoradeespanhol.com.br/2013/01/falsos-amigos.html> Acessado em 20/10/2017BRASIL.

 

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#Melhore!

Que as redes sociais digitais são um reflexo da convivência com as pessoas do nosso cotidiano, todo mundo sabe. Então, tudo que existe sem a mediação da tela, está presente no mundo em que ela é fundamental para estabelecer a comunicação. Sendo assim, a forma como uma pessoa trata a outra — com carinho, rispidez, indiferença, empatia — também vai ter eco no Facebook, Instagram, Twitter e demais mídias. Nesse sentido, você já percebeu como algumas expressões usadas nesses meios são desrespeitosas e, quase sempre, incitam a violência?

Fig. 1: ilustração feita por Raulino Júnior

Isso fica muito evidente entre os fãs de artistas populares, que, muitas vezes, são estimulados por seus próprios ídolos a terem uma postura combativa nas redes; e também entre ativistas políticos, uma vez que a radical polarização não admite um equilíbrio nos debates. As expressões usadas contribuem para uma convivência nada harmoniosa entre quem posta e quem comenta. Uma das mais frequentes é “O choro é livre!”, que, por si só, soa agressiva. É sempre usada quando alguém posta alguma coisa que pode gerar muita polêmica. É como se o autor da postagem dissesse: “É isso mesmo! Quem não gostou, pode chorar”. Para quem recebe isso na timeline, percebe a imposição que está explicitada no simples uso da expressão.

Outra que figura nas mídias sociais é “Melhore!”. Ela carrega em si uma desaprovação em relação àquilo que foi postado. Em geral, se algum famoso dá alguma declaração considerada desastrosa, ele sempre recebe o carimbo de “Melhore!”. Um conselho bem acintoso. Desconhecidos também são vítimas do “Melhore!”. Ninguém escapa.

“Apenas pare!” segue a mesma linha de “Melhore!”, só é mais impositiva. Ou seja: não dá chance para a pessoa melhorar, já pede para ela parar com aquela postura que, para quem julga, é reprovável. “Seje menas!” (assim mesmo!) é da mesma natureza.

Há expressões que trazem uma intenção um pouco mais positiva, mas, ainda assim, soam desrespeitosas. É o caso de “Pisa menos!” e “Chupa!”. A primeira é usada quando alguém — famoso ou anônimo — faz algo que é considerado muito bom na visão de quem lê o que foi publicado; a segunda, mais voltada para os receptores da mensagem, é bastante agressiva e aparece quando quem posta quer enfiar a sua predileção goela abaixo. “Chupa!” é o novo “Aceita que dói menos!”, amplamente popularizada entre as pessoas que habitam no universo das redes sociais digitais. Será que “Chupa!” é uma releitura de “Chupa essa manga!”? Ou será da família de “Descasque este abacaxi!”? Ficam os questionamentos.

Não se pode negar que, linguisticamente, o uso dessas expressões trazem riqueza para o léxico do nosso idioma. O que se espera é que elas não continuem sendo usadas para desrespeitar e incitar a violência. É preciso ter respeito sempre. Em qualquer espaço. #Melhore!

Leia também:

Você é o que você compartilha: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/02/13/voce-e-o-que-voce-compartilha/.

O internetês e a Língua Portuguesa: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/01/14/o-internetes-e-a-lingua-portuguesa-2/.

Vc jaH imaginoW t D encaraH 1 textU TdO escritU assim?: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/20/vc-jah-imaginow-te-d-encarah-1-textu-tdo-escritu-assim/.

Suicídio, Adolescência e Redes Sociais: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/22/suicidio-adolescencia-e-redes-sociais/.

 

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Vá com ética no ENEM!

O ENEM acontece todo ano e não podemos esquecer que todas as disciplinas são muito importantes, sendo a Filosofia uma delas. Pascal, físico, matemático do sec. XVII dizia: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia”. Bem, o que podemos elaborar em torno da palavra vã?! Pode ser considerada como aquilo que não tem conteúdo; que é contrário à realidade[1]. Contudo, Heráclito, pré-socrático do sec. VI – V a.C., dizia que tudo é movimento, isto é, “tudo flui”, nada permanece o mesmo. As coisas estão numa incessante mobilidade.

Estas e outras questões estão associadas à Filosofia quando estudamos ética e moral. “A moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos de uma sociedade ou cultura, enquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e normativo”[2]. Por exemplo, na Grécia antiga, a escravidão era justificável: não éramos iguais e, assim sendo, a ausência da liberdade também! Na idade Média, a tortura era prática admitida. Todavia, desde o sec. XX que somos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, dentre outras questões morais, no art. 1º observamos: “devemos respeitar a dignidade da pessoa humana”; no art.3º parágrafo IV devemos “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. ” No art. 5º parágrafo XLII – “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. ”

Em linhas gerais: a moral está ligada aos valores necessários ao convívio entre os membros de uma sociedade e a ética está sempre questionando, construindo e refletindo.  A Filosofia é atual. Os autores e seus conteúdos podem e devem referendar a sua consciência questionadora, não esquecendo que: pensar é filosofar!

A Plataforma Anísio Teixeira (PAT) “antenada” com questões propulsoras, confirmam através de diversos temas, os seus conteúdos ou objetos educacionais seguindo “o aprimoramento do educando, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.[3]

O Programa Máquina de Democracia com o tema de Educação e Direitos Humanos estrutura-se com as bases legais que norteiam a Educação no pais.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1954

Dois Dedos de Prosa, Edição 8, é um programa com dois pesquisadores que conversam sobre Educação e Movimentos Sociais, a partir dos tópicos: panorama histórico no Brasil, o trabalho pedagógico e políticas públicas.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1593

O racismo que pode levar a pena de reclusão aos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser visto através do Filmei!  com a temática: Preconceito Social.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/3901

Além da ficção temos o documentário: Nó de Nós que relata através da arte manual, poética e histórica as atribulações que os negros, escravos, africanos foram acometidos ao saírem do seu pais de origem.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/5847

Referências

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL (1996) LDB – Lei 9.394/96. Estabelece Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 1O.639, de 09 de janeiro de 2003. Brasília, 2003.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, 2008.

 _______. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

______ . [Constituição (1988) ]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. — Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2017. Disponível em:

http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf

Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Junho, 2009.

Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade – MEC – Disponível em:

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015509.pdf

 ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Disponível em:

http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Dicionario-de-Filosofia-Nicola-ABBAGNANO.pdf

[1] Dicionário eletrônico da língua portuguesa Houaiss – 2009

[2] ABBAGNANO, 2007

[3] PCN – Ensino Médio – http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf

Fátima Coelho

Educadora da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado da Bahia