Duas faces de uma mesma prática

A leitura é muito mais

do que decifrar palavras.

Quem quiser parar pra ver

pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão,

se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,

se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa…”

O trecho acima, do poema Aula de Leitura, do escritor, ilustrador e pesquisador paulista Ricardo Azevedo, mostra como a leitura é uma prática que nos enche de possibilidades de ver o mundo. Através dela, a gente decifra tudo, até as coisas consideradas mais difíceis. Por mais clichê que pareça, para quem lê, a vida tem outra face e várias facetas. Quem lê, de fato, se torna possível e passível; porque leitura é sentimento.

Fig. 1: Família “Leitura e Escrita” (da esquerda para a direita): Rodrigo de La Rocha, Diego Santoro, Elaine Camacã, Alex Simões, Mariângela Nogueira (sentada), Larissa Kharkevitch, Anderson Shon, Nana de Carvalho e Armando Almeida. Foto/Edição: Peterson Azevedo.

A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.

A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

O projeto Memórias de Leitura foi produzido, como afirmou Mariângela, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), em outubro de 2016. O poeta Alex Simões, 43 anos; o tradutor, poeta e escritor Rodrigo de La Rocha, 28 anos; e o professor e escritor Anderson Shon, de 29 anos, foram algumas das pessoas que compartilharam as memórias. A convite do nosso blog, eles falaram como foi essa experiência e opinaram sobre a importância da iniciativa:

O Memórias de Leitura foi gravado por jovens integrantes da Cipó Comunicação Interativa e a produção teve apoio da DLL. Por curiosidade, você gostaria de saber quais são as memórias de leitura de quem idealizou a iniciativa? Nós também! Por isso, perguntamos à equipe que compõe a Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon: quais são as memórias de leitura de vocês? Neste vídeo, você confere os depoimentos:

IV Concurso de Escritores Escolares

Outra ação da DLL (FPC) que tem a leitura como mote é o Concurso de Escritores Escolares. Isso porque todo ato de escrita pressupõe o de leitura. Na sua 4ª edição, o concurso é voltado para estudantes regularmente matriculados no Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, das redes pública e particular da Bahia. Cada estudante só pode se inscrever em uma das categorias (redação ou poesia), com texto inédito, ficcional ou não. O tema das produções é livre. No vídeo a seguir, Armando Almeida, 60 anos, coordenador de Leitura da DLL, fala como se deu a adesão das escolas ao concurso, durante todo esse tempo, e sobre o estímulo à escrita:

O professor Anderson Shon, que participa há dois anos do concurso, estimulando os seus alunos, diz que faz a sensibilização focando na escrita criativa: “Eu sempre trabalhei redação longe de qualquer objetivo de passar no ENEM, de passar em vestibular. Eu sempre foquei em escrita criativa. Quando eu soube do concurso, lá na 2ª edição, para mim, era a ideia de validar os meus conhecimentos e os conhecimentos deles. Porque a gente escrevia, a gente gostava, mas a gente nunca tinha passado por uma avaliação. Na primeira vez que eu participei, tive sete alunos premiados. No ano passado, tive Beatriz Vieira em primeiro lugar. A gente já trabalhava a escrita de uma forma extremamente criativa. Minha ideia de trabalhar a escrita com eles é no conceito de que a escrita é viva. Nas nossas aulas, não existe nada que esteja extremamente errado. Para mim, estimular os alunos, é sempre desafiá-los, mostrar que eles são capazes, criativos e com condições de virarem escritores no futuro”, pontua.

As inscrições para participar do IV Concurso de Escritores Escolares poderão ser feitas até 14 de junho, na sede da FPC, que fica na Avenida Sete de Setembro, Edifício Brasilgás, 4º andar, sala 01, Centro, Salvador-BA, CEP.: 40060-001. Quem não mora na capital, pode fazer a inscrição pelo correio, com Aviso de Recebimento (AR). Dezoito candidatos serão contemplados, com prêmios como notebook, tablet, e-book e kits de 50, 40 ou 30 livros. Para saber mais informações sobre o concurso, acesse o site www.fpc.ba.gov.br. Sucesso! E não esqueça: a leitura te leva para qualquer lugar. Basta você querer!

Texto/Produção: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Edição/Finalização: Keops Maciel

Agradecimentos à equipe da Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon, e a todas as pessoas que participaram desta reportagem.

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Dinheiro: da moeda ao bitcoin

Olá, pessoal!

Escambo. A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. No início, não havia moeda. As transações comerciais eram realizadas através de simples troca de mercadoria por outra, sem equivalência de valor. A esta transação se dá o nome de escambo. “Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras. Aceitas por todos, assumiram a função de moeda, circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor”, segundo o site Banco Central do Brasil. Eram as moedas–mercadorias, como foi o caso do gado (do latim pecus) e do sal. Essa forma de comércio, porém, não permitia o acúmulo de riquezas.

As primeiras moedas. Com a descoberta do metal, este foi eleito como principal padrão de valor por apresentar vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza. A Bíblia cita transações comerciais cujas moedas eram o ouro, a prata e o bronze. No século VII a.C., surgem, então, as primeiras moedas com características das atuais: pequenas peças metálicas, com peso e valor definidos e com a impressão da marca de quem as emitiu e garante o seu valor. Hoje, as moedas trazem impressas algumas personalidades de seu país. Provavelmente, a primeira figura histórica a ter sua efígie registrada numa moeda foi Alexandre, o Grande, da Macedônia, por volta do ano 330 a.C. No século I, o imperador César também teve sua efígie registrada no denário, conforme relata Jesus em Mateus 22.19 – 21. Além disso, já existiram moedas ovais, quadradas, poligonais etc., e de materiais como madeira, couro e até porcelana.

No final do século 19, o cuproníquel e, posteriormente, outras ligas metálicas, passaram a ser muito empregados, vindo a moeda a circular pelo seu valor gravado em sua face, que independe do metal nela contido.

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Figura 1

A origem da cédula e do cheque. Na Idade Média, surgiu o costume de se guardar os valores com um ourives. Este, como garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel. Com o advento do papel-moeda, a cunhagem de moedas metálicas ficou restrita a valores inferiores, necessários para troco. No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810. Tinham seu valor preenchido à mão, tal como hoje, fazemos com os cheques. No Brasil, a primeira referência ao cheque apareceu em 1845, quando se fundou o Banco Comercial da Bahia; mas, mesmo assim, sob a denominação de cautela. Só em 1893, pela Lei 149-B, surgiu a primeira citação referente ao cheque, no seu art. 16, letra “a”, vindo o instituto a ser regulamentado pelo decreto 2.591, de 7 de agosto de 1912.

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Figura 2

Com o tempo, da mesma forma ocorrida com as moedas, os governos passaram a conduzir a emissão de cédulas, controlando as falsificações e garantindo o poder de pagamento. Atualmente, quase todos os países possuem seus bancos centrais, encarregados das emissões de cédulas e moedas. O conjunto de cédulas e moedas utilizadas por um país forma o seu sistema monetário. Este sistema, regulado por meio de legislação própria, é organizado a partir de um valor que lhe serve de base e que é sua unidade monetária (Real, Dólar, Euro, etc.). Atualmente, quase todos os países utilizam o sistema monetário de base centesimal, no qual a moeda divisionária da unidade representa um centésimo de seu valor (cêntimo, cents, centavos). Os países, por meio de seus bancos centrais, controlam e garantem as emissões de dinheiro.

Cartões de Crédito. O uso de moedas e cédulas está sendo substituído cada vez mais por pequenos cartões de plástico, que podem ser usados na compra de grande número de bens e serviços, inclusive em lojas virtuais, através da internet. Os cartões não são dinheiro real, simplesmente registram a intenção de pagamento do consumidor. Cedo ou tarde, a despesa terá de ser paga, em espécie ou em cheque. É, portanto, uma forma imediata de crédito.

O Cartão de Crédito surgiu nos Estados Unidos na década de 20. Em 1950, o Diners Club criou o primeiro cartão de crédito moderno, confeccionado em papel cartão e em 1955 passou a usar o plástico em sua fabricação. Em 1958, foi a vez do American Express lançar seu cartão. Na época, os bancos perceberam que estavam perdendo o controle do mercado para essas instituições e, no mesmo ano, o Bank of America introduziu o seu BankAmericard, que, em 1977, passa a denominar-se Visa; que hoje, juntamente com a bandeira MasterCard, lideram o setor, seguidas pela brasileira Elo. Os cartões facilitam a compra! Os cartões telefônicos também são um bom exemplo disso!

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Figura 3

O mais recente avanço tecnológico em termos de cartão foi o desenvolvimento do smart card, o cartão inteligente. Perfeito para a realização de pequenas compras, ele vem com um chip que pode ser carregado com uma determinada soma em dinheiro. À medida que o portador vai gastando, seu saldo vai sendo eletronicamente descontado. Quando o saldo acaba, o cartão pode ser carregado com uma nova quantia”, segundo o site Banco Central do Brasil. Um bom exemplo de smart card é o Salvador card para pagamento da passagem de ônibus e de metrô.

O Bitcoin. Recentemente, num ataque de hackers que afetou computadores de organizações de vários países, “sequestraram” o acesso aos dados e pediram uma recompensa para que o tivesse de volta. Para tanto, usaram um vírus de resgate que inutilizaram o sistema ou seus dados até que fosse paga uma quantia em dinheiro bitcoins! Foi aí, então, que o jovem britânico Marcus Hutchins, de 22 anos, entrou em cena. Ele gastou o equivalente a R$ 35,00 para comprar o endereço e conseguir analisar o comportamento do vírus. Mas, quando fez isso, sem querer, a propagação do programa foi interrompida, como se um “botão de segurança” tivesse sido ativado, levando à sua autodestruição. Mas, afinal, o que é bitcoin?

Segundo o site mandaê, bitcoin é uma moeda virtual criada em 2009 por um programador desconhecido, de pseudônimo Satoshi Nakamoto. Acredita-se que em algum momento um grupo de programadores ou o próprio Nakamoto teve a ideia de desenvolver um processo chamadomineração”. Nesse processo, os indivíduos ou empresas que doarem seus esforços para resolver enigmas matemáticos do sistema virtual têm como recompensa bitcoins recém-criados, que são liberados após uma decodificação. Como essas codificações a serem desvendadas são limitadas, novos bitcoins deixarão de ser produzidos e todas as transações serão feitas com os já existentes. Será quando o valor dessa moeda se estabilizará significativamente.

Além de mineração, a moeda virtual pode ser obtida em troca de dinheiro, produtos e serviços, além de ser possível ver a cotação do dia como qualquer outra. É possível enviar e receber bitcoin eletronicamente usando um software que serve como uma carteira virtual e pode ser implementado em um computador pessoal, dispositivo móvel ou um aplicativo web. As transações das carteiras são processadas, verificadas e registradas publicamente no meio virtual, mas apenas o seu ID é armazenado no registro público, não o seu nome real ou qualquer outro documento. O que garante, além de tudo, segurança nas transações.

Com o bitcoin, os empreendedores podem realizar seus maiores desejos: pagamentos recebidos instantaneamente, nenhuma taxa de transação, uma moeda universal e sem a intermediação de bancos ou qualquer outra entidade financeira, sendo você o único responsável sobre os valores das suas vendas. Conheça outras moedas virtuais aqui!

Com a informática, o dinheiro se transformou em impulsos eletrônicos invisíveis, livres do espaço, do tempo e do controle de governos e corporações”, afirmou  à Superinteressante, o antropólogo Jack Weatherford, da Faculdade Macalester, Estados Unidos, autor do livro A História do Dinheiro.

Visite o Museu Eugênio Teixeira Leal, o Museu do Dinheiro, especializado em moedas e condecorações e que tem um acervo composto por mais de 6000 peças. O Museu fica na Rua do Açouguinho, nº 1 – Pelourinho e funciona de terça a sexta feira das 9h às 18h; sábados das 13h ás 17h e domingos das 10h ás 14h. Visite a página no Facebook.

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Figura 4

Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Museu de valores do Banco Central. Disponível em <http://www.bcb.gov.br/htms/origevol.asp>. Acesso em 17/05/2017, às 14h51.

BITCOINS BRASIL. O que é bitcoins? Disponível em: <https://www.bitcoinbrasil.com.br/o-que-e-bitcoin/ >. Acesso em 17/05/2017, às 13h25.

BITCOIN FORUM. Disponível em: <https://bitcointalk.org/index.php?topic=1506059.0>. Acesso em 17/05/2017, às 13h44.

MANDAÊ. Moeda virtual: bitcoin como solução para as vendas. Disponível em: <https://www.mandae.com.br/blog/moeda-virtual-bitcoin-como-solucao-para-as-vendas/?utm_source=worldsense&utm_term=moeda+virtual&utm_campaign=mandae&utm_medium=referral&utm_content=creative%25252540desktop>. Acesso em 18/05/2017, às 14h.

METRIC CONVERSION. Disponível em: <http://www.metric-conversions.org/pt/moeda/bitcoin-em-real.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h05.

SECULTBA – SECRETARIA DE CULTURA. Disponível em: <http://www.cultura.ba.gov.br/2017/03/13378/Museu-Eugenio-Teixeira-Leal-apresenta-seu-acervo-especial.html>. Acesso em 25/05/2017, às 14h40.

SUPERINTERESSANTE. Como surgiu o dinheiro? Disponível em <http://super.abril.com.br/cultura/como-surgiu-o-dinheiro>. Acesso em 19/05/2017, às 14h04.

TECMUNDO. Além dos bitcoins: conheça outras moedas virtuais. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/bitcoin/46659-alem-dos-bitcoins-conheca-outras-moedas-virtuais.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 14h16.

UOL NOTÍCIAS. Disponível em: <https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/17/cocuproníquelnheca-o-heroi-que-conseguiu-parar-o-avanco-do-ataque-virtual-wannacry.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h17.

WIKIPÉDIA. Dinheiro. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dinheiro>. Acesso em 17/05/2017, às 14h16.

IMAGENS, acessada em 24/05/2017.

Figura 1: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:5_CENTAVOS_Brasil_1998.jpg

Figura 2: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deodoro_da_Fonseca_na_nota_de_20_mil_r%C3%A9is_de_1925.jpg

Figura 3: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=150326&picture=&jazyk=PT

Figura 4: https://www.google.com.br/maps/@-12.9723968,-38.5092847,3a,60y,181.61h,91.27t/data=!3m6!1e1!3m4!1sLRb9sI6D1l6nqCc9HWdpxA!2e0!7i13312!8i6656

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Profe Soul!

Caros, colegas! Esse texto é um convite para repensar ser professor. O Programa Intervalo é um conteúdo audiovisual que contém 12 episódios que oportuniza o professor revelar seu potencial em parceria com a comunidade escolar. Esse programa é inspirado no intervalo escolar, realizado por educadores e técnicos do audiovisual e protagonizado por educandos e artistas que colaboram com a TV Anísio Teixeira.

O maior propósito é disseminar e debater conteúdos pedagógicos interdisciplinares, que dão lugar a arte, a ludicidade, ao entretenimento e ampliar os diálogos entre os sujeitos (educador e educando). Como fica evidente nas experiências pedagógicas dos professores que serão aqui citados, sem todavia, desprestigiar as experiências dos demais.

A educadora Gilbene Esquivel, do Colégio Estadual Germano Machado Neto, localizado no bairro de Marechal Rondon, em Salvador, autora do projeto “Com a Corda Toda”, fez um percurso poético e foi buscar nos versos da literatura de cordel a linguagem que evidencia e valoriza fatores culturais e identitários. Pois, segundo a educadora, “a principal intenção do concurso era possibilitar uma modalidade da literatura popular que pode ser muito bem aproveitado dentro da sala de aula”. E relata ainda: “Isso é muito gratificante, ver o aluno crescendo numa literatura que não é tão comum, mas que é muito importante para nossa cultura e para nossa Bahia”.

 

Geisseane Silva, educanda que participou ativamente do projeto, aborda: “Eu era uma aluna rebelde. Eu brigava na escola e ,depois que eu fiz o cordel, eu melhorei 100%. Eu me dediquei mais aos estudos. Parei de brigar… Passei a respeitar os professores.”

Portanto, relato como esse evidencia o potencial que está por trás de projeto dessa natureza, que convida o sujeito a participar e interagir como parte essencial do processo. Assista ao vídeo e veja todo o relato.

 

Já a experiência do professor Ródnei Souza, autor do projeto “Química das Sensações”, promove um movimento positivamente válido quando a educanda Rafaela Ferreira relata: “Um professor que me inspira bastante e me fez optar pelo curso de licenciatura em Química, na medida que ele mostra sempre de maneira interdisciplinar, contextualizando, chamando os estudantes para discussão e debate; aguçando a nossa curiosidade, trazendo sempre coisas novas(…) Pra mim, o professor Ródnei é um diferencial.”

Na fala do educador, ele revela: “É uma construção, um conjunto de motivações. Desde a influência de outros educadores, que eu fui conhecendo durante minha graduação, o contato  fora da universidade. Isso faz o professor que a gente quer ser.”

 


Portanto, iniciativas assim promovem ações para explorar toda a capacidade lúdica e criativa como forma de ampliar o potencial do educando, garantindo, assim, o fortalecimento de ações que validem os papéis dos sujeitos envolvidos no processo de construção.

Mônica Mota 

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Por trás de uma grande mulher….

 Em 1948, morria sozinha e desconhecida em Zurique, Mileva Maric. Poucas histórias no mundo científico seriam tão dolorosas e injustas como a dela!  Uma mulher brilhante, com pensamentos e atitudes muito além do seu tempo!  Nascida num período em que as mulheres eram responsáveis pela criação dos seus filhos e pela manutenção da casa, Mileva, diferentemente das demais, tinha outros anseios. A sua vocação para os estudos, e seu interesse por temas relacionados à Física e à Matemática, levaram o seu pai a pleitear uma permissão especial para que ela estudasse numa Escola Secundária, que, na época, era apenas para homens. No Outono de 1896, ela ingressou no renomado Instituto Federal Suíço de Tecnologia -ETH, em Zurique, onde iniciou os seus estudos de Física. Era a única mulher numa turma de seis alunos, e a quinta mulher a fazer parte daquela instituição.  Nesse mesmo ano, ingressava na mesma classe de Mileva, o jovem Albert Einstein, por quem mais tarde ela se apaixonaria e se casaria.

Einstein, Albert (1879-1955), Einstein-Maric, Mileva (1875-1948)

Disponível em wikimedia, acessado em 16/05/2017

Sabe aquele ditado que diz que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher? Pois é! Acho que, no caso de Maric, a história dessa grande mulher, por uma ironia ou não do destino, foi ofuscada e escondida por trás de Albert Einstein.

No início, tudo não passava de uma relação de estudos compartilhados, experiências, ideias e inspiração mútua. Mileva se destacava nos estudos e isso fascinava o jovem Einstein, que logo se sentiu atraído pela jovem e passou a cortejá-la. Mesmo se sentindo atraída por ele, Maric renunciou por várias vezes o envolvimento, afinal, ela estava ciente dos desafios que enfrentaria como mulher num mundo estritamente masculino e preconceituoso.  Finalmente, depois de muitas investidas, em 1898, Mileva e Einstein se tornaram um casal e, nesse mesmo ano, os dois colaram grau. Einstein graduou-se, em Física, em 1900, enquanto Maric tentou duas vezes obter um diploma, mas seus esforços foram interrompidos quando ela ficou grávida em 1901. A filha, mantida em segredo pelas famílias, provavelmente foi dada em adoção ou faleceu depois do nascimento, só sabemos dela, graças às cartas deixadas por Einstein. Deprimida e envergonhada com a gravidez, Mileva retorna à casa dos seus pais e abandona definitivamente os planos de se graduar na ETH. Em janeiro de 1903, depois de vários conflitos, Einstein e Mileva, finalmente, se casaram.

Em 1905, Einstein publicou a primeira versão da Teoria da Relatividade, na qual o nome de Mileva aparece como coautora. No entanto, não sabemos o porquê, essa referência desaparece nas versões posteriores. Ao que tudo indica, Mileva teve papel decisivo na elaboração da Teoria da Relatividade, e isso está mais evidente num conjunto de 54 cartas de amor trocadas entre eles, encontradas em 1986, em que Einstein fala por várias vezes “a nossa teoria”, “nosso trabalho” e “nossa investigação” . Em uma das cartas, ele escreveu: “Quão feliz e orgulhoso serei quando nós dois juntos tivermos levado nosso trabalho sobre o movimento relativo a uma conclusão vitoriosa!”

Mas, quando Albert subiu para a estratosfera científica, Mileva foi relegada aos deveres domésticos e a criação dos filhos. Cada vez mais solitária e isolada, ela se tornou presa de suas próprias inseguranças, que a mergulharam numa depressão. Foi um destino trágico para uma mulher que não era apenas um gênio em seu próprio direito, mas que também pode ter contribuído para a Teoria da Relatividade.

 Separaram-se em 1914 e divorciaram-se dois anos mais tarde. Como parte do acordo, Einstein prometeu a Mileva os valores provenientes do Prêmio Nobel, dinheiro que ela recebeu em 1922. Ele nunca mais voltaria a produzir física ao mesmo nível da obra de 1905.

Referências:

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Mileva Maric´. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Mileva_Mari%C4%87>. Acesso em: 16 de maio de 2017.

 DORIAN COPE. THE DEATH OF MILEVA MARIC. Disponível em: <http://www.onthisdeity.com/4th-august-1948-the-death-of-mileva-maric/>. Acesso em 06 de maio de 2017.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS/ INSTITUTO DE FÍSICA. Albert Einstein & Mileva Maric.  Disponível em:<http://www.if.ufrgs.br/einstein/mileva.html>. Acesso em 06 de maio de 2017.

Dieta vegetariana e dieta onívora: diversidade de hábitos alimentares

Comer é uma necessidade básica de todo ser humano. Para realizar as atividades diárias, é imprescindível ter energia, que é adquirida através dos nutrientes dos alimentos. Por diversas razões, inclusive socioculturais, as pessoas se alimentam de formas diferentes. O propósito da discussão levantada aqui não é colocar na mesa a problemática social do nosso país, com toda a sua injustiça e má distribuição de renda. O prato do dia são as diferentes dietas que fazem parte dos hábitos alimentares dos seres humanos. Você já pensou sobre isso?

Fig. 1: hábitos alimentares na mesa. Arte gráfica: Augusto Mattos.

Para começar, é preciso diferenciar o que é dieta vegetariana e dieta onívora. O vegetarianismo, que é uma prática que exclui da alimentação qualquer derivado de origem animal, tem muitas variações. Há pessoas que são vegetarianas, mas consomem ovos, leite e laticínios (ovolactovegetarianos), ovos (ovovegetarianos) e leite e latícinios (lactovegetarianos). Os veganos ou vegetarianos estritos rechaçam tudo que evidencia a exploração de animais. Eles não usam roupas de lã nem de couro e produtos que foram testados em animais, por exemplo. Por isso, o veganismo é tratado como um estilo de vida.

Já a dieta onívora, que é mais comum, é praticada por animais que se alimentam de vegetais e animais. Portanto, é incorreto dizer que o ser humano é carnívoro. Somos onívoros. Carnívoros são animais que só se alimentam de carnes.

Diante de tudo que foi exposto, algumas perguntas precisam ser feitas: existe uma dieta mais saudável que a outra? Entre os especialistas, não há consenso sobre isso. Qual é a sua opinião sobre a dieta onívora e a vegetariana? Você segue qual dieta? Conta pra gente! O mais importante é ter práticas alimentares saudáveis, que garantam uma nutrição equilibrada.

Para complementar os seus conhecimentos, assista ao episódio sobre diversidade de hábitos alimentares, da série temática Diversidades, que integra o programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Mulheres negras no cotidiano da cidade de salvador no século XIX

 

Olá, pessoal do PW!

Vocês já pararam para pensar sobre as experiências sociais das mulheres no passado? Esse texto convida a refletir a esse respeito, incorporando ao nosso repertório de conhecimentos histórias sobre mulheres negras no cotidiano da Bahia do século XIX.

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Mulher negra na Bahia. 1885. Por: Marc Ferrez

A família e a sociedade no Brasil são temas comumente pensados a partir dos pressupostos teóricos de Gilberto Freyre, na obra Casa Grande & Senzala (1933). Em seus escritos, as mulheres negras comparecem na condição de escravas a serviço da lavoura e da casa grande. É importante que professores e estudantes não se acostumem a pensar em um Brasil constituído assim, sob essa hierarquia estática e imutável. A realidade social é bem mais fluida e dinâmica e a historiografia tem sido acrescida de pesquisas que descrevem trajetórias de mulheres negras que tiveram um papel social mais amplo do que apenas escravas. É importante que professores e estudantes pesquisem e conheçam outras faces do cotidiano feminino no período oitocentista, para não incorrer no equívoco de pensar que apenas homens brancos fizeram história.

Como exemplo desse acréscimo de pesquisas, temos as discussões da  antropóloga Cecília Moreira Soares (1994) sobre como as mulheres negras tiveram um papel destacado no mercado de trabalho urbano, tanto como escravas de ganho quanto como mulheres livres e libertas, sublinhando que no espaço da rua elas tinham possibilidade de ter uma posição mais autônoma. Elas circulavam na cidade com seus tabuleiros, gamelas e cestas, ocupando ruas, praças e mercados. É preciso conhecer essas novas pesquisas que dão visibilidade às experiências sociais das mulheres negras. Jane de Jesus Soares (2009) pesquisou arranjos familiares na cidade de Salvador, reconstituindo a geografia da freguesia da Sé no século XIX e constatou que mulheres negras assumiam a posição de chefes de família na Salvador oitocentista. Adriana Dantas Reis Alves traz como objeto de sua tese a escrava jeje Luzia Gomes de Azevedo, que teve seis filhos com o senhor de Engenho Manoel de Oliveira Barroso, morador da freguesia de Paripe. O que chama a atenção na trajetória de vida dessa escrava é o fato de que os seis filhos foram legitimados pelo capitão e reconhecidos como seus herdeiros.

Esse é uma pequeno ensaio que tem por fim trazer um recorte da área de pesquisa sobre mulheres negras na Bahia, mostrando como esse tema é profícuo e importante para toda a comunidade escolar.

Valdineia Oliveira

Prof. de História da Rede pública Estadual da Bahia

FONTES:

ALVES, Adriana Dantas Reis. As Mulheres Negras por Cima O Caso de Luzia Jeje: escravidão, Família e Mobilidade Social – Bahia, 1780 -1830. (Tese de doutorado) UFF, 2010.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Editora Record, Rio de Janeiro, 1998,  34ª edição.

SOARES, Cecília Moreira. Mulher Negra na Bahia do Século XIX. (dissertação de mestrado) UFBA, Salvador 1994.

SOARES, Jane de Jesus. Mulheres Chefes de Família, Maternidade e Cor na Bahia do Século XIX. Feira de Santana, UEFS, 2009.