A “Pronta Entrega” dos Negros Escravizados na Revolta dos Búzios

A Revolta dos Búzios, também conhecida como Conjuração Baiana, foi um movimento popular, motivado pelo descontentamento da população mestiça e pobre de Salvador, com  as desigualdades sociais e as dificuldades quase intransponíveis de ascensão na carreira militar, a qual a quase totalidades dos homens presos e condenados pertenciam. Entretanto, para além do protagonismo desses setores de base da sociedade, uma elite política e econômica, apelidada de “Corporação dos Enteados”, também tomou parte neste movimento. Os objetivos de um e outro grupo, entretanto, divergiam, resultando no rompimento desta “aliança” no  momento da deflagração da revolta, em 12 de agosto de 1978.

Durante as investigações para se descobrir quais as pessoas envolvidas na conjuração Baiana, 11 negros escravizados foram entregues à justiça pelos seus proprietários para depor. Os ditos escravos pertenciam a uma elite política e econômica de Salvador. Esse episódio histórico, denominado, na época, de “pronta entrega de escravos” pelas autoridades responsáveis por investigar o caso, levantou as suspeitas da historiadora Patrícia Valim, professora da Universidade Federal da Bahia, de que homens poderosos estivessem diretamente envolvidos na organização do movimento conspiratório. E, para se livrarem das penas impostas pela Coroa, para o crime de lesa-majestade, resolveram “entregar” seus escravos às autoridades para que estes reforçassem as denúncias contra os homens negros e mulatos pobres.

Segundo a historiadora, o secretário de estado do Brasil teria passado na casa dos ditos “homens poderosos” para conduzir seus escravos ao tribunal da relação, onde deporiam. Os escravos, por sua vez, denunciaram os seus donos. Dentre esses homens de poder citados como cúmplices da sedição, estavam o secretário de estado do governo do Brasil, Caetano Mauricio Machado, José Pinto de Carvalho Albuquerque e Francisco Vicente Viana, futuro presidente da província após a independência da Bahia. Diante do conhecimento dos nomes dos poderosos envolvidos no processo conspiratório, a coroa portuguesa nada fez.

No fim, os únicos condenados ao enforcamento e esquartejamento em praça pública foram aqueles que lutaram pelo fim dos privilégios sociais que tanto maltratavam o povo pobre de Salvador. Para saber mais sobre esse importante evento da História da Bahia, bem como sobre os verdadeiros heróis deste movimento, vale a pena conferir o episódio sobre Conjuração Baiana, do programa Intervalo, uma produção da Rede Anísio Teixeira.

Telma Santos

Professora e produtora de conteúdos pedagógicos da Rede Anísio Teixiera

Fontes:

Fala, Doutor – Patrícia Valim: Corporação dos enteados – PGM 64

 

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