É Possível ser Escola sem Tomar Partido?

Fig.1 Estudantes do Colégio Estadual Josias de Almeida Melo. Foto: SEC/BA 

 No mês de março de 2015, foi apresentado ao Congresso Nacional o projeto de lei nº 867/2015, que inclui, entre as diretrizes e bases da educação nacional, o “Programa Escola sem Partido” [1]. Esse é um assunto muito sério, já que a proposta incide diretamente sobre o sistema educacional brasileiro, modificando sua estrutura. As raízes para a formulação dessa proposta vêm de 2015, ano em que o país ficou marcado por uma polarização, caótica, entre esquerda e direita. Em meio aos confrontos políticos a educação foi arrastada para o campo de batalha, com os partidos de direita acusando a esquerda de se beneficiar da doutrinação ideológica feita nas escolas pelos professores.

Há que se atentar para a historicidade da sociedade brasileira que, em sua maioria, sequer sabe diferenciar direita e esquerda.  Segundo Jairo Nicolau, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante as eleições presidenciais de 2010, 11% dos brasileiros se autodenominavam de esquerda e 17% de direita (outros 29% se consideravam de centro e 43% não sabiam). Vamos combinar que a Educação merecia debates bem mais consistentes em torno de sua qualidade. O movimento Escola sem Partido argumenta contra a militância dos professores, e o seu posicionamento político partidário em sala de aula.

Diante disso, é preciso questionar, junto com o professor Leandro Karnal “se é possível apresentar um fato histórico sem dizer do conteúdo político presente no processo?”. E ir além, questionando se é possível a um professor ser neutro em educação, ensinando que as coisas são como são e pronto? A neutralidade não é um campo vazio de significado, o professor apolítico também está se posicionando, se omitindo, e esvaziando no aluno a criticidade, e cidadania. Afinal, é importante, sim, pensar uma escola sem partido, quer de direta ou de esquerda, mas não há possibilidade de ensinar sem explicar o modo como as opções políticas conformaram  os fatos históricos. O bom professor oferece os diferentes pontos de vista. Concluindo, cito reflexão proposta pelo ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro: “O professor não pode fazer doutrinação em sala de aula, acho que isso é básico. O que ele tem de ensinar é que na ciência, no conhecimento, você tem posições conflitantes, que não há um acordo entre todos diante de determinados assuntos”.

Valdineia Oliveira

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

 

FONTES

KARNAL, Leandro. Escola sem Partido. Disponível em: https://youtu.be/mA4ZWzF0m0s

NICOLAU, Jairo. Os Ricos são de Direita? http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1061/noticias/os-ricos-sao-de-direita

RIBEIRO, Rento Janine. Escola Sem Partido preocupa por questionar a transmissão dos saberes, afirma Janine. http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/escola-sem-partido-preocupa-por-questionar-a-transmissao-dos-saberes-afirma-janine/

[1]                     Escola sem Partido. http://www.escolasempartido.org/

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