Eu assino embaixo. E você?

O Projeto ASSINO EMBAIXO é um belo exemplo a compartilhar. Idealizou-se a partir da percepção de que algumas pessoas cegas, adultas, alfabetizadas, em  diferentes níveis de escolaridade, assinavam através  da impressão digital. A amostragem foi constatada através dos referenciais do Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas com  Deficiência Visual de  Belo Horizonte – CAP/BH. Constatou-se que pessoas que não assinam são tratadas como se fossem analfabetas e passam por constrangimento em algumas situações como: abrir uma conta, um crediário ou quando  não conseguem dar um autógrafo, assinar uma lista de presença, comprovante de matrícula ou diploma, firmar um contrato, entre outras atividades do cotidiano. Conforme *Izilda Maria de Campos, o projeto surgiu  “para ajudar um colega de trabalho cego congênito a assinar a folha de presença do servidor” (ele usava a impressão digital no registro de presença).

Desta forma, foi criada uma disciplina e horário para este fim. Consultas foram realizadas ao Instituto de Identificação e ao Ministério da Educação sobre normas de validação de assinatura e rubrica, visando formalizar os requisitos para fins de registro e reconhecimento de documentação em geral. Organizou-se, então, uma forma de padronização de assinatura – um retângulo desenhado num papelão (Fig.01), para facilitar o movimento das mãos, estabelecendo limites e espaço. Segundo Izilda Maria de Campos, “o ensino da assinatura baseia-se em uma metodologia aberta, flexível e individualizada; por meio da qual se aprende a escrever o nome por extenso, a rubricar e a usar um marcador ou guia confeccionado para este fim. Consiste em uma interação dialógica, centrada nos conhecimentos prévios, interesses, motivações e experiências individuais na qual se valorizam a percepção tátil e a expressão corporal”.

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Fig.01 Retângulo no papelão usado para treino das assinaturas cursivas.

De acordo com as características pessoais, as atividades são definidas e modificadas para cada assinatura, conforme cada aprendente. Observe como funcionaram estas atividades exploratórias, visitando  a página 44, da Cartilha Atendimento Educacional Especializado. Assim, a descoberta da nova forma de assinar seu nome culminou no referido projeto, as assinaturas antes através de impressão digital, passam a ser assinadas de forma cursiva pelos aprendentes. Esta rica experiência foi demonstrada  através de alguns relatos:

“Auxiliar de biblioteca, solista de uma banda de música, 34 anos, divorciada, tem dois filhos, ensino médio. Relatou que há muito tempo despertou nela o desejo de aprender a assinar e, às vezes, ficava triste por ter uma formação, saber ler, escrever e, no entanto, constar na identidade um não assina.

“Auxiliar de secretaria, 23 anos, casada, mãe de dois filhos, ensino médio. Considera que aprender assinar é importante porque hoje em dia serve para tudo… Tendo um documento assinado posso ter conta corrente, cartão de crédito, fazer compras pelo crediário, assinar o ponto, enfim exercer a cidadania”.

Desta forma, o Projeto ASSINO EMBAIXO, valida  seu propósito e objetivo que vai além do simples ato de assinar. Ele exerce função social, pois resgata a autonomia, emancipação, fortalecendo a autoestima, afirmando e legitimando a cidadania.

Fica a Dica!

Profª da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Josenir Hayne Gomes.

 

Fontes:

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_dv.pdf

http://www.bancodeescola.com/assino.htm

________________________________________________________________________________________________

* izilda@pbh.gov.br

izildamc@yahoo.com.br

Professora especializada na área de deficiência visual, trabalha no Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas com Deficiência Visual de Belo Horizonte – CAP/BH.

Pedagoga, pós-graduada em Alfabetização: Interdisciplinaridade e construção.

O Que Quer E O Que Pode Uma Escola

Educadores baianos que participaram nos últimos dias 26 e 27 de julho do Seminário Estadual da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) analisando a 2ª versão da Base Comum certamente levarão para seus respectivos lugares de atuação os ecos da fala de um estudante em uma das plenárias: “A escola está velha”.

Fig. 1: captura de tela do site da BNCC.
Fig. 1: captura de tela do site da BNCC

A Base Nacional Comum Curricular pretende nortear a construção dos currículos brasileiros, norte a sul do país, observando as particularidades regionais e locais e assegurando aprendizagem e desenvolvimento como direitos de todos os estudantes. Enquanto as contribuições elaboradas neste seminário por gestores, professores e estudantes se organizam, até que elas ganhem um novo formato, numa versão definitiva, nosso blog compartilha o texto abaixo, trazendo para este espaço uma reflexão sobre “O que quer e o que pode uma Escola”.

Uma Escola pode muito. Uma Escola pode formar cidadãos, pessoas capazes de organizar-se para defender seus interesses e solucionar problemas respeitando as regras e normas estabelecidas socialmente.

Pode formar pessoas solidárias, capazes de demonstrar sensibilidade em relação aos semelhantes ou aquelas que vivem num mundo particular, sem reconhecer a interdependência entre os seres.

A Escola pode desenvolver em seus alunos princípios éticos, capacidade de diálogo e justiça, fundamentais para uma vida social digna.

Pode formar pessoas curiosas, aquelas que têm prazer em aprender e o mantêm por toda a vida. E pode fazer isso discutindo conteúdos de relevância social – além de conteúdos próprios da Língua, Matemática, Ciências, História e Geografia – para que os alunos façam correlação entre o que aprendem e o que vivem fora da Escola.

Pode fazer leitores e escritores competentes, capazes de falar bem a sua língua, receber e expressar idéias e deleitar-se com as leituras. Pode, ao invés disso, formar analfabetos funcionais: aqueles que apenas decifram o que os olhos vêem.

E o que pode uma Escola relaciona-se com o quer esta Escola . Uma Escola que deseja formar cidadãos solidários, curiosos, reflexivos, leitores e escritores deve ter uma prática consonante com as atuais pesquisas no campo da Educação, sobretudo aquelas que apontam para a capacidade dos sujeitos construírem conhecimento.

Deve oferecer um ambiente seguro e estimulante que favoreça acesso a cultura e atividades que promovam a circulação de conhecimentos: divulgação do que se produz no espaço escolar e incorporação de novas ideias.

Deve ainda investir em formação continuada, atenta à sua equipe de educadores como modelos para seus educandos. E a finalidade última da formação é cultivar nessa equipe as qualidades de ordem ética, intelectual e afetiva que deseja desenvolver em seus estudantes.

Lília Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Mais qualidade na Educação Inclusiva: uma meta para os próximos anos

Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de Educação Continuada e Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), tem a intenção de ampliar a qualidade da educação inclusiva e especial nos próximos anos. A meta faz parte do Plano Nacional de Educação (PNE) e tem até 2024 para ser cumprida. Nesse sentido, a recente Lei 13.146/2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência, deve ser uma aliada nesse processo.

Ela é “destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”. Sendo assim, o documento surge para exigir algo que já deveria ser uma prática social: o respeito e a equidade para as pessoas com deficiência.

Fig. 1: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves
Fig. 1: Educação Inclusiva: um dever de toda a sociedade. Imagem: Josymar Alves

No capítulo IV da referida legislação, os educadores encontram as possibilidades para implementar, efetivamente, a qualidade prevista no PNE. O que não significa que vão fazê-lo apenas para cumprir uma meta, mas no intuito de, a cada dia, tornar natural e verdadeira a tão sonhada e necessária inclusão.

Para isso, alguns tópicos fundamentais devem ser considerados, como o aprimoramento dos sistemas educacionais e a exigência da presença da temática no projeto pedagógico de cada instituição; a oferta de educação bilíngue (“…em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas”) e o uso de recursos de tecnologia assistiva (“oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação”).

Fig. 2: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves
Fig. 2: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves

Contudo, cabe ao inciso XIV uma das mais importantes recomendações do Estatuto e que vai auxiliar na busca de mais qualidade na educação inclusiva: “XIV – inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de conhecimento”. Por que é importante? Porque, dessa forma, a lei traz um elemento central para o debate: os cursos de formação de professores. Esses profissionais precisam de uma formação de qualidade para saber lidar e compreender o universo das pessoas com deficiência. A qualidade da educação não pode prescindir disso, afinal trata-se de um direito de todos.

Para complementar os seus conhecimentos, assista ao episódio abaixo, do quadro Diversidades, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web (AEW) , em dezembro de 2014.

 

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Rede AT Visita Rádio Web CEGRS

 

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Equipe da Rede AT na Rádio Web Juventude, no Colégio Est. Gov, Roberto Santos

A equipe de professores, da Rede AT, envolvida com o programa de rádio Nas Ondas da Rede, visitou as instalações da Rádio Web Juventude, no Colégio Estadual Governador Roberto Santos, bairro do Cabula.

A Rádio, inaugurada em outubro de 2015, é resultado do sonho da professora Josefa Lima e rendeu sua tese de Doutorado. Contando com a participação de 30 estudantes do Ensino Médio, ela conseguiu fazer com que esse projeto acontecesse, numa pequena sala, na área externa do colégio, mas com uma estrutura que agrega funcionalidade e bom gosto.

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Professora Josefa Lima, criadora da Rádio Web Juventude

Segundo Josefa, sua motivação para montar essa rádio estudantil diz respeito à quebra do paradigma de que a aula só acontece dentro da sala. Para ela, o formato tradicional pode ser transformado, colocando o estudante como protagonista. A professora, que trabalhou por mais de 20 anos numa rádio comercial, entende que a comunicação perpassa por todas as áreas do conhecimento, por isso o rádio torna-se mais uma tecnologia educacional a serviço do processo ensino aprendizagem. “Tudo é possível fazer num programa de rádio”, disse Josefa.

24 horas no ar, exceto nos finais de semana, a Rádio Web Juventude apresenta uma programação toda organizada pelos estudantes, desde as músicas até a concepção e produção dos conteúdos. Essa grade, na verdade, é composta por programas educativos pensados no curso de Mestrado da professora Josefa. Os estudantes ficam responsáveis pela escolha dos temas e seleção das fontes (professores e especialistas).

No momento da visita à rádio do Colégio Estadual Governador Roberto Santos, os educadores da Rede AT foram entrevistados, com transmissão ao vivo via web e pelas caixas de som espalhadas pelo colégio. Excelente trabalho da professora Josefa e dos estudantes da Rádio Web Juventude. Esse encontro foi apenas o início de uma promissora parceria.

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

É Possível ser Escola sem Tomar Partido?

Fig.1 Estudantes do Colégio Estadual Josias de Almeida Melo. Foto: SEC/BA 

 No mês de março de 2015, foi apresentado ao Congresso Nacional o projeto de lei nº 867/2015, que inclui, entre as diretrizes e bases da educação nacional, o “Programa Escola sem Partido” [1]. Esse é um assunto muito sério, já que a proposta incide diretamente sobre o sistema educacional brasileiro, modificando sua estrutura. As raízes para a formulação dessa proposta vêm de 2015, ano em que o país ficou marcado por uma polarização, caótica, entre esquerda e direita. Em meio aos confrontos políticos a educação foi arrastada para o campo de batalha, com os partidos de direita acusando a esquerda de se beneficiar da doutrinação ideológica feita nas escolas pelos professores.

Há que se atentar para a historicidade da sociedade brasileira que, em sua maioria, sequer sabe diferenciar direita e esquerda.  Segundo Jairo Nicolau, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante as eleições presidenciais de 2010, 11% dos brasileiros se autodenominavam de esquerda e 17% de direita (outros 29% se consideravam de centro e 43% não sabiam). Vamos combinar que a Educação merecia debates bem mais consistentes em torno de sua qualidade. O movimento Escola sem Partido argumenta contra a militância dos professores, e o seu posicionamento político partidário em sala de aula.

Diante disso, é preciso questionar, junto com o professor Leandro Karnal “se é possível apresentar um fato histórico sem dizer do conteúdo político presente no processo?”. E ir além, questionando se é possível a um professor ser neutro em educação, ensinando que as coisas são como são e pronto? A neutralidade não é um campo vazio de significado, o professor apolítico também está se posicionando, se omitindo, e esvaziando no aluno a criticidade, e cidadania. Afinal, é importante, sim, pensar uma escola sem partido, quer de direta ou de esquerda, mas não há possibilidade de ensinar sem explicar o modo como as opções políticas conformaram  os fatos históricos. O bom professor oferece os diferentes pontos de vista. Concluindo, cito reflexão proposta pelo ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro: “O professor não pode fazer doutrinação em sala de aula, acho que isso é básico. O que ele tem de ensinar é que na ciência, no conhecimento, você tem posições conflitantes, que não há um acordo entre todos diante de determinados assuntos”.

Valdineia Oliveira

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

FONTES

KARNAL, Leandro. Escola sem Partido. Disponível em: https://youtu.be/mA4ZWzF0m0s

NICOLAU, Jairo. Os Ricos são de Direita? http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1061/noticias/os-ricos-sao-de-direita

RIBEIRO, Rento Janine. Escola Sem Partido preocupa por questionar a transmissão dos saberes, afirma Janine. http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/escola-sem-partido-preocupa-por-questionar-a-transmissao-dos-saberes-afirma-janine/

[1]                     Escola sem Partido. http://www.escolasempartido.org/

Rede Anísio Teixeira Publica Trabalho Sobre Mídias Educacionais de Temas Transversais do Ambiente Educacional WEB na SBPC 2016

A 68 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC com a temática Sustentabilidade, Tecnologias e Integração Social”  aconteceu entre os dias 04 a 08 de Julho na Universidade Federal do Sul da Bahia em Porto Seguro e a Rede Anísio Teixeira teve trabalho aprovado pela Associação Brasileira de Educação a Distância- ABED com a temática Utilização dos Recursos Educacionais do Ambiente Educacional WEB com ênfase na Aprendizagem Significativa para promoção da Educação Ambiental e Saúde apresentado pela Colaboradora e Pesquisadora Ana Cristina Rangel, da Área de Ciências da Natureza.

Estão catalogadas e disponíveis 343 e 197 Mídias Educacionais,licença livre relacionadas a Educação Ambiental e Saúde, respectivamente. Para avaliador, o objetivo do trabalho foi alcançado ao divulgar a proposta pedagógica de produção e compartilhamento de objetos de aprendizagem do Ambiente Educacional WEB através da divulgação e esclarecimentos dos tipos de mídias educacionais disponíveis. A partir de publicações que apresentem o AEW num evento como a SBPC para o conhecimento e acesso dos professores e estudantes do Brasil.

foto01Foto: ASCOM IAT.

Em articulação com as formadoras Tanara Freitas e Rosângela Barreto do Programa Ciência na Escola- PCE e Rede Anísio Teixeira renderam mais 02 publicações envolvendo pesquisa sobre Formação de Professores para Educação Científica , Utilização de Sequências Didáticas como recurso Pedagógico e Projetos de Pesquisa em Feira de Ciências na Rede Pública do Estado da Bahia.

foto02Fonte: ASCOM IAT

Os trabalhos foram apresentados, pelas Formadoras: Ana Cristina Rangel da Rede Anísio Teixeira e Tanara Freitas do Programa Ciência na Escola. Os projetos foram:

Sequências Didáticas como recurso pedagógico de Investigação na Formação Continuada de professores do Portal do Sertão.

E outro trabalho foi: Formação Continuada em Educação Científica para Educação Básica : Um relato de Experiência sobre a realização de Feiras de Ciências como estratégia de ensino para Alfabetização Científica.

Ambos os referidos trabalhos foram aprovados pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências – ABRAPEC.

A Presidente da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, Roseli de Deus Lopes, marcou presença durante todo o período de exposição dos trabalhos. Enfatizou a importância de iniciativas como esta para consolidação da alfabetização científica no Estado da Bahia.

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Fonte: ASCOM IAT

UFBA Comemora os Seus 70 anos!

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Fig. 1 Malu Dias.

A UFBA comemora, nesta semana, 70 anos de história. A data merece muita atenção, tendo em vista o papel central que essa instituição teve e tem na construção do desenvolvimento do estado da Bahia. A criação da Universidade remonta a 1808, quando o Príncipe Regente Dom João VI institui a Escola de Cirurgia da Bahia, primeiro curso universitário do Brasil. Segundo dados do Histórico da UFBA , também é possível, a partir dessa fonte de dados, entender o percurso formativo no qual, ao longo do século XIX, os cursos de Farmácia (1832), Odontologia (1864), a Academia de Belas Artes (1877), Direito (1891) e Politécnica (1896) foram integrados à UFBA. Esses são marcos importantes para destacar a antiguidade e as raízes históricas dessa instituição, que nasceu assim: atrelada à necessidade de formar uma elite intelectual durante o Império.

Na década de 60, a UFBA protagonizou dois dos movimentos sociais mais importantes da contemporaneidade: o Cinema Novo e o Tropicalismo. Hoje, a universidade está sintonizada com as políticas públicas de ações afirmativas e expansão de seus serviços, atendendo ao processo de dinamização do país, que requer a inclusão de grupos sociais diversos. Os números em torno das ações de pesquisa, ensino e extensão são expressivos. Até o ano de 2015, foram 105 mil alunos graduados, segundo dados da UFBA em números. Hoje é considerada melhor universidade do Nordeste, segundo o ranking mundial elaborado pelo Center for World University Rankings .

Na atualidade, a universidade tem passado por crises que culminam em greves e mobilizações frequentes. O professor Nelson Pretto, em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, sublinha que “a universidade vem sofrendo grandes ataques representados pelos cortes de verbas, pelos ajustes fiscais, pela precarização do trabalho docente e dos trabalhadores terceirizados”.

O destaque para a comemoração dos 70 anos da UFBA fica por conta do congresso  que acontecerá  entre os dias 14 e 17 de julho. A programação pode ser conferida nesse site: http://www.congresso.ufba.br. São múltiplas mesas e palestras discutindo o legado dessa instituição e também o seu papel na contemporaneidade. É importante que possamos estar presentes nesse momento em que a UFBA propõe uma reflexão sobre si e sobre suas ações. Então, vamos lá, confira a programação e Participe!

Valdineia Oliveira dos Santos
Professora da Rede pública de Ensino da Bahia

FONTE

Congresso UFBA. Disponível em: http://www.congresso.ufba.br
PRETTO, Nelson. Em meio à crise, UFBA tenta chegar aos 70 anos. Jornal Tribuna da Bahia. Salvador. 2015. Disponível em: http://www.tribunadabahia.com.br/2015/08/15/em-meio-crise-ufba-tenta-chegar-aos-70-anos.
Portal UFBA – Disponível em: https://www.ufba.br/historico.
UFBA em números – Disponível em: https://www.ufba.br/noticias/programa%C3%A7%C3%A3o-do-congresso-da-ufba-j%C3%A1-est%C3%A1-dispon%C3%ADvel

Maria Quitéria: O Feminino nas Forças Armadas

Os ânimos em Salvador estavam exaltados no ano de 1821. O governo das armas, até então ocupado pelo brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimarães, por ordem da Coroa Portuguesa, passou a ser exercido pelo brigadeiro português Inácio Luís Madeira de Melo. Os oficiais brasileiros do 1º regimento se recusavam a aceitar a nomeação do dito brigadeiro. O conflito estava instaurado e muitos baianos não reconheciam o novo comandante português. O sentimento de Independência da Bahia do jugo português crescia nos corações dos baianos. Diante da ocupação portuguesa em Salvador, militares e civis brasileiros organizaram no Recôncavo a resistência contra as tropas portuguesas.

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Fonte: Domenico Failutti – Maria Quitéria

 

Foi nesse contexto que um emissário do governo visitou a fazenda Rio de Peixe do senhor Gonçalves de Almeida, em busca de voluntários para lutar contra as tropas de Madeira de Melo.  Convidado para jantar com toda a família Almeida, o emissário defendeu a importância da independência do Brasil. Sem filhos homens, entretanto, Gonçalves de Almeida não via como ajudar as tropas insurgentes.

Maria Quitéria, uma das filhas de Gonçalves de Almeida, ao ouvir a defesa entusiasmada do emissário pela defesa da Independência do Brasil, sugeriu ao pai que ela ingressasse no exército. Mas, naquela época, a sociedade acreditava que guerra não era lugar de mulher, tampouco o exército permitiria uma presença feminina entre seus soldados. Contra a vontade do pai, Maria Quitéria se travestiu de homem e se apresentou em Cachoeira no regimento de artilharia, depois se transferindo para a infantaria. Seus bravos feitos durante a guerra lhe renderam o posto de alferes e a Ordem de Cristo.  Essa história ficou registrada no diário de Maria Graham, uma inglesa que visitou o Brasil entre 1821 e 1823.

O preconceito contra as mulheres nas forças armadas começou a ser derrubado apenas na década de 1980, quando as escolas militares se abriram para a entrada delas. Por essa época também surgiram as primeiras delegacias para tratar especificamente da violência contra as mulheres. Ainda assim, muito precisa ser feito para equalizar as oportunidades entre homens e mulheres nesta instituição, pois as mulheres, atualmente, ainda não podem ocupar os cargos mais altos da hierarquia militar, reservado aos homens. Esses somam quase 90% do efetivo. Esses índices precisam ser mudados, afinal somos todos iguais! Lugar da mulher é em todos os lugares que elas queiram ocupar!

Para saber mais sobre o dois de Julho e Maria Quitéria, assista o episódio Dois de Julho do Quadro Histórias da Bahia no AEW.

Referências:

Maria Celina D`Araujo Brasil. Mulheres e Questões de Gênero nas Forças Armadas Brasileiras. http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_pazeseg/Mulheres_paz/mulheresequestoesdegenero.pdf

Maria Graham. Journal of a Voyage to Brazil and Residence There during part of the years 1821,1822, 1823. Londres, 1824. file:///C:/Users/telma.santos/Documents/bibliografia/Maria_graham_voyage_brazil_1821_1822_1823.pdf

Maria Quitéria. commons.wikimedia.org373 × 599Pesquisa por imagemFile:Domenico Failutti – Maria Quitéria.jpg

Telma Gonçalves Santos

Professora e produtora de conteúdos pedagógicos da REDE Anísio Teixeira

Radiola PW: Hino ao Dois de Julho

Oi! Tudo bem? Em 20 de abril de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, sancionou a Lei 11. 901. No artigo 1º do documento, lê-se o seguinte: “Fica instituído o Hino ao Dois de Julho, da autoria de Ladislau Santos Titara e José dos Santos Barreto, como Hino Oficial do Estado da Bahia […]”. Hoje, a Radiola PW te convida para ouvir com um pouco mais de atenção o hino do nosso estado. Você já fez esse exercício? Vamos lá?

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.
Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A obra é, obviamente, uma clara referência ao 2 de julho de 1823, quando as tropas baianas, lutando contra a presença portuguesa no nosso território, saiu vitoriosa das batalhas. Alguns historiadores tratam o episódio com um “enxotamento” feito pelos baianos, em relação ao bando de Madeira de Melo. A data também é conhecida como o dia da Independência do Brasil na Bahia.

A letra, composta por Ladislau, é cheia de inversões e mantém o caráter ufanista, próprio de textos dessa natureza. A música, de autoria de José, parece simular um batalha.

A primeira estrofe revela o orgulho de ser brasileiro e de lutar pela pátria:

Nasce o sol ao 2 de Julho,

Brilha mais que no primeiro!

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro.

Em seguida, um grito contra o autoritarismo e a opressão, comuns naquele sistema colonial:

Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações!

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações!

É interessante atentar para a inversão presente nos dois últimos versos da estrofe acima. Colocando a oração na ordem direta, teríamos: “Corações brasileiros não combinam com tiranos”. Na estrofe seguinte, também nos dois últimos versos, é possível identificar mais uma inversão. Na ordem direta, ficaria assim : “Nossa pátria, hoje livre, não será dos tiranos”. A inversão é uma figura de linguagem que serve para dar mais expressividade ao texto literário, invertendo a ordem dos termos na frase.

Salve Oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá!

Nossa pátria, hoje livre,

Dos tiranos, dos tiranos não será!

Os dois primeiros versos da estrofe acima falam, mais detidamente, das batalhas do histórico 2 de julho. No desfecho do hino, um conselho:

Cresce! Oh! Filho de minh’alma

Para a Pátria defender!

O Brasil já tem jurado

Independência, independência ou morrer!

Para complementar os seus estudos sobre o Dois de Julho, assista ao episódio abaixo, do quadro Histórias da Bahia, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web, em 2014.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Educação: caminhos, encontros e colaboração

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Fig.1 Marcus Leone

 

Quando o ato de aprender e ensinar acontece em via de mão dupla, isso, verdadeiramente, revela processos pedagógicos e aprendizagem significativa alicerçados no cuidado, no respeito e na colaboração.

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Fig.2 Geraldo Seara

 

E foi com esse espírito dialógico, afetivo e crítico que a Rede Anísio Teixeira realizou mais uma formação em produção de mídias com uso de software livre. Nesse processo, os formadores da  Rede AT compartilharam, interagiram, trocaram e, coletivamente, construíram saberes com uma equipe formada por setenta e oito educadores do GESTAR; colegas animados e muito competentes. Esse encontro formativo aconteceu em Valença, durante os dias seis e sete de julho, com carga horária de 16h. Os educadores da Rede Anísio Teixeira, Geraldo Seara, Marcus Leone e Peterson Azevedo, com uma metodologia dinâmica (perspectiva teórico-prática), mediaram uma formação em Introdução para a Produção de Vídeo. Em tal processo, os educadores potencializaram a interação com e entre os sujeitos participantes, assim como estimularam e auxiliaram a criação de conteúdos audiovisuais autorais pela turma.

 

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Fig.3 Geraldo Seara

 

A formação transcorreu em uma sequência lógica de conteúdos e ações básicas necessárias para a produção e edição de vídeo, tendo como foco o viés educacional. Nesse contexto, os cursistas tiveram aulas sobre roteiro, etapas de produção audiovisual, linguagem audiovisual, as funções no set de filmagem, captação de imagem, som e edição de vídeo. O mais interessante nesse processo é que a proposta do curso objetiva produzir vídeos com recursos mínimos, com o que é possível fazer no cotidiano escolar. Ou seja, é primar pela simplicidade e viabilidade dos processos de produção, sem negligenciar a qualidade. Para tanto, os recursos tecnológicos usados foram minimalistas. Nesse sentido, os participantes aprenderam e produziram vídeos, capturando imagens e som com celulares e microfones improvisados, utilizando fones de ouvido.

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Fig. 4 Geraldo Seara

Ao final da formação, os colegas cumpriram o desafio proposto e exibiram suas produções audiovisuais como trabalho de conclusão do processo. A integração entre os educadores da Rede Anísio Teixeira e os cursistas do GESTAR foi muito boa, assim como a reciprocidade no cuidado e admiração. Considerando esse contexto favorável, evidencia-se então uma relação de sucesso entre esses dois programas, cujo principal objetivo é potencializar e promover cada vez mais a escola pública.

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Fig. 5 Peterson Azevedo

As imagens são fotogramas das câmeras de making of.

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia