Vai uma tapioca aí?

blogger 5

Imagem  Comunidade Quilombola – As Mulheres em atividade (produção de tapioca). Por: Eny Silva, Caroline Tonete Gomes e Flávia Germano

Falar de tapioca é lembrar de mandioca, é falar de Nordeste, é falar um pouco da nossa alimentação. Se existe um ingrediente muito utilizado, esse certamente é a mandioca, presente em muitos pratos típicos do Nordeste . Ela possui uma importância cultural e histórica muito grande, podendo ser classificada pela quantidade de ácido cianídrico – mansa (macaxeira ou aipim) ou brava (venenosa), uma raiz nativa da Amazônia brasileira e, segundo a Embrapa, existem quase 250 variedades de mandioca.

O cultivo da mandioca começou na bacia do amazonas por diversas tribos indígenas. Se espalhou aos poucos pela América do Sul (Venezuela e as Guianas) e, em seguida, na América Central e do Norte. Conta a lenda que, nos tempos indígenas, existia uma indiazinha chamada Maní, que nasceu branca e morreu com apenas um ano de idade. Foi enterrada dentro de sua oca, que tinha o nome de “maní-oca”. De sua sepultura, brotou uma planta, que hoje chama-se mandioca e está na base da alimentação brasileira. A mandioca teve grande importância no tráfico negreiro. Os navios que retornavam para a África  levavam farinha de mandioca como uma das moedas de troca. Ela teve papel essencial na alimentação dos índios nativos, dos portugueses e dos bandeirantes, na época das expedições pelo interior do país.

A importância histórica e cultural da mandioca está justamente no fato de ela ter sido a base de sustento das pessoas durante a colonização do Brasil. Versatilidade é uma característica marcante da mandioca, desde a folha até a raiz, tudo é aproveitado. Produz uma ampla lista de subprodutos. Tudo começou com os índios, pelo fato de terem o primeiro contato, desenvolvendo  outros usos para a mandioca. Conseguiram consumir sem perigo a espécie “brava”, tirando o seu veneno através do cozimento por um bom tempo. A mandioca mata a fome de milhares de pessoas, principalmente as que moram em áreas rurais. É um produto barato e popular, preparado de diversas maneiras e base de inúmeros pratos da nossa cozinha. Chamada pelos portugueses de “farinha de pau”. Uma boa mandioca deve soltar a casca com facilidade, ser  branca e qualquer mancha escura é sinal  de doença ou contaminação.

Presente na mesa do brasileiro e, principalmente, do nordestino, a mandioca é descrita por várias pessoas como: “Pão de cada dia” e “mãe do povo brasileiro”. Ingrediente  marcante e de grande importância, representa o Brasil e o Nordeste na história, na cultura  e na gastronomia. Milhares de pessoas sobrevivem por causa da mandioca, ora plantando, cultivando ou se alimentando. Podemos afirmar com certeza de que a prática do seu cultivo e seus derivados influenciaram a cultura  e a formação gastronômica no nordeste do Brasil.

E aí, ainda vai uma tapioca?

Josenir Hayne Gomes.

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Links consultados:

http://www.petitgastro.com.br/mandioca-de-norte-a-sul-do-pais/

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentacao_cultura.pdf

 

2 thoughts on “Vai uma tapioca aí?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s