Culturas Sertanejas

 

Foto de: Cristiane Batista da Silva Santos

Fig 1. Meu sertão por: Cristiane Batista da Silva Santos

 

“O sertanejo é antes de tudo um forte” já dizia Euclides da Cunha em sua obra Os Sertões, que se tornou um clássico da literatura brasileira. Essa visão, compartilhada por muitas pessoas, tem como referência o determinismo geográfico, segundo o qual o meio ambiente daria as condições para o desenvolvimento da fisiologia e psicologia humana. Trata-se de um equívoco que nos convida a pensar: afinal, a interação entre o homem e a natureza, seria determinante sobre a personalidade das pessoas?

Sobre as populações sertanejas, sabe-se que, historicamente, não têm as condições favoráveis de vida. O sertão já vivenciou secas célebres, faltam chuvas regulares para viabilizar a produção agrícola, há pouco investimento econômico nessas regiões do país, e consequentemente, pouca perspectiva de trabalho para além do campo. A luta diária pela sobrevivência, em situação tão adversa, contribui para se criar um estereótipo de super homens e mulheres. Mas, em verdade, o que há são condições desfavoráveis demandando um esforço extra na lida  cotidiana.

Nesses termos, não há escolha, senão ser forte, tanto para ficar, quanto para migrar, se preciso, e muitos fogem da seca para estados como São Paulo. Chegando lá, são recebidos com essa perspectiva identitária limitada, de que são sertanejos, baianos, nordestinos, retirantes, etc. Esses estereótipos são demarcadores de diferença entre nordestinos e moradores da região sudeste rica e desenvolvida. São braços fortes para o trabalho e nada mais. Há uma visão reducionista sobre a identidade dos homens e mulheres do sertão. Aqui cabe perguntar: O sertão teria uma única cultura?

O sertão era como os portugueses chamavam, na época colonial, as regiões do interior do país. Hoje se sabe que essas regiões são muito diversas entre si, não há homogeneidade, nem mesmo no clima e na paisagem. O imaginário sobre seca, distância e aridez esconde muitos aspectos da vida dos homens e mulheres dessas localidades. É preciso tomar uma perspectiva aproximada, para saber sobre o elenco de tradições que compõem o repertório próprio das culturas sertanejas, algo muito rico e que precisa ser valorizado, sobretudo, em sua heterogeneidade.

Para compreender melhor as complexidades do cotidiano da nossa gente, o Cine PW indica um clássico da literatura brasileira, escrito por João Cabral de Melo Neto, publicado em 1955, Morte e Vida Severina, que retrata o sofrimento de um migrante do sertão nordestino em busca de melhores condições de vida no litoral.

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Fig 2 – Captura de tela da animação Morte e Vida Severina – TV Escola

 

Valdineia Oliveira.

Prof. de História da Rede Pública Estadual de Ensino.

 

Fontes:

A importância das tradições culturais do Sertão e sua relação com o ato de educar. Disponível em: http://www2.uefs.br/semic/upload/2011/2011XV-606MAY283-100.pdf

CUNHA, Euclides. Os Sertões. São Paulo:Três, 1902.

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