Radiola PW: Aos Meus Heróis

Oi, galerinha! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Aos Meus Heróis, do compositor Julinho Marassi. A canção foi composta em 2001 e gravada pela primeira vez em 2002, no CD Julinho Marassi & Gutemberg Ao Vivo. Recentemente, o cantor e ator Chay Suede regravou a canção e deu uma interpretação cheia de verdade aos versos.

A canção faz, ao mesmo tempo, uma homenagem e uma crítica à música brasileira. A crítica é feita, mais detidamente, ao funk. O interessante é que a letra não desmerece nenhuma manifestação artística que usa a música para se expressar, mas aconselha as pessoas a ouvirem músicas que mexam também com a cabeça. Ou seja, o autor deixa claro que o importante é não se limitar.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg, em cena do DVD gravado em 2005, em Nova Iguaçu. Imagem: captura de tela feita em 22 de maio de 2016.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg em cena do DVD gravado em 2005, em Nova Iguaçu-RJ. Imagem: captura de tela feita em 22 de maio de 2016.

No início da canção, ele afirma: “Faz muito tempo que eu não escrevo nada/Acho que foi porque a TV ficou ligada”. Assim, critica a influência negativa da televisão, tanto nos processos criativos quanto no fato de ditar modas. Em seguida, coloca o que pensa sobre o atual cenário da música brasileira: “Quero fazer uma canção mais delicada/Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada/Mas não consigo concordar com esse sistema/E quero abrir sua cabeça pro meu tema”. O “tema”, no caso, é o convite à reflexão sobre as atuais letras da nossa música.

Julinho Marassi isenta a juventude de ser a culpada por essa situação: “Que fique claro, a juventude não tem culpa”. Dois versos são bastante significativos para mostrar o que o compositor pensa e quer dizer durante toda a canção: “Eu também gosto de dançar o pancadão/Mas é saudável te dar outra opção”.

A partir daí, a letra cita nomes de cantores brasileiros que fizeram história na música, os responsáveis pelas “riquezas do passado”. Eles são os “heróis” do título. Ao todo, 30 artistas são homenageados. Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina, Marisa Monte, Rita Lee, Djavan e Cazuza são alguns dos nomes citados.

As duas estrofes finais fazem um perfeito arremate da ideia defendida na música. Elas contribuem para que a gente pense criticamente sobre a produção musical do nosso país e sobre a decadência da indústria fonográfica. Vale a pena refletir e discutir sobre tal questão. Vamos começar?! Seguem os versos finais:

“Atenção, DJ, faça a sua parte
Não copie os outros, seja mais ‘smart’
Na rádio ou na pista, mude a sequência
Mexa com as pessoas e com a consciência

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente
Faça refletir, DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça”

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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