Radiola PW: Pra Que

Fig. 1: o cantor e compositor Luiz Melodia. Foto: divulgação

Fig. 1: o cantor e compositor Luiz Melodia. Foto: divulgação do site oficial do artista

Oi! Tudo bem com você? Hoje, na Radiola PW, a dica de música é Pra Que, de autoria de Luiz Melodia e Ricardo Augusto. Ela foi lançada por Luiz em 1997, no CD 14 Quilates. A letra, que fala sobre desigualdade social, traz um eu lírico bastante crítico e preocupado com as questões do lugar em que vive. No início da canção, ele indaga:

Pra que chorar?

Pra que mentir?

Pra que morgar?

Pra que fugir?”

Em seguida, explica as razões que justificam todos esses lamentos:

Só queria que todos

Tivessem comida

Tivessem oportunidade

Tivessem guarida

Não precisassem rezar pedindo melhores dias

Reclamando migalhas

Vivendo só de agonia”

Nessa estrofe, a música ganha força e nos estimula a refletir sobre a sociedade da qual fazemos parte. A discriminação e o preconceito, de toda e qualquer natureza, contribuem para que as oportunidades não sejam iguais para todos. Isso faz com que as pessoas vivam “reclamando migalhas”.

Em setembro de 2014, o programa Artigo 5º teve como temática a desigualdade social no Brasil e discutiu assuntos como saúde, educação e a política de erradicação da pobreza. Vale a pena conferir!

Na seguinte estrofe, os compositores de Pra Que tocam, principalmente se pensarmos na sociedade brasileira, numa questão ainda recorrente nos dias atuais:

Já que tão poucos põem o rei na barriga

Gritando guerras em leis

Forjando a morte da vida”

Infelizmente, essa realidade insiste em permanecer no Brasil. No desfecho, o eu lírico afirma que é importante continuar lutando para que a situação se modifique:

Já que nem eu nem o diabo tem pressa

De pouco vale a conversa

Só encarando essa briga”

#FicaADica: certamente, devido à métrica, os autores optaram por esta redação: “Já que nem eu nem o diabo tem pressa”. Pela gramática normativa da língua portuguesa, o verbo deveria ficar no plural, uma vez que o sujeito é composto e a declaração contida no predicado pode ser atribuída aos dois núcleos (eu e diabo). Portanto, a oração ficaria “Já que nem eu nem o diabo temos pressa”. Contudo, esse detalhe não tira a riqueza nem o propósito da canção. O mais importante, é a mensagem que ela traz. Que a gente reflita e contribua para uma sociedade melhor.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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