Lições Indígenas

Fig.1: Aldeia indígena – interação com a natureza. Fonte: pt.wikipedia.org

Os povos indígenas manejam os recursos naturais de maneira sustentável. Eles procuram aplicar estratégias de uso dos recursos que, mesmo transformando seu ambiente, não alteram os princípios de funcionamento e nem colocam em risco as condições de reprodução deste meio. Trocando em miúdos, eles apenas consomem para sobreviver, utilizam apenas o necessário, sem excedentes! Tomemos como exemplo a visão destes povos como homens “naturais”, defensores da natureza. Os índígenas têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. O modo como evitam a sobrecarga dos recursos ambientais ao dividir a aldeia cada vez que a população se torna excessiva “é de uma enorme sabedoria”. Desta forma, evita-se o superpovoamento. “Temos que aprender a ser indíos, antes que seja tarde”, foi essa a principal mensagem dada pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

Os Yanomami, por exemplo, utilizam a palavra urihi para se referir à “terra-floresta”: entidade viva, dotada de um “sopro vital” e de um “princípio de fertilidade” de origem mítica. Urihi é habitada e animada por espíritos diversos, entre eles os espíritos dos pajés yanomami, também seus guardiões. A sobrevivência dos homens e a manutenção da vida em sociedade, no que diz respeito, por exemplo, à obtenção dos alimentos e a proteção contra doenças, depende das relações travadas com esses espíritos da floresta. Dessa maneira, a natureza, para os Yanomami, é um cenário do qual não se separa a intervenção humana, no entanto, esta intervenção se faz de forma sustentável.

O formato de sustentabilidade – um conceito sistêmico, ou seja, correlaciona e integra de forma organizada os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade. A palavra-chave é continuidade e como essas vertentes podem se manter em equilíbrio ao longo do tempo. Segundo Luiz Carlos Cabrera (FGV) a norueguesa Gro Brundtland, publicou um livreto chamado Our Common Future, que relacionava meio ambiente com progresso. Nele, escreveu-se pela primeira vez o conceito: “Desenvolvimento sustentável significa suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”. Os povos indígenas não só preservam o meio cuidando da natureza, como atendem as necessidades de gerações sem esgotar seus recursos. As sociedades indígenas são inspiradoras e sofisticadas!

(…) Amantes da natureza

Eles são incapazes

Com certeza

De maltratar uma fêmea

Ou de poluir o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico

Da terra,fauna e flora

Pois em sua glória,o índio

Era o exemplo puro e perfeito

Próximo da harmonia

Da fraternidade e da alegria (…)

(Letra de Jorge Ben Jor)

 

Fontes Consultadas:

http://brasileiros.com.br/2014/08/temos-que-aprender-a-ser-indios-diz-antropologo/

http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/Indios-e-o-meio-ambiente

http://www2.unifesp.br/centros/cedess/CD-Rom/ativprati2.htm

http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/581

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_474382.shtml

Josenir Hayne Gomes

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

 

 

Anúncios

Os Tuxá na TV Anísio Teixeira

Olá, turma!

Vocês sabem que existem várias etnias  indígenas, não é?

Então, hoje, vamos falar um pouco sobre a etnia Tuxá. Os Tuxá vivem na cidade de Rodelas, norte do estado, em Ibotirama, Vale do São Francisco e no município de Inajá, em Pernambuco. Com a construção da Barragem da Hidroelétrica de Itaparica, por volta de 1988, as famílias que habitavam as áreas inundadas foram transferidas para essas regiões.

blog2
Fig. 1: Cacique Manoel e Ana Beatriz Padilha – Aldeia Tuxá – Ibotirama – Blog dos Educadores TV Anísio Teixeira

 

Visitamos, em 2012, os Tuxá, de Ibotirama, e conversamos muito com o cacique Manoel. Uma vez que não precisam mais lutar pela ocupação de terras, pois já estão em condições de assentados, os Tuxá brigam por preservar sua cultura e tradições.

O ritual do Toré, por exemplo, é praticado sempre, para que os membros mais jovens da comunidade não percam o contato com elementos de suas raízes. Nessa manifestação cultural, pública e coletiva, todos os indígenas, sem distinção de idade e sexo, participam, cantando e dançando, para atrair boas energias.

Em nossa visita à aldeia Tuxá, conhecemos também Ana Beatriz Padilha, na época, estudante do Centro Territorial de Educação Profissional  do Velho Chico. Ana foi destaque no Festival Anual da Canção Estudantil – FACE, de 2011, como melhor intérprete e melhor música e, por isso, foi personagem do Faça Acontecer, produção da TV Anísio Teixeira.

Os Tuxá desejam, exatamente, isso: o reconhecimento da sua identidade e a valorização das potencialidades, do talento, da força e da competência dos povos indígenas.  Que tal pesquisar mais sobre os Tuxá e outras etnias indígenas que vivem em nosso estado? Mãos à obra!

 

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Reformatório Krenak: O Purgatório dos Pataxó Durante a Ditadura Militar

No dia 17 de abril de 2016, o Brasil assistiu perplexo à cena grotesca protagonizada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, durante o plenário de votação da admissibilidade do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, ao dedicar o seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CodI do Exército de São Paulo, órgão de repressão política do governo militar. O dito coronel foi responsável pelas sessões de tortura praticadas contra a então militante política Dilma Rousseff e muitos outros jovens que lutaram contra a opressão vivida no Brasil. Mas o que o ato infame do deputado Bolsonaro tem a ver com o reformatório de Krenak e com os índios Patoxó do sul da Bahia? Para entendermos esse elo é preciso tomarmos conhecimento de uma história que só há pouco tempo começou a ser desvendada.

Figura 1: A Ditadura Militar no Brasil. Fonte: TV Anísio Teixeira
Figura 1: A Ditadura Militar no Brasil. Fonte: TV Anísio Teixeira

Quando pensávamos que os horrores do período da ditadura militar já haviam sido revelados em toda a sua extensão, eis que a CNV (Comissão Nacional da Verdade), instaurada pela presidente Dilma Rousseff para investigar os crimes contra os direitos humanos durante a Ditadura Militar no Brasil, descortina um novo capítulo dessa história. Durante os “anos de chumbo” que se seguiram ao golpe de 64, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) criou centros de detenção para os chamados “índios infratores”. A pesquisadora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maria Hilda Baqueiro, acredita que muitos desses detentos eram, em verdade, presos políticos. Os “Índios infratores”, na sua maioria, foram condenados e punidos por lutarem pela permanência em suas terras.

Uma das prisões indígenas mais cruéis que se tem noticia foi o Reformatório Agrícola Indígena Krenak, em Resplendor (MG), criado em 1969. Segundo André Campos, os familiares dos presos indígenas afirmam que muitos índios e índias que foram levados para lá nunca mais retornaram às suas aldeias e estão desaparecidos até hoje. Aqueles que sobreviveram, relatam que o Krenak funcionava como um verdadeiro campo de concentração, sendo os índios submetidos a torturas diversas e a trabalhos forçados. Índios de diferentes etnias, espalhadas pelo Brasil, inclusive oriundas da Bahia, foram enviados para o Krenak. Diógenes Ferreira dos Santos, que na década de 1960 vivia com sua família na terra Indígena Caramuru Catarina-Paraguaçu, no sul da Bahia, foi um dos entrevistados de André Campos para revelar esse triste capítulo da História recente do Brasil. Ainda adolescente, ele e seus pais foram retirados a força da própria terra por militares e levados para a delegacia de Pau Brasil (BA) onde ficaram detidos por seis dias. Depois, foram enviados para o Krenak. A razão da prisão da família de Diógenes esta relacionada à insatisfação dos fazendeiros locais com a presença dos pataxós nessa região.

No reformatório Krenak, segundo Diógenes, eles eram obrigados a ir “ até um brejo, com água até o joelho, plantar arroz”. O método aplicado pelo reformatório para “reeducar” os índios e “aculturá-los” incluía o açoitamento, além de serem arrastados por cavalos, segundo denúncias da ex-integrante do Conselho Indigenista Missionário em Minas Gerais (Cimi/Leste), a pedagoga Geralda Chaves Soares. Os indígenas tinham que confessar seus pretensos crimes, ainda que não entendessem o que estava sendo perguntado, pois muitos não falavam o português. A criatividade sádica dos milicos não tinha limite. André Campos informa que um dos índios que viveu no reformatório, para confessar os crimes imaginados pelos militares, foi obrigado a beber leite fervendo alternando com água gelada. O resultado foi a queimadura do seu aparelho digestivo, trazendo graves conseqüências a sua saúde. Os índios também eram submetidos a práticas humilhantes, como por exemplo jogar futebol durante os poucos momentos de “descanso” que lhes era permitido. Diógenes se lembra com tristeza desses momentos e desabafa: “Meu pai não gostava, nunca tinha jogado bola na vida. Aquilo era uma humilhação para ele.”

Por tudo que foi dito aqui, fica o recado: Ditadura nunca mais! E é por todos aqueles que sofreram durante a ditadura militar, sendo torturados e humilhados, que chamamos a comunidade escolar à reflexão! A postura do deputado federal Bolsonaro na câmara dos deputados é inaceitável. Evocar de forma gloriosa a figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra é um soco no estômago das vítimas da ditadura militar e da própria democracia, pois nega os seus erros e reafirma práticas equivocadas de se exercer a política. Fazer política é um direito de TODOS. Para saber um pouco mais da população indígena do sul da Bahia e da ditadura militar na Bahia assista aos vídeos do programa Histórias na Bahia: Povos Indígenas e Ditadura Militar na Bahia.

 

 

Telma Santos

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Fontes:

Andre Campos. Um Campo de Concentração Indígena a 200 km de MG. 25 de junho de 2013. Pública AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO http://apublica.org

Krenak: O Presídio Indígena da Ditadura Militar. Revista Porantim: Em Defesa da Causa Indígena. Ano XXXV • N0 347• Brasília-DF • Agosto de 2012.

http://www.cimi.org.br/pub/Porantim/2012/Porantim%20347%20-%20Final.pdf

Preconceito não!

caminhadacaboclomarcelino
Fig. 1: Caminhada Caboclo Marcellino. Fotograma do videoclipe “Preconceito Não”.

Olá, pessoal!

Já vivi muitas experiências relacionadas ao local onde nasci, onde cresci, onde estudei, onde morei, onde trabalhei… Vim de São João do Panelinha, comarca de Camacan. Passei por Itabuna e vim parar em Salvador, pra daqui viajar por outros mundos, com mais experiências relacionadas ao meu sotaque, minha origem. Um dia consegui entrar para o staff de uma compahia aérea (na época era uma grande ousadia!). Em um determinado turno de trabalho, um passageiro perguntou por que eu era o único estranho naquele ninho, mas não, exatamente, com essas palavras. De modo sutil, ele se referiu ao meu nariz, que era bem diferente do dos meus colegas. Cortez ou politicamente correto? Na ocasião, eu ainda não tinha a resposta, mas esta começou a ser elaborada, a partir do que foi dito àquele passageiro. Disseram sobre mim: “ele fala inglês!”. Até então, eu achava que seriam outros os motivos que teriam me levado a trabalhar naquela empresa – e no aeroporto! Mas foi o inglês que “afilou” o meu nariz, fazendo eu me “parecer” igual aos colegas que não falavam nenhuma língua estrangeira, mas que tinha a tal boa aparência exigida. Eu tinha passado pelo processo de embranquecimento (cultural) que mais tarde vim saber.

Na verdade, o que há de maior nisso tudo é a Educação. Quando uma pessoa abre a boca, demonstra de onde vem e quanta bagagem carrega. A Educação – formal e informal – é, portanto, o passaporte para todos os mundos! Quando concluí a faculdade, troquei o aeroporto pela sala de aula, com mais ferramentas na sacola.

Recentemente, estivemos entre os indígenas de Olivença, mais precisamente entre os Tupinambá, para realizarmos o Curso de Interpretação e Produção de Vídeos Estudantis, na Escola Estadual Indígena Tupinambá de Olivença. Antes de irmos, nos disseram muitos “tenham cuidado!”

Ah se pudessem ver por baixo da pele, por trás do nariz desafilado, por dentro do coração…

Realizamos o curso e, desse encontro, descobri muitas coisas sobre mim, incluindo a origem do meu nariz, aludindo, aqui, a postagem da professora Valdineia Oliveira sobre nossa ancestralidade. Curti quando me disseram que eu me parecia com um deles. Aliás, quando falei a eles do lugar onde nasci, logo disseram “você deve é um Kamakã!”. 

Infelizmente, também percebemos que muitos negam sua origem, principalmente pela falta de informação ou das informações tendenciosas que fomentam preconceitos e espalham o terror. Do curso, surgiu o filme sobre o Caboclo Marcellino, um herói para os indígenas. Marcellino, que sabia ler e escrever, foi perseguido e preso  por defender o direito às terras ocupadas. Os parentes – modo de se referir aos demais indígenas – foram torturados, enquanto os jornais da época tratavam o herói como bandido. Nesse contexto, muitos abandonaram a identidade indígena, o que favorecia, grandemente, os coronéis.

Finalizado o filme, retornamos a Olivença para o seu lançamento e colhemos outra pérola: um videoclipe com o tema “preconceito não” cuja letra e canção foram feitas pelo indígena Juninho que, inclusive, já tinha participado do FACE, um dos projetos estruturantes da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Sim: indígenas escrevem, hoje, com vários instrumentos, pra todo mundo ler.

Vejam o video clipe Preconceito Não e o documentário sobre o curso de interpretação.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/incorporar-conteudo/id/4171

Geraldo Seara

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia 

Rede Anísio Teixeira abre inscrições para Oficina de Produção de Mídias Estudantis

Fig. 1: banner de divulgação
Fig. 1: banner de divulgação

A Rede Anísio Teixeira – Rede AT (Programa de Difusão de Mídias e Tecnologias Educacionais Livres da Rede Pública Estadual de Ensino) está com inscrições abertas para a Oficina de Produção de Mídias Estudantis. O objetivo da oficina é formar estudantes e professores da rede pública de ensino para atuarem como produtores e gestores multimídia, além de estimular o uso de softwares livres nas unidades escolares.

Inscrição

Para participar da seleção, é muito fácil: basta ler na íntegra a chamada pública e preencher a ficha de inscrição, respondendo atentamente a cada item. Professores e estudantes do ensino médio da rede pública de ensino da Bahia têm até o dia 6 de maio para se inscrever na atividade de formação. O curso tem carga horária de 56 horas e disponibilizará 20 vagas, sendo 4 para professores e 16 para estudantes.

O resultado será divulgado no dia 9 de maio de 2016, no Portal da Educação, aqui no Blog do Professor Web e também através de contato via e-mail e/ou telefone.

Local e período da formação

A formação ocorrerá no Centro Juvenil de Ciência e Cultura (CJCC), localizado no Colégio Central (Avenida Joana Angélica, no bairro de Nazaré, Salvador – BA). A oficina vai acontecer no período de 16 a 31 de maio de 2016 (exclusivamente no turno vespertino, das 14h às 18h).

Para obter mais informações, entre em contato pelo e-mail rede.anisio@educacao.ba.gov.br ou pelo telefone (71) 3116- 9061.

Vem compartilhar o seu mundo com a gente!

Estudantes do Ensino Médio agora contam com a ajuda do “Hora do Enem”

Os estudantes que estão se preparando para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem complementar os conhecimentos através do projeto Hora do Enem, lançado no início deste mês pelo Ministério da Educação (MEC).

Por meio do projeto, os alunos têm acesso gratuito ao hotsite Hora do Enem, espaço interativo de estudo com dicas, vídeos educativos, simulados on-line e um programa diário na TV Escola. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Educação, o Serviço Social da Indústria (SESI) e a TV Escola, canal público do MEC.

Fig. 1: Tela inicial do hotsite "Hora do Enem". Imagem: captura de tela
Fig. 1: Tela inicial do hotsite “Hora do Enem”. Clique na foto para acessá-lo. Imagem: captura de tela

Simulado

No dia 30 de abril, será realizado o primeiro simulado on-line, disponível para todos os 2,2 milhões de estudantes do último ano do Ensino Médio das redes pública e particular. Estão previstos ainda outros três simulados, nos dias 25 de junho, 13 de agosto e 8 e 9 de outubro.

Os simulados seguirão o mesmo formato das questões do Enem. Com isso, as avaliações serão capazes de estimar uma nota no Enem, com o objetivo de preparar os estudantes para as provas.

Caso o estudante não tenha condições de realizar o simulado em computador próprio, o Ministério da Educação oferecerá acesso em universidades e institutos federais, instituições particulares e comunitárias e escolas Estaduais de Ensino Médio. Esses estudantes precisam fazer inscrição para os locais de prova até hoje, 20 de abril, por meio da plataforma Hora do Enem.

MECFlix

Com apenas alguns cliques, o estudante também terá à sua disposição vídeos sob demanda no MECFlix, com estreia prevista para 30 de abril, ou seja, após o primeiro simulado. Estarão disponíveis nessa biblioteca de videoaulas notícias atualizadas sobre o Enem, além de um programa diário produzido pela TV Escola e ainda acesso gratuito a uma plataforma de estudo personalizado de preparação para o Enem.

Hora do Enem na TV

Com estreia prevista para maio, o novo programa da grade da TV Escola ajudará na preparação dos estudantes interessados em fazer o Enem deste ano, com dicas de especialistas, vídeos realizados por parceiros do setor educacional, comentários de professores experientes e muito mais.

Com duração de meia hora, o Hora do Enem será exibido todos os dias às 18 horas, com reprises às 7 horas e 13 horas e no fim de semana. Mais de 40 canais de todo o Brasil, entre TVs universitárias e canais Estaduais, irão reproduzir o programa em suas grades. A TVE/IRDEB transmitirá por meio do canal digital 10.2.

Plataforma Hora do Enem

Fig.2: As possibilidads
Fig.2: Hora do Enem e as diversas maneiras de estudar. Imagem: divulgação

Aplicativo disponível para web e android que reúne centenas de vídeoaulas e milhares de exercícios abrangendo toda a matriz de conteúdo do Enem. A plataforma permitirá um diagnóstico individual e um plano de estudos personalizado para cada estudante, com base no curso desejado e nas necessidades específicas.

O aplicativo ainda permitirá que os gestores das redes públicas e o Ministério da Educação acompanhem o progresso dos alunos até a realização do Enem. Os dados poderão ser utilizados para aprimorar o ensino e direcionar medidas de melhoria na educação pública.

Texto adaptado do site Portal Brasil.

Radiola PW: História do Povo Umutina

Oi, pessoal! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música História do Povo Umutina, de autoria de Ademilson Umutina, cantor e compositor. De acordo com informações do site Povos Indígenas no Brasil, os Umutina possuem “um forte sentido de identidade étnica, reconhecendo-se como tradicionais moradores do alto-Paraguai, envolvidos atualmente na recuperação de suas manifestações sócio-culturais (sic) tradicionais”.

Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Imagem: captura de tela
Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Clique na foto para assistir. Imagem: captura de tela

Talvez, por essa razão, os 447 Umutina que vivem na Barra dos Bugres, no estado de Mato Grosso, estejam lutando para recuperar a língua Umutina, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê, da família Bororo. Atualmente, eles se comunicam através da língua portuguesa. A música História do Povo Umutina toca nesse ponto de preservação cultural (o refrão diz: “Somos o povo Umutina/E viemos revitalizar”) e fala de outros aspectos, como as lutas e perseguições sofridas pelo povo.

A canção é uma homenagem a todos os ancestrais que lutaram pela cultura dos Umutina. No início, o autor pede aos ouvintes que prestem atenção à história triste que ele tem para contar. Em seguida, fala dos mais de mil indígenas que viviam felizes nas margens do rio Bugres e do rio Paraguai, mas, com a chegada do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), os costumes do povo ficaram ameaçados. Isso fica evidente nos seguintes versos do lamento sertanejo: “1911/Chegou aqui nesse lugar/O tal do SPI/Que quis tudo mudar/ Suas danças, seus rituais/Vocês não irão realizar/Também o seu idioma/Vocês não irão mais falar”.

História do Povo Umutina fala de questões importantes, principalmente se a gente for refletir sobre o dia de hoje. É absurda a forma como os ditos “civilizados” tentam mostrar um outro mundo para os indígenas, visto como “ideal”. O grande equívoco se dá, principalmente, por não reconhecer que o indígena é um ser do mundo e que não precisa abdicar de sua cultura para ser considerado como tal.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Bahia Indígena

 

images
Fig 1. Índios da Bahia, príncipe Maximiliano Wied-Neuwied, 1817.

 

Você já teve a curiosidade de saber quem são seus ancestrais? Quem já fez essa pergunta aos pais, às vezes, se surpreende ao perceber que seus bisavós, ou mesmo tataravós, eram indígenas. Conhecer esse passado significa explorar as nuances de nossa identidade e reencontrar as nossas raízes étnicas. Há muitas histórias que se cruzam com a trajetória das nossas famílias, afinal, os grupos familiares compõem uma amostra privilegiada, de observação, sobre a vida social e o processo histórico.

Na Bahia, a dinâmica de ocupação e povoamento, pelos portugueses se deu em meio a confrontos violentos com povos indígenas, por vezes, esse contexto de resistência se confunde com a formação das famílias que habitaram desde o litoral até o interior. A região Sul da Bahia é um bom exemplo disso, tendo em vista que o seu processo de ocupação e povoamento aconteceu em meio a guerras entre os portugueses e os índios Aimorés. É muito comum se pensar no Sul da Bahia, apenas pelo ponto de vista dos lendários Coronéis do cacau, mas foram os índios Aimorés quem escreveram um capítulo vitorioso na história dessa região, quando impediram, por mais de dois séculos, que os portugueses adentrassem o sertão para tomar posse das terras por completo.
Os índios Aimorés empreenderam uma longa e árdua resistência à ocupação portuguesa no Sul da Bahia por isso, muitas histórias de famílias dessa região tem como gênese a figura de mulheres indígenas que foram capturadas no meio da mata.
O historiador Luiz Mott registrou a seguinte fala de um índio de Ilhéus em meados do século XVIII:

Que o meu filho branco guarde estas palavras do pajé botocudo. Nunca existirá uma aliança entre os opressores e os oprimidos. Entre as nações indígenas há umas que foram aniquiladas até o último varão, outras submeteram-se, e outras ainda, estão dominadas pelo terror. Nós outros fomos particularmente perseguidos, sitiados, massacrados, porque somos valentes e a independência nos é mais cara do que a vida. O nosso ódio não pode nem crescer nem se extinguir. Enquanto houver um botocudo de pé, esse botocudo marchará pelo caminho da guerra. Os brancos e os mulatos possuem armas de fogo que lhes facultam quase sempre a vitória, mas os peles-vermelhas receberam do Criador dos seres a astúcia e a paciência.

Luiz Mott descreve a luta sangrenta dos portugueses contra os índios, ressaltando que através de Bandeiras os indígenas foram cruelmente caçados no meio da mata, mortos, escravizados. Esse depoimento registra, com acuidade, o ponto de vista indígena sobre a posse de suas terras e, sobretudo, o seu  amor pela liberdade, vemos também a obstinação dos Aimorés em resistir aos portugueses e não se entregar. Isso é um ponto importante a ser pensado porque o senso comum fala sobre índios preguiçosos e submissos. Mediante esse contexto de violência, as mulheres, foram, muitas vezes, raptadas para viver com os portugueses, é comum pensarmos na instituição familiar construída pela mediação do afeto, mas é importante também pensarmos que, muitas vezes, famílias são erigidas como efeito de processos violentos como rapto, estupro, subjugação.

Assim, reitero a importância de se conhecer a história da nossa família, pois ela tem pontos de contato entre a formação e a configuração da região em que vivemos. E caso descubra os seus ancestrais indígenas, vá além, pesquisando sobre suas lutas pela terra e liberdade, o modo como resistiram, os processos de violência que sofreram para se constituir como família, mas não se esqueça de que essas lutas não se encerraram no século XVIII, elas são também contemporâneas e todos nós fazemos parte dela.

Conheça mais sobre a região Sul da Bahia no episódio: Sul da Bahia.

Conheça mais sobre os Povos Indígenas no Episódio Povos Indígenas:

 

Valdineia Oliveira
Prof. de História da Rede Pública Estadual de Ensino.

 

REFERÊNCIAS:

Fig. 01. Índios da Bahia, príncipe Maximiliano Wied-Neuwied, 1817. Fonte: MOTT, L. Bahia:inquisição e sociedade [online]. Salvador: EDUFBA, 2010.

HERNE, The Hunter. Botocudos –  A Construção de um Inimigo. Disponível em: http://hernehunter.blogspot.com.br/2013/12/umadas-questoes-mais-discutidas-na.html

MOTT. L. Os índios do Sul da Bahia: População, Economia e Sociedade (1740-1854). Disponível em: http://books.scielo.org/id/yn/pdf/mott-9788523208905-10.pdf

Línguas, Pra Que Te Quero?

placatrilingueabaete2
Fig. 1: Placa trilingue no Abaeté, em Salvador. Foto: Nildson B. Veloso

Olá! Você conhece os benefícios de aprender outros idiomas? Você sabia que as línguas, além de  facilitarem a comunicação com pessoas de diferentes nacionalidades e suas culturas, contribuem também para o crescimento do cérebro? Segundo estudos neurológicos mais recentes, estudar línguas deixa o cérebro em forma, além de atrasar os sintomas de Alzheimer!

Do ponto de vista pedagógico, por acessar muitas outras culturas,  podemos aprender mais sobre nós mesmos, enquanto povo, devendo ser este, também, o foco da aprendizagem. Além do código linguístico, devemos também atentar para o discurso que vem embutido nos livros, vídeos, excertos, etc. São modos de viver, de ser e de pensar próprios de cada cultura, que podem ser absorvidos, muitas vezes, sem a devida reflexão. Compreendo a aquisição de uma língua estrangeira, também, como possibilidade de falarmos de nós mesmos, para o mundo, diretamente, sem a intervenção de um tradutor.

Em reunião realizada com secretários de Educação, novembro passado, para se tratar da língua estrangeira em nossas escolas, a opinião de um estudante que trabalhava de garçom foi ouvida. Ele disse: “Vocês são as pessoas que estão escolhendo o futuro dos nossos filhos. A maioria das empresas não é gerenciada por brasileiros. Como vou tratar com um gerente se não falamos a mesma língua? Como vou mandar meu filho estudar fora se ele não fala inglês? E não posso ir junto, porque não falo […]. E se for esse inglês que está hoje na sala de aula, pode tirar, porque ninguém sai falando nada”. O evento ocorreu no Amapá, estado próximo às Guianas. Leia a reportagem completa.

Sobre esse lugar do estudo de línguas no mundo, podemos fazer comparações. Enquanto os Estados-Membros da União Europeia incentivam o multilinguismo,  com fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras, aqui no Brasil aprendemos a nos conformar com o uso de um único idioma, embora sejamos consumidores de bens culturais e de outras naturezas importados de várias nações e línguas. Digo “aprendemos”, porque isso tem sido “ensinado”, ao longo do tempo, através de frases prontas repetidas à exaustão e de atitudes que não só atrapalham, como também nos desmotivam, resultando no quadro que temos que, inclusive, é mencionado nos PCNs para as Linguagens. Veja aqui a decisão da União Europeia sobre a necessidade de que seus cidadãos sejam multilíngues.

Como início de uma reflexão sobre esse assunto, sugiro o vídeo abaixo, intitulado Línguas pra quê? Na simulação de uma situação real, o vídeo sugere outros papéis para as línguas estrangeiras, para além do punhado de regras e tolas repetições.

E você? Qual a sua opinião sobre esse assunto como estudante e/ou como professor? Poste aqui seu comentário.

Geraldo Seara

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia 

Radiola PW: Música Sem Pesquisa Brasileira (MSPB)

No mês de abril, a história e cultura dos povos indígenas fica em evidência por causa do dia 19 de abril. Na verdade, isso não passa de um agendamento frágil, que deveria ser repensado. Afinal, com clichê e querendo mesmo sair da teoria, os indígenas devem ser lembrados todos os dias, principalmente devido a todas as contribuições que deram e dão na constituição da identidade brasileira. A Lei 11645/08, que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, é um importante passo para que o tema não fique restrito ao mês de abril. Pelo menos, é o que se espera.

Restrição é a palavra que marca algumas tentativas de artistas da música popular brasileira em “homenagear” os povos indígenas. Quase sempre, o produto (no sentido mais comercial possível) vem cheio de arremedos, frases desconexas, estereótipos e informações descabidas.

Fig. 1: a MSPB é um gênero em ascensão na música brasileira. Imagem: captura de tela
Fig. 1: a MSPB é um gênero em ascensão na música brasileira. Imagem: captura de tela

Não faltam exemplos. Sobram. Em 1988, a apresentadora Xuxa Meneghel lançou o disco Xou da Xuxa 3 e uma das faixas de maior sucesso da obra foi a música Brincar de Índio, de autoria de Michael Sullivan e Paulo Massadas, famosa dupla de compositores. A música se tornou um clássico (infelizmente, é a verdade!), usada em escolas de todo o Brasil. Inclusive, até hoje (pois é!).

A incoerência já começa pelo título: “Brincar de Índio”. Como assim? Fantasiando-se de penas, tangas, com a pele pintada e batendo a mão na boca a fim de fazer aquele barulho esquisito? Deve ser. Pelo menos, era assim que Xuxa se apresentava quando cantava a música. A letra também dá indícios disso, um dos versos diz: “Vem pintar a pele para a dança começar”. Por falar na letra, cheia de estereótipos e visão limitada sobre os indígenas, o que dizer de trechos como “Índio fazer barulho/Índio ter seu orgulho […]/Índio querer carinho/Índio querer de volta a sua paz”, que tentam “reproduzir” a forma de falar dos indígenas? Fala sério! Um mínimo de pesquisa, mesmo naquela época, desfazia tal ignorância.

No final da canção, Xuxa dá um recado que, certamente, ela e toda a sua “tribo” acreditavam ser politicamente correto: “Baixinhos, vamos brincar de índio, ensinar as pessoas a ter respeito ao índio, que é a natureza viva”. Ela desrespeitou. Talvez, não tivesse essa intenção, mas o fez. Vestiu-se com uma roupa que não era sua e que não lhe caiu bem. Fantasiou-se. Li outro dia, numa rede social da internet, a seguinte frase: “Cultura não é fantasia”. Basta.

A baiana Mara Maravilha também caiu nessa esparrela. Em 1991, lançou a música Curumim, que integrava o disco de mesmo nome. A composição é de Robertinho de Recife e, para não fugir a regra, repleta de ideias sem lógica: “Eu sou uma índia, sou filha da lua, sou filha do sol/Meus cabelos negros a noite tingiu/ Serviu como espelho as águas do rio [sic]/Eu falo com o vento e com os animais/Eu nado com os peixes, nós somos iguais”. Além do erro de concordância verbal no verso “Serviu como espelho as águas do rio” (o sujeito da oração é “as águas do rio”, portanto, o verbo deveria estar no plural. Na ordem direta, isso fica mais evidente: “As águas do rio serviram como espelho”), o trecho reforça, de forma preconceituosa, que o indígena não avançou (Eu falo com o vento e com os animais/Eu nado com os peixes, nós somos iguais) e fica preso à ideia de que ele é um ser detentor de uma identidade fixa.

A Axé Music também produziu aberrações nesse sentido. Em Canibal (de 1999), composição de Ivete Sangalo, vê-se uma letra boba, pobre e insossa. No videoclipe, de roteiro reprovável, Ivete se “fantasia” de “índia” e o tal do canibal é interpretado pelo “índio” Fábio Assunção. Ah, tá! Entendi… No ano 2000, quando o país comemorava seus discutíveis 500 anos, o grupo É o Tchan lançou Tribotchan. A obra, escrita por Paulinho Levi e Cal Adan, falava sobre uma índia “patchanxó” (argh!) que requebrava e por quem Cabral se apaixonou. É a mulher como objeto sexual e as tradições indígenas deturpadas. O clipe é tão ruim quanto a música e fica até impossível tecer mais comentários.

Compositores e intérpretes que não fazem parte da cultura dos povos indígenas: eles não querem “homenagens”, querem RESPEITO!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia