Radiola PW: Salvador, Uma Soteropolitana de 467 Anos

Ontem, a capital da Bahia comemorou 467 anos de existência. É impossível falar de Salvador sem citar, mesmo sendo clichê, a sua riqueza cultural. Da literatura à culinária, da religiosidade ao carnaval, da geografia à música. A metrópole pulsa! Em todos os sentidos! Das vias congestionadas aos incontáveis casos de violência urbana, do barulho dos protestos ao barulho dos sons que invadem as ruas, dos jogos de futebol às festas de largo. Quem vive em Salvador, conhece todas essas peculiaridades. Recentemente, foi eleita a Cidade da Música, pela Rede de Cidades Criativas da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Como este texto tem um quê de homenagem, e já que estamos na cidade da música, a pedida para hoje é Soteropolitana, da banda Cascadura, que anunciou o encerramento da carreira em julho do ano passado. A música, composta por Fábio Cascadura, integra o álbum Aleluia, de 2012. O disco, inclusive, tem a própria Salvador como inspiração.

Fig. 1: captura de tela feita do clipe oficial da música "Soteropolitana". Clique na imagem para assistir ao clipe.

Fig. 1: captura de tela feita do clipe oficial da música “Soteropolitana”. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

O título da música já brinca com as expectativas do ouvinte: vai tratar de uma pessoa que vive/nasceu em Salvador? Provavelmente, alguém que se identifica com o gênero feminino? Afinal, o nome da canção é “Soteropolitana”. É bem por aí! Na obra, Fábio personifica Salvador. Tudo é feito de forma muito sutil e poética. Nas primeiras estrofes, o compositor traz os seguintes versos:

Mãe do Rio, irmã da Louisiana,

Fortaleza lusitana, erguida aqui a mando do rei

No seu brilho, primeiro ela chama

Depois vibra, empena, engana, brindando os seus filhos da vez…

Hoje eu não vou chorar!”

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Onde uma frota inteira fez cabana

Velha ordem de bacana estampa sorriso no jornal

Vida nova, iberoafricana

Menos sacra, mais sacana, rica, fusa e Carnaval

This city burns on fire!”

Ao longo da música, fica evidente a presença de dados históricos relacionados a Salvador. Na estrofe inicial, o autor evoca isso: “Fortaleza lusitana, erguida aqui a mando do rei”. Logo em seguida, faz uma crítica, fincado nas informações da história da capital: “Onde uma frota inteira fez cabana/Velha ordem de bacana estampa sorriso no jornal”. Mesmo depois de 467 anos, existe alguma diferença? Existe! A frota de hoje é nativa e, além disso, dona de jornais.

A canção se destaca pela criticidade e também pela riqueza literária. O verso Menos sacra, mais sacana, rica, fusa e Carnaval” é um bom exemplo dessa simbiose. Faz referência às características da cidade, sua religiosidade e mistura de povos e ritmos; mas não deixa de meter o dedo na ferida, ao afirmar que a urbe é “menos sacra, mais sacana”. No que diz respeito ao uso da função poética da linguagem, Fábio mostra a sua genialidade: a última sílaba da palavra rica se une à palavra fusa e produz uma eufonia inteligente, que revela um traço da soteropolitana do texto (e de muitas outras soteropolitanas!): cafuza.

A sonoridade poética, por sinal, é um dos aspectos mais bonitos da canção. Os versos São tantas colinas, tantos anos/Tantas casas, tantos planos, tantos donos, tantos danos” são bem elucidativos nesse sentido. E, como sempre, vêm acompanhado de uma boa reflexão sobre a sociedade soteropolitana: um lugar de crescimento desordenado, que conhece projetos que não saem do papel (os planos: reais e metafóricos) e que os “donos” pouco fazem para reduzir os danos. Impossível não lembrar de Gregório de Matos: “Triste Bahia! […]/Tanto negócio e tanto negociante”.

Em alguns trechos, a personificação fica bem evidente: “[…] Ela é loira, galega, é infame/Musa que, por mais que eu ame, tenta me cegar com tua luz […]/Ela finge andar como se manda,/Mas basta tocar a banda: joia! Ela se entrega de vez!”. Nesses dois últimos versos, mais uma vez, Fábio usa a criticidade para falar da cidade, que vive fingindo a andar como se manda.

Na estrofe final, um recado bem dado: Eu queria que a visse só, de um jeito mais confesso/E sem truques de altar […]”. O eu lírico está atento e não é bobo. Não basta pintar uma Salvador “para inglês ver”, cheia de maquiagem. É preciso cantá-la, tê-la como inspiração, mas sem deixar de falar das coisas que incomodam. Evocando Caetano, “de perto ninguém é normal”, não é? Que Salvador comemore os seus 467 anos repensando a sua dinâmica social para os próximos anos que virão! Assim, “pretos, vindos de outros cantos” deixarão de ser “carne fresca pro Seu Freguês!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Parabéns, Salvador!

PW-salvador-CAPA-FACE-2016

Fig.1:Josymar Alves

Tudo começou quando Tomé de Souza aqui chegou

e no Porto da Barra desembarcou

Rei de Portugal governador-geral o nomeou

e do espaço geográfico se apossou

Que beleza! Aqui a fez “cidade-fortaleza”

Muitos índios, portugueses encontraram e, durante séculos

marcam presença, são os Tupinambás de Olivença

símbolo de luta e resistência

Eis Salvador, construída com muito labor

Ótima localização, a exportação impulsionou

os escravos que aqui aportaram muito cultivaram

do açúcar, fumo, algodão, criação de gado o Recôncavo era a região

Boa não era a situação, pois havia exploração

Poeta baiano quis acabar com a escravidão

morreu com pouca idade

mas com muita sensibilidade a essa gente falou

Castro Alves, “Poeta dos Escravos”, alguém o nomeou

Oh, Salvador, muita história e muita dor

na ladeira do Pelô muito escravo chorou

da capoeira ao chicote, povo forte

que desce e sobe ladeiras

assim faziam as lavadeiras

com  tanto encanto e tanta fé de buzu ou a pé

da Praça da Sé ao Abaeté

Na capital baiana, muita baiana tem

com seus quitutes no tabuleiro, pé de moleque ou acarajé

em cada esquina seu cheiro

todo mundo bem quente quer, na pimenta-de-cheiro

Olodum no baticum e a Timbalada comanda a balada

Cidade up and down, terra do famoso Brown, abriga festa sem igual

We are Carnaval, caldeirão musical

Como já dizia Ubaldo Ribeiro, na Bahia de meu Deus

que muito divulgou esse povo brasileiro

Lido e admirado também foi Jorge Amado

escritor de “prestígio” no estrangeiro

Soteropolitano, soteropolitana

Não só de coco e acarajé vive essa gente de fé

Terra quente, que aquece o coração dessa gente

Cidade de mar e sol no Farol, um convite ao pôr do sol

História de um povo merece atenção

reconhecer a identidade, assim fez a Unesco

parte de Salvador: Patrimônio da Humanidade

Rede Anísio veio avisar, seja escritor, agricultor ou professor

aqui moram tantos em Salvador que 2016, mais um ano fez!

Mônica Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

Salvador e Sua História: Celebrar e Tornar Melhor como Necessidade Cotidiana

Salvador é a cidade mais velha do Brasil.

Algumas vilas se formaram antes, como São Vicente (1532) e Olinda (1535), mas no formato cidade (organizada como uma zona urbana e planejada para tal), a cidade de São Salvador da Baía de Todos os Santos é a mais antiga da colônia portuguesa que posteriormente se torna o país Brasil. O nome da cidade é uma referência cristã católica ao Salvador, Jesus Cristo, o que condizia com o projeto cristianizador das navegações que foram realizadas no sentido Europa/América, processo que originou a colonização das terras americanas ao sul do Equador por Portugal.

Fruto de uma ordem do Rei D. João III de Portugal, Salvador foi oficialmente fundada em 29 de março de 1549, quando o então nomeado Governador Geral do Brasil – Tomé de Souza – desembarcou no Porto da Barra dando início ao projeto de Luís Dias (Mestre da Fortaleza e Obras de Salvador), para construir a primeira capital da colônia, centro administrativo dos negócios econômicos do produto que ora se cultivava como riqueza principal nesta terra: a cana-de-açúcar.

Em 1763, a capital da colônia é transferida para a cidade do Rio de Janeiro, já no contexto das descobertas de metais preciosos na região do atual estado de Minas Gerais e Salvador perde sua relevância principal como centro político da América Portuguesa (que viria a ser o Brasil), ficando ao longo do tempo como referência dos primeiros tempos coloniais.

Em 2016, Salvador completa 467 anos de fundação e ao mesmo tempo em que se rememora sua trajetória como cidade, é importante pensar sobre problemas que precisam ser superados para que a vida nesse lugar seja melhor aproveitada. A desigualdade social, a violência urbana, a mobilidade e consequentemente os padrões de convivência social precisam ser revistos.

Com índices de desempregos altos e muitos subempregos que se apresentam, por exemplo, na economia informal (os camelôs), a desigualdade econômica é um grande desafio para que as comemorações de aniversário possam ser plenas. Com uma pequena malha de Metrô recentemente inaugurada, Salvador ainda possui muitas dificuldades no que diz respeito à mobilidade urbana. Ônibus que demoram muito a passar pelos pontos, frotas reduzidas em horários após 21h, domingos e feriados são questões que tornam difícil a vida do habitante dessa capital. Some-se a isso a crescente violência urbana que acomete essa zona urbana. Segundo dados de 2012, em torno de 42 mil adolescentes de 12 a 18 anos estão propensos a serem vítimas de assassinato em cidades com mais de cem mil habitantes. A projeção se refere ao período entre 2013 e 2019, tal como o gráfico abaixo aponta:

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Dados: UNICEF, SDH (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República ), ONG Observatório de Favelas e o LAV – UERJ (Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Dessa forma, é importante que pensemos a cidade de Salvador como o local onde a comemoração deve vir junto à reflexão. Suas belezas naturais e culturais são bálsamos para olhos, ouvidos e demais sentidos humanos que se dão ao prazer de vivenciarem sua existência. Ter esse espaço como um lugar melhor para viver deve ser objetivo de todos nós que queremos uma sociedade mais humanitária e assim, mais viva!

Salve, Salvador!

Como sugestão de audiovisual sobre a temática desse texto, o episódio “Salvador” do Quadro Histórias da Bahia, do Programa Intervalo (Rede Anísio Teixeira) pode ser interessante para outros olhares acerca de nossa história.

Segue o link:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3873

Carlos Barros

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

 

Agora diga quem é “zica”!

Vamos combater o Aedes aegypiti, artrópode vulgarmente conhecido como “mosquito da dengue”? Esse Vetor de transmissão de arbovírus, como o vírus da dengue, do chikungunya, da febre amarela e também do zika vírus, que são doenças do tipo arboviroses (infecções virais), se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais e vem acometendo uma grande parte da população brasileira, principalmente nordestinos, indiscriminadamente.

Atender ao alerta geral para que todos os brasileiros participem dessa luta contra o vetor das doenças, é muito importante. Clicando na imagem abaixo, você terá acesso às informações da Cartilha INIMIGO N.º1.

Fig. 1 – Portal de Educação

Fig. 1 – Portal de Educação

Erradicar o mosquito é o que devemos fazer. Seja um monitor nesse processo! Seguem algumas dicas que vão auxiliar na erradicação: eliminar e ou tratar os criadouros; cuidar do saneamento domiciliar; usar larvicidas aprovados pela OMS e inofensivos aos humanos; não acumular água em pneus e garrafas; manter quintal ,jardim e terreno limpos; promover educação em saúde; avisar às autoridades da existência de possíveis criadouros,etc.

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Participando desse processo contra o mosquito, através de ações educativas, de prevenção e combate ao Aedes aegypiti, as professoras : Marileide Dantas Costa e Shéfora Pina Estêves Lima estão reformulando e lançando, respectivamente, os projetos : “O CETEVERDE e o Teotônio no Combate a Dengue” e o “Eu e minha casa contra o AEDES AEGYPTI“, que elas coordenam nas escolas onde lecionam.

No Colégio Teotônio Vilela, localizado no Conjunto João Paulo II, em Feira de Santana – NRE 19, acontece “O CETEVERDE e o Teotônio no Combate a Dengue”, projeto interdisciplinar, coordenado pela Professora Marileide e os Professores da Área de Ciências Exatas (Roseane Sampaio, Kleide Ribeiro, Daiane Fernandes, Jaciene Nascimento,Claudiana Franco, Tânia Mascarenhas,Marcos Manfrine, Luciana Calazeira) e a gestora Maria da Conceição Lopes.

O projeto realiza um trabalho de visitação e limpeza das áreas da escola, visando combater os focos e a reprodução do mosquito Aedes aegypiti. A ideia é atacar a proliferação do mosquito, evitando a transmissão dos arbovírus, aprofundar o conhecimento sobre o tema, despertando no alunado a autoconsciência do seu papel social no combate à dengue, chikungunya e ao zika vírus.

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 Fig.4: Marileide Dantas Costa

“Os alunos do 8º ano receberam bem a ideia do projeto, ficaram curiosos para descobrir focos do mosquito, apesar de ficarem meio ‘sem graça’ por coletar resíduos sólidos, mas lidaram bem com a situação. Os adultos acharam a atividade válida e importante, visto que a própria saúde está ameaçada. É uma atividade didática simples, de divulgação e controle que, infelizmente, esbarra num grave problema de falta de recursos e de possibilidade de resolvermos sozinhos, mas estamos fazendo a nossa parte. No Teotônio, são realizados diversos projetos socioambientais, visando à integração entre estudantes, conhecimento adquirido e comunidade escolar.” ( Marileide Dantas Costa)

Na Escola Irmã Rosa Aparecida, localizada à Rua Vênus, 275 – Jardim Acácia, em Feira de Santana – NRE 19, os professores, “de olho” nos dados da Secretaria de Saúde, observaram que a Bahia registrou em 2015 um aumento significativo dos casos suspeitos de dengue, zika e chikungunya. “Para eles, combater o mosquito é uma tarefa um tanto ‘fácil’ e, por isso, acaba caindo no esquecimento, o que tem feito com que esses números cresçam de forma alarmante”,disse a professora Shéfora Pina Estêves Lima.

Os professores do Ensino Fundamental II (Celiane Sena, Deise, Esmeralda Maia, Jeany Carvalho, Luana Carneiro e Mônica), orientados pela professora Shéfora e incentivados pela gestora Janúsia Almeida e Yara Costa, resolveram mudar essa realidade. Mostraram para a comunidade escolar o quanto é importante a prevenção contra o “mosquito da dengue” e, então, lançaram o projeto “EU E MINHA CASA CONTRA O AEDES AEGYPTI”.

O projeto propõe as seguintes ações educativas: orientar e corresponsabilizar o estudante pela sua saúde e de toda a sociedade; oficinas sobre a temática arboviroses; palestras informativas sobre o mosquito Aedes aegypiti; produção de cartazes; apresentação de vídeos educativos; identificação de possíveis focos do mosquito Aedes aegypiti nas residências e na escola, dentre outras atividades que estão sendo desenvolvidas pela unidade escolar.

Fig.5 : Shéfora Pina Estêves Lima

Fig.5 : Shéfora Pina Estêves Lima

“Considerando que o trabalho deve ser contínuo no que se refere à eliminação de criadouros e desejando alcançar a participação da comunidade de forma ativa, realizamos, no dia 18 de março, uma caminhada de conscientização da população pelas ruas do bairro, que contou com a participação da Creche Sorriso da Vovó Zeza, que pertence ao Dispensário Santana, instituição parceira da Escola Irmã Rosa Aparecida. JUNTE-SE A NÓS!” (Shéfora Pina Estêves Lima).

Fig. 6 : Letícia Estêves Lima

 Fig. 6 : Letícia Estêves Lima

Vamos derrotar o mosquito! Não vacile! Conte-nos o que você está fazendo! Promova em sua vizinhança, em sua escola, ações para o combate ao “mosquito da dengue”, afinal, de “zica” não temos nada!

Ana Rita Esteves Medrado
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

O Planeta Terra é Uma de Suas Peles

As escolas, em sua maioria, obedecendo ou não ao calendário que marca o dia 22 de março como o Dia Internacional da Água,investem em apresentar este tema em sequências didáticas e projetos para seus estudantes. Repetem canções como “Planeta Água” sem apurar os sentidos da sua letra ou empreendem esforço em campanhas que envolvem toda a comunidade escolar, e nenhuma delas nega a importância desta discussão na educação infantil, ensino fundamental ou ensino médio. No entanto, apesar disso, podemos avaliar que ainda não chegamos aonde desejávamos. A situação do Brasil em relação à perda de água tratada, por exemplo, é grave. Segundo o relatório do Ministério das Cidades, cerca de 41% de toda a água tratada no país é desperdiçada, o que equivale a um “número inimaginável de litros não aproveitados e cerca de R$ 4 bilhões de prejuízo”. E, consideremos, o desperdício de água é um problema de graves consequências para a humanidade, pois, de toda a água disponível no planeta, apenas 3% é própria para o consumo. Claro que aqui não estamos nos referindo apenas ao mau uso na esfera doméstica; esta dimensão inclui o desperdício da água na indústria e mesmo na sua distribuição de água.

O fato é que, avaliando um contexto pequeno, observamos poucas mudanças de comportamento em nossos estudantes e, se esticarmos o olhar, também veremos pouca consciência em nossa população no contato com este bem tão precioso. E é aqui que cabe, então, nos perguntarmos sobre o que precisamos rever em nosso trabalho educativo. O que desejamos, enfim, não é formar cidadãos aptos a decidir e atuar de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global? Como é possível, dentro das condições reais das escolas, contribuir para que eles percebam e entendam as consequências de suas ações cotidianas nos locais onde vivem? Como podem minimizar os impactos negativos de suas ações no meio ambiente? Quais os espaços que possibilitam essa participação ativa?

Para começar a reflexão, vale ampliar os espaços do ensino e aprendizagem. A escola é o mundo, então, é bem maior do que pode parecer. E o homem? Ah, o homem também é grande! Até vale aqui citar o arquiteto e artista Friedensreich Hundertwasser, um dos maiores pensadores do século XX, para quem o homem tem cinco peles:a primeira pele, a epiderme; a segunda, o vestuário; a terceira, a casa; a quarta, nossa identidade social; e a quinta e última pele seria o planeta Terra. Este tipo de abordagem pode colaborar muito para uma aprendizagem mais significativa: relacionando a água à vida do homem, a água relacionada à existência dela em todas “as nossas peles” para  evocar aqui o genial Hundertwasser. A principal intenção do trabalho com temas dessa natureza, usando mais uma vez o duplo sentido, é contribuir para uma cultura de defesa do meio ambiente. O tema “Água”, aliás, pode ser tratado como transversal e merece planejamento marcado pela consistência, continuidade e adesão de professores de diversas áreas e/ou disciplinas do currículo, num trabalho multidisciplinar.

Pintura de Hundertwasser (1928-2000)

Pintura de Hundertwasser (1928-2000)

Em seu trabalho ligado à quinta pele, o artista austríaco criou sistemas de purificação da água através de plantas aquáticas, da captação da água da chuva para uso doméstico e seu reaproveitamento e juntou a isso um gesto simbólico de plantar mais de 60 mil árvores em diversas partes do mundo. Das nossas sequências didáticas e projetos nascem quais ações?  Da reflexão coletiva, poderá surgir uma nova consciência. Dedicar nosso trabalho de professores para esta construção é uma escolha capaz de fazer novos cidadãos, com nova compreensão do mundo. O caminho, cada um descobrirá, in loco, e certamente valerá cuidar simultaneamente (e urgentemente) de todas as peles que nos vestem.

 

Lilia Rezende

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: We Nuh Want Zik V* (Nós Não Queremos o Zika Vírus)

Oi, turma! Tudo bem? Nesta semana, vamos dar continuidade à nossa campanha contra o Aedes aegypti e a Radiola PW traz uma música que tem tudo a ver com a temática: We Nuh Want Zik V. Em português, significa “Nós Não Queremos o Zika Vírus”. O reggae faz parte de uma campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica e o clipe, que foi publicado em janeiro deste ano no canal do YouTube do órgão, já tem mais de 21 mil visualizações.

Fig. 1: o médico Michael Abrahams no vídeo da campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica. Imagem: captura de tela feita em 21 de março de 2016

Fig. 1: o médico Michael Abrahams no vídeo da campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica. Imagem: captura de tela feita em 21 de março de 2016

A campanha tem como garoto-propaganda o obstetra e ginecologista Michael Abrahams, que é um showman na Jamaica. Além de trabalhar na área médica, ele é poeta, comediante e compositor.

O jingle traz, na letra, aqueles alertas que nós já sabemos e que não podemos negligenciar no combate ao mosquito causador da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus: So make sure no stagnant water in sight (Verifique se não há água parada à vista)/An change de water inna yu vase every day (Troque a água do vaso todos os dias) etc.

No final, a fim de chamar a atenção para os casos de microcefalia, We Nuh Whant Zik V conclama: An special shout out to pregnant ladies (Um grito especial para mulheres grávidas)/Protec yusself an’ protec yu babies (Proteja-se e proteja os seus bebês).

O Ministério da Saúde da Jamaica virou notícia em todo o mundo por causa dessa forma irreverente de estimular o combate ao Aedes aegypti. O curioso é que os índices de casos de zika vírus no país são baixíssimos. De acordo com dados constantes no site da Organização Mundial da Saúde, publicados em fevereiro deste ano, a Jamaica teve apenas um caso de infecção de zika vírus.

Com a sua ajuda, o Brasil também pode virar notícia. Combata os focos do mosquito! Afinal, nós também não queremos o zika vírus!

Até o próximo!

*: inglês jamaicano.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Como nascem os poetas?

Não existe fórmula. Mas não requer dons especiais, apesar de já ter sido considerado no passado como algo divino.
Uma vez, na aula de português, a professora nos incentivou a escrever um poema. E lembro que um colega que nunca tinha feito um poema, escreveu com muito lirismo, rimando. Eu tinha 12 anos na época e não foi a primeira vez que escrevi alguma coisa sem preocupação com métrica e coisas afins, já que poesia não precisa de tantas técnicas. Mas precisa de inspiração! Que pode vir de uma gama de situações, posturas políticas, emoções e sentimentos, dentre outras motivações.

Você conhece algum poeta? Desses famosos, porém de outro século, temos por exemplo o Castro Alves. Está eternizado numa estátua na praça com seu nome, que também foi dado ao maior teatro de Salvador. Sua cidade natal, Curralinho, hoje em dia também leva seu nome. Ah, e o Dia da Poesia, 14 de março, é a data de seu nascimento.

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Fig. 1 – Praça Castro Alves. Foto: Rita Barreto – Setur/Flickr Turismo Bahia (Creative Commons)
Mas quem foi esse baiano revolucionário, que morreu aos 24 anos, em 1871? Poetas podem ser classificados de acordo com seu estilo literário e o “Condoreirismo” (ou Condorismo) foi o movimento marcado por uma poesia de cunho social, que defendia a igualdade de direitos entre todos. Lembre que o “Poeta dos Escravos”, como ficou conhecido, escreveu também poesia lírica, mas foi o poema épico-dramático “O Navio Negreiro”, publicado na obra “Os escravos” (que se tornou o expoente de sua poesia), defendia a abolição da escravatura numa época em que o regime era a Monarquia e havia movimentos em defesa da República.

Voltando às aulas, nem conto quantas vezes tive que escrever redações. Nos concursos, ENEM, vestibular, a gente também tem que saber escrever redação. Mas por que não aprendemos a nos tornar também poetas/poetisas? Mas será que se aprende isso?

O que você acha dos trechos das músicas transcritas abaixo? São poesias também?

Luz do sol – Caetano Veloso

“Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz…”
Admirável gado novo – Zé Ramalho

“Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal”

Pra não dizer que não falei das flores – Geraldo Vandré

“Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão”

Para conhecer projetos que estimulam a poesia em escolas baianas, recomendo que veja o vídeo “Ser Professor – De onde vem…Grandes Ideias?”

como nascem os poetas

Fig. 2 – Alunos participantes  do projeto ” De onde vem…. Grandes ideias?”

Vamos tentar escrever um poema?! Em breve teremos o TAL (Tempo de Artes Literárias) e você poderá inscrever seu poema! Mãos à obra! Assim nascem os poetas!

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia