Caixa-preta

Olá, galera do Blog do PW!

Hoje vamos falar da caixa-preta de aviões, um importante equipamento encontrado nesse meio de transporte que é considerado o mais seguro que existe e atualmente. Estima-se mais de 100 mil voos deslocando todos os dias no mundo.

Quando um avião cai, o fato repercute nos noticiários por dias porque esses desastres são raros (cerca de 1 chance em 11 milhões de acontecer). Mas, quando um acidente acontece, a procura por pistas começa sempre do mesmo jeito: com a busca da caixa-preta.

Primeiro, a caixa-preta não é preta. É laranja! Para chamar mais a atenção! Para que as equipes de busca consigam avistá-la. Além disso, possui tiras fosforescentes, que refletem a luz. A cor laranja é determinada por convenções mundiais de aviação civil.

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Mas, então, por que a caixa-laranja se chama caixa-preta? Há várias versões para a origem da expressão.

A primeira delas diz que “A expressão caixa-preta vem da década de 50, quando os circuitos eletrônicos do avião eram agrupados em compartimentos, mas o termo correto é Flight Data Recorder (FDR). “Como o funcionamento dos circuitos era obscuro, as caixas ficaram conhecidas como black boxes, já que a cor preta remete ao desconhecido”, explica Hildebrando Hoffmann, professor de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS”. (Revista Mundo Estanho, edição 114).

A segunda versão diz que “Tudo indica que o nome foi herdado de outro equipamento, com funções diferentes, que era usado na Segunda Guerra Mundial pela Royal Air Force, a força aérea britânica: um radar que permitia ao piloto “ver” através das nuvens ou no escuro. Diversos itens eletrônicos empregados na aviação da época eram acondicionados em caixas pretas literais, mas foi esse radar, então uma maravilha tecnológica cujo funcionamento nem os próprios pilotos compreendiam, que entrou para o jargão dos aviadores com o nome de black box. (Veja.com 03/05/2011).

E a terceira versão, bem próxima da primeira diz que “o termo [caixa-preta] vem do inglês black box, que foi incorporado pelos aviadores, conta o professor James Waterhouse, do departamento de Engenharia Aeronáutica da USP. Sua origem é da eletrotécnica, que usa a expressão para denominar um sistema do qual a estrutura interna é desconhecida e só se pode analisar a entrada e a saída, apenas deduzindo seus mecanismos internos”. (Manual do mundo 30/10/2013). Essa versão é semelhante à primeira.

A caixa-preta é um dispositivo eletrônico instalado na cauda do avião que grava informações do voo. E há duas na verdade. O CRV (Cockpit Voice Recorder) – Gravador de Voz do Cockpit, grava conversa de pilotos, controle aéreo e outros barulhos como alertas das últimas duas horas do voo; e o FDR (Flight Data Recorder) – Gravador de Dados do Voo que acompanha os sinais técnicos do avião, grava as leitura dos instrumentos de velocidade, altitude, níveis de combustível, temperatura e controle de voo. Grava até 25 horas.

Em 1953, Dr. Davis Warren, um jovem cientista australiano do Laboratório de Pesquisas Aeronáuticas (ARL – Aeronautical Research Laboratory), antecessora da atual Organização de Defesa da Ciência e Tecnologia (DSTO – Defence Science and Technology Organisation), inventou a caixa-preta, depois de ter perdido seu pai em um acidente aéreo inexplicável, mas, só nos anos 1960, depois de um acidente que acabou sem solução, a Austrália tornou-se o primeiro país a exigir caixas-pretas em todos os aviões comerciais novos. Ela se tornou obrigatória nos EUA em 1967. Atualmente, todas companhias aéreas ao redor do mundo possuem um gravador de dados de voo, a Caixa Preta. Para saber mais sobre a invenção de Warren, clique aqui.

As caixas pretas podem sofrer grandes impactos, mas, os cartões de memória que ajudam a explicar o que aconteceu têm muita proteção. São envolvidas numa fina camada de alumínio, uma polegada de isolamento de calor e coberta de aço inoxidável ou titânio. São, praticamente indestrutíveis. São construídas para resistirem a uma aceleração de 3400 G ou 3.400 vezes a força da gravidade, a uma hora em chamas num calor de até 2000°F (1093ºC) e submersão em água salgada de até 20 mil pés (cerca de 6 km). Cada caixa tem um sinal localizador que é ativado assim que toca a água emitindo um pulso por segundo detectável por sonares com até 2 milhas náuticas de distância (cerca de 3, 7 km), mas, só funciona por 30 dias. Talvez seja uma das razões porque investigadores não localizaram, ainda, a caixa-preta do acidente com o voo MH370 da Malasian Airlines em 8/3/2015 que levava 239 pessoas.

Caixas-pretas são essenciais para entender o que aconteceu em acidentes. Mas, se a caixa-preta não for encontrada fica muito difícil determinar as causas de acidentes.

Em junho de 2009, o Airbus A330 que fazia o voo 447 da Air France do Rio de Janeiro a Paris, desapareceu depois de ter caído no Oceano Atlântico. Sua caixa-preta só foi recuperada do fundo do mar, dois anos depois, com todos os dados intactos. Clique aqui e veja a transcrição da conversa entre os pilotos, dos últimos três minutos do voo. O diálogo e o registro técnico do avião possibilitaram os especialistas estudarem as causas do acidente.

Ouça trechos gravados nas caixas-pretas de alguns desastres aéreos. Clique aqui.

Já se estuda a possibilidades de incluir vídeos nas caixas-pretas e a transmissão de dados via wi-fi, diretamente delas para controle aéreo ou agência de aviação onde podem ser guardados com segurança e em tempo real.

Um abraço, até a próxima e que a paz do Senhor Jesus esteja com todos.

Samuel Oliveira de Jesus – Professor colaborador da Rede Anísio Teixeira

REFERÊNCIAS

G1 – GLOBO.COM. Disponível em http://g1.globo.com/Acidente-do-Voo-AF-447/noticia/2012/07/nos-vamos-bater-isso-nao-pode-ser-verdade-diz-copiloto-do-af-447.html. Acesso em 18/11/2015.

MANUAL DO MUNDO. Disponível em http://www.manualdomundo.com.br/2013/10/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 15 h.

MUNDO ESTRANHO. Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 22;

THE COCKPITSEAT.COM. Disponível em http://www.thecockpitseat.com/cps/pt-br/um-pouco-da-historia-da-caixa-que-nao-e-preta/. Acesso em 18/11/2015, às 13 h 10.

VEJA.COM. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-etimologicas/por-que-caixa-preta-se-ela-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 38.

WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Black_Box_Cockpit_Voice_Recorder,_Model_AV557D,_Sunderstrand_Data_Control,_Inc.,_c._1990s_-_National_Electronics_Museum_-_DSC00090.JPG. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da esquerda)

WIKIPEDIA. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_%28colour%29. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da direita)

YAHOO NOTÍCIAS. Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/video/como-funciona-caixa-preta-um-114008011.html. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 30.

DESASTRES AÉREOS. Disponível em http://www.desastresaereos.net/caixapreta.htm. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 40.

3 thoughts on “Caixa-preta

  1. Professor, você disse que só agora estão pensando em implementar vídeos nas caixas-pretas…Mas há muito tempo eu já penso nisso.

    Fica muito mais fácil de descobrir o que aconteceu olhando também a imagem, sem descartar o áudio e os dados gravados.

    Com a tecnologia do jeito que evoluiu, seria muito simples, há vários anos atrás, terem implementado câmeras na cabine de voo, com gravação de 24h/48h, e uma imagem com boa qualidade sem ocupar muito espaço no avião.

    A pergunta então é essa professor: Por que até hoje não implementaram também vídeos na caixa-preta? Qual a dificuldade?

    Já teria que ter isso há pelo menos 10 anos atrás!

    • Caro Rodrigo. Obrigado por curtir o BPW. A alegação que se tem é que desprende muito dinheiro, pessoal e equipamento, para a transmissão de dados via wi-fi. Não sei como? Quanto a questão do vídeo, dizem que os pilotos não permitiram por quebrar a privacidade. Agora, eu pergunto: porque deve haver privacidade na cabine de um avião? O que se passaria por lá que não poderíamos ter conhecimento?

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