2016 – Sonhos, colaboração e muito aprendizado!

Olá, pessoal!

Queremos compartilhar com vocês a alegria de termos passado todo ano trocando informações e somando conhecimentos.

Desejamos que todos/as continuem interagindo em nossas mídias, que essas despertem e agucem criticamente, cada dia mais, a curiosidade inerente a cada um/a, pois acreditamos que um mundo de possibilidades se revela para aqueles/as que buscam, no direito de aprender, a base para transformação do meio em que estão inseridos/as e evolução pessoal.

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Colocamo-nos à disposição e temos plena certeza de que é por meio de nossa interação que nascem os sonhos e ideias. Com o esforço mútuo conseguimos construir, inovar e vencer todos os impedimentos.

“Sonho que se sonha junto é realidade.”

(Raul Seixas)

Excelente 2016, comunidade escolar!

Cem anos de Relatividade Geral

Olá, galera do PW! Vocês já ouviram falar sobre a Teoria da Relatividade Geral? Pois bem, neste ano de 2015, ela completa 100 anos! Concebida  pelo  físico alemão Albert Einstein, ela revolucionou a Física e a forma como idealizamos a natureza e o Universo.

A Relatividade pode ser pensada como uma interpretação da força da gravidade, até então, explicada pela Teoria da Gravitação Universal de Isaac Newton. Segundo este, duas partículas quaisquer do Universo se atraem por meio de uma força que é diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância. No entanto, a velha Física Clássica não explicava uma série de fenômenos associados a luz, incluindo aí, o desvio que ela sofre ao passar por campos gravitacionais muito intensos.

A ideia principal da Teoria da Relatividade Geral reside no fato de que a matéria distorce o espaço (malha espaço-tempo) ao seu redor e esta distorção é percebido por nós, sob a forma de força. Uma  analogia bacana, para entendermos como isto ocorre,  seria imaginarmos um grande lençol esticado com uma bola de boliche no centro e uma série de bolas de gude arremessadas sobre esta malha. Como consequência, teremos essas pequenas esferas rodando em torno da bola de boliche, fruto da depressão que esta provocou sobre o lençol. É assim que a nossa estrela, o Sol, mantém os planetas presos a sua órbita e é assim também que a Terra mantém a Lua orbitando ao seu redor.

 

Essa distorção na malha espaço-tempo não é só responsável pela alteração da trajetória dos planetas, o próprio Einstein, previu que a luz sofreria o mesmo efeito ao se aproximar de astros muito grandes, tal como o Sol. Somente em 1919, Einstein teria a confirmação dessa previsão através de um eclipse total do Sol que ocorreu na ilha de Príncipe, na África, e outro em Sobral, no Ceará. Segundo suas previsões, a luz de uma estrela, na ocasião, deveria sofrer um desvio de 1,7” ao passar bem perto do Sol. O astrônomo inglês Artur Eddington conseguiu confirmar essas previsões, comparando as posições desta estrela em fotografias obtidas à noite, longe do Sol, com fotografias da mesma estrela na presença do Sol, durante o eclipse. Os desvios observados levaram à confirmação da Teoria da Relatividade e das previsões de Einstein sobre o desvio da luz,  tornando-o uma das figuras mais conhecidas da ciência.

 

 

E aí, galerinha do PW, quer aprender um pouco mais sobre a Teoria da Relatividade Geral? Então, não perca tempo! Acesse agora mesmo o AEW e bons estudos!

Referências:

Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Relatividade_geral, acessado em 28/12/2015

Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-a-teoria-da-relatividade acessado em 28/12/2015

Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein acessado em 28/12/2015

 

André Soledade

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

 

 

Caixa-preta

Olá, galera do Blog do PW!

Hoje vamos falar da caixa-preta de aviões, um importante equipamento encontrado nesse meio de transporte que é considerado o mais seguro que existe e atualmente. Estima-se mais de 100 mil voos deslocando todos os dias no mundo.

Quando um avião cai, o fato repercute nos noticiários por dias porque esses desastres são raros (cerca de 1 chance em 11 milhões de acontecer). Mas, quando um acidente acontece, a procura por pistas começa sempre do mesmo jeito: com a busca da caixa-preta.

Primeiro, a caixa-preta não é preta. É laranja! Para chamar mais a atenção! Para que as equipes de busca consigam avistá-la. Além disso, possui tiras fosforescentes, que refletem a luz. A cor laranja é determinada por convenções mundiais de aviação civil.

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Mas, então, por que a caixa-laranja se chama caixa-preta? Há várias versões para a origem da expressão.

A primeira delas diz que “A expressão caixa-preta vem da década de 50, quando os circuitos eletrônicos do avião eram agrupados em compartimentos, mas o termo correto é Flight Data Recorder (FDR). “Como o funcionamento dos circuitos era obscuro, as caixas ficaram conhecidas como black boxes, já que a cor preta remete ao desconhecido”, explica Hildebrando Hoffmann, professor de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS”. (Revista Mundo Estanho, edição 114).

A segunda versão diz que “Tudo indica que o nome foi herdado de outro equipamento, com funções diferentes, que era usado na Segunda Guerra Mundial pela Royal Air Force, a força aérea britânica: um radar que permitia ao piloto “ver” através das nuvens ou no escuro. Diversos itens eletrônicos empregados na aviação da época eram acondicionados em caixas pretas literais, mas foi esse radar, então uma maravilha tecnológica cujo funcionamento nem os próprios pilotos compreendiam, que entrou para o jargão dos aviadores com o nome de black box. (Veja.com 03/05/2011).

E a terceira versão, bem próxima da primeira diz que “o termo [caixa-preta] vem do inglês black box, que foi incorporado pelos aviadores, conta o professor James Waterhouse, do departamento de Engenharia Aeronáutica da USP. Sua origem é da eletrotécnica, que usa a expressão para denominar um sistema do qual a estrutura interna é desconhecida e só se pode analisar a entrada e a saída, apenas deduzindo seus mecanismos internos”. (Manual do mundo 30/10/2013). Essa versão é semelhante à primeira.

A caixa-preta é um dispositivo eletrônico instalado na cauda do avião que grava informações do voo. E há duas na verdade. O CRV (Cockpit Voice Recorder) – Gravador de Voz do Cockpit, grava conversa de pilotos, controle aéreo e outros barulhos como alertas das últimas duas horas do voo; e o FDR (Flight Data Recorder) – Gravador de Dados do Voo que acompanha os sinais técnicos do avião, grava as leitura dos instrumentos de velocidade, altitude, níveis de combustível, temperatura e controle de voo. Grava até 25 horas.

Em 1953, Dr. Davis Warren, um jovem cientista australiano do Laboratório de Pesquisas Aeronáuticas (ARL – Aeronautical Research Laboratory), antecessora da atual Organização de Defesa da Ciência e Tecnologia (DSTO – Defence Science and Technology Organisation), inventou a caixa-preta, depois de ter perdido seu pai em um acidente aéreo inexplicável, mas, só nos anos 1960, depois de um acidente que acabou sem solução, a Austrália tornou-se o primeiro país a exigir caixas-pretas em todos os aviões comerciais novos. Ela se tornou obrigatória nos EUA em 1967. Atualmente, todas companhias aéreas ao redor do mundo possuem um gravador de dados de voo, a Caixa Preta. Para saber mais sobre a invenção de Warren, clique aqui.

As caixas pretas podem sofrer grandes impactos, mas, os cartões de memória que ajudam a explicar o que aconteceu têm muita proteção. São envolvidas numa fina camada de alumínio, uma polegada de isolamento de calor e coberta de aço inoxidável ou titânio. São, praticamente indestrutíveis. São construídas para resistirem a uma aceleração de 3400 G ou 3.400 vezes a força da gravidade, a uma hora em chamas num calor de até 2000°F (1093ºC) e submersão em água salgada de até 20 mil pés (cerca de 6 km). Cada caixa tem um sinal localizador que é ativado assim que toca a água emitindo um pulso por segundo detectável por sonares com até 2 milhas náuticas de distância (cerca de 3, 7 km), mas, só funciona por 30 dias. Talvez seja uma das razões porque investigadores não localizaram, ainda, a caixa-preta do acidente com o voo MH370 da Malasian Airlines em 8/3/2015 que levava 239 pessoas.

Caixas-pretas são essenciais para entender o que aconteceu em acidentes. Mas, se a caixa-preta não for encontrada fica muito difícil determinar as causas de acidentes.

Em junho de 2009, o Airbus A330 que fazia o voo 447 da Air France do Rio de Janeiro a Paris, desapareceu depois de ter caído no Oceano Atlântico. Sua caixa-preta só foi recuperada do fundo do mar, dois anos depois, com todos os dados intactos. Clique aqui e veja a transcrição da conversa entre os pilotos, dos últimos três minutos do voo. O diálogo e o registro técnico do avião possibilitaram os especialistas estudarem as causas do acidente.

Ouça trechos gravados nas caixas-pretas de alguns desastres aéreos. Clique aqui.

Já se estuda a possibilidades de incluir vídeos nas caixas-pretas e a transmissão de dados via wi-fi, diretamente delas para controle aéreo ou agência de aviação onde podem ser guardados com segurança e em tempo real.

Um abraço, até a próxima e que a paz do Senhor Jesus esteja com todos.

Samuel Oliveira de Jesus – Professor colaborador da Rede Anísio Teixeira

REFERÊNCIAS

G1 – GLOBO.COM. Disponível em http://g1.globo.com/Acidente-do-Voo-AF-447/noticia/2012/07/nos-vamos-bater-isso-nao-pode-ser-verdade-diz-copiloto-do-af-447.html. Acesso em 18/11/2015.

MANUAL DO MUNDO. Disponível em http://www.manualdomundo.com.br/2013/10/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 15 h.

MUNDO ESTRANHO. Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 22;

THE COCKPITSEAT.COM. Disponível em http://www.thecockpitseat.com/cps/pt-br/um-pouco-da-historia-da-caixa-que-nao-e-preta/. Acesso em 18/11/2015, às 13 h 10.

VEJA.COM. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-etimologicas/por-que-caixa-preta-se-ela-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 38.

WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Black_Box_Cockpit_Voice_Recorder,_Model_AV557D,_Sunderstrand_Data_Control,_Inc.,_c._1990s_-_National_Electronics_Museum_-_DSC00090.JPG. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da esquerda)

WIKIPEDIA. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_%28colour%29. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da direita)

YAHOO NOTÍCIAS. Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/video/como-funciona-caixa-preta-um-114008011.html. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 30.

DESASTRES AÉREOS. Disponível em http://www.desastresaereos.net/caixapreta.htm. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 40.

“Arvorear-se”

Comumente nos lares e lugares, encontramos a tradicional árvore de Natal nessa época do ano. Mas, de onde vem a sua origem? O que esse símbolo representa?

Seu surgimento se deu entre as civilizações mais antigas dos continentes europeu e asiático, por acreditarem que a árvore era um símbolo divino. Muitos afirmam que tenha surgido na Alemanha, por volta de 1530, e se propagado por todo mundo. De acordo com a tradição cristã predominante no Brasil, a decoração natalina deve ser feita no início do Advento, que são os quatro domingos que antecedem o aniversário de Cristo. Aos 6 de janeiro,Dia de Reis, é a data em que se finalizam os festejos natalinos e, portanto, a árvore é desmontada.

Desde então, é um montar e desmontar de árvore! Mais um ano que, praticamente, se finda e cá estamos a pensar no montar e desmontar da árvore, no que cumprimos ou deixamos de cumprir. Que a árvore, aqui tratada, seja uma metáfora, um convite a “arvorear-se”, a rever os nossos processos pessoais de busca ou de recusa; rever o que colhemos ao longo de um ano, rever o que fazemos ou deixamos de fazer. E é justamente aí que mora todo martírio! Onde está escrito que devemos fazer listas infindáveis e que devemos seguir um manual de instrução? É bem verdade que o fruto que nos alimenta é o fruto do desejo, do sonho… Todos temos um ikigai! Seja pessoal ou profissional. Mas o que é Ikigai ?

É uma palavra japonesa que, em si, traz toda uma filosofia de vida. Ela se traduz no nosso propósito de vida, no que nos move ou nos faz levantar todas as manhãs para enfrentar o dia. Qual o sentido da existência? A razão de ser, ser humano!

Não dá pra sair por aí sem pensar no destino. O futuro não é responsabilidade do outro. A vida convoca cada um a construir o seu! Muitas vezes, leva a uma busca aprofundada de si mesmo e nessa caminhada descobrimos que somos cheios de vazios. Já parou para pensar que, uma parcela considerável da sociedade organizada tal como é, ao longo das oito horas por dia, necessita fazer coisas, das quais não gosta ou se identifica, para que o mundo funcione? Portanto, o diferencial está na capacidade de recriar-se a cada dia e de não sentarmos à sombra de uma árvore e, simplesmente, nos aquietarmos e nos darmos conta que a sombra se foi, restando tão somente a rígida e dura casca da vida que passou.

Que seja a nossa urgência “arvorear-se ”: podar os galhos amarelados, apodrecidos e espinhosos de nós mesmos. Que possamos ser árvores frutíferas de amoras e amores para apontarmos a beleza escondida e nos aproximarmos ainda mais do Criador.

E aqui fica o nosso convite:

         R epensar a vida

     E star em paz

                              D eletar os lixos existenciais

      E studar mais

       A rvorear -se

                    N umerar prioridades

Inovar

S orrir

        I nspirar-se

             cOnectar -se com

a fé, a esperança, a vida, o desejo, o bem!

Amém e muita paz!

Mônica Mota– Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

Com ciência Negra

Olá, galerinha do PW! No mês passado, celebramos o Dia da Consciência Negra e nada mais justo que falarmos dos afro-americanos que colaboraram no campo das ciências. Infelizmente, a escola e os próprios livros não destacam a importância e as descobertas desses pesquisadores, mas este panorama já vem mudando! Os movimentos negros vêm numa trajetória de resgate desta história e na luta por igualdade de oportunidades e direitos, e de lá pra cá, muita coisa tem mudado. Vamos conhecer um pouco mais sobre a vida e as realizações feitas por esses cientistas. Vamos Lá!

George Washington foi um filho de escravos que nasceu no Missouri. Aprendeu a ler e escrever com seus proprietários, pois as escolas da época não aceitavam negros. Mais tarde, formou-se no Iowa State Agricultural College e tornou-se mestre. George, destacou-se na área da botânica e foi responsável pelo desenvolvimento de vários métodos de colheita alternativa. Ele também criou várias invenções para tornar o trabalho no campo menos árduo, porém nunca patenteou nenhum deles.

Já século XXI, a Dra. Mae C. Jemison torna-se a primeira mulher negra a viajar para o espaço. Com notável talento para os estudos, conclui o ensino médio com apenas 16 anos de idade, entrando na Universidade de Stanford, onde graduou-se em Engenharia Química e Estudos Africanos. Impulsionada por seus ideais, frequentou a Universidade Cornell, onde formou-se em medicina e passou a trabalhar como voluntária no Peace Corps (Corpo da Paz), na África Ocidental. Mesmo diante do pessimismo de todos que afirmavam que ela não conseguiria ser astronauta, Jemison entra na NASA e cinco anos depois foi ao espaço, onde realizou experimentos com células ósseas. Hoje, Jemison montou sua própria empresa, onde realiza trabalhos na área de ciências e tecnologia.

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Dra. Mae C. Jemison: primeira mulher negra a viajar para o espaço

No campo da medicina, destacam-se Charles R. Drew, pioneiro no desenvolvimento do banco de sangue; e Patricia Era Bath, oftalmologista, que criou o primeiro tratamento a laser para cataratas. Drew destacou-se nos seus estudos a respeito do plasma e o desenvolvimento de técnicas para a sua armazenagem, o que favoreceu a criação dos primeiros bancos de sangue nos Estados Unidos. Já Bath quebrou duas grandes barreiras, a primeira por ser mulher e a segunda por ser negra. Antes dela, nenhuma mulher havia trabalhado no Instituto Oftalmológico Jules Stein, onde acabou liderando várias pesquisas, tornando-se a primeira mulher negra a receber uma patente médica.

Por fim, não poderíamos deixar de citar Neil Degrasse Tyson, famoso astrofísico e divulgador científico. Tyson nasceu em Manhattan, em Nova York, estudou Bronx High School of Science, com ênfase em astrofísica. Como cientista, se dedicou na pesquisa sobre a formação e evolução estelar, bem como cosmologia e astronomia galáctica. É autor de vários livros e artigos, dentre eles “The Perimeter of Ignorance” (), em que expõe sua opinião sobre temas polêmicos a respeito da religião e a ciência.

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Neil Degrasse Tyson: famoso astrofísico e divulgador científico

Legal, não é? Vamos conhecer mais sobre o movimento negro no mundo? Acesse agora o AEW e aprenda mais!

 

Referências:

Disponível em http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/7-cientistas-negros-que-voce-deveria-conhecer/, acessado em 29/12/2014

Disponível em http://www.planalto.gov.br/seppir/20_novembro/apres.htm, acessado em 29/12/2014

Disponível em http://www.prela.nexus.ao/Pag/alguna_vez_un_negro.htm, acessado em 29/12/2014

Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_deGrasse_Tyson, acessado em 29/12/2014

 

André Soledade

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

 

Cartas em Dezembro

Sou muito mais jovem que Michel Miguel Elias Temer, vice-presidente do país, autor da correspondência mais comentada nos últimos dias, mas sou do tempo que ainda se escrevia cartas frequentemente. Sou de um lugar onde, geralmente aos sábados, as pessoas comunicar-se com quem morava em São Paulo, destino dos parentes fugidios das agruras da seca do sertão baiano. Esse exercício de escrever cartas imprimindo no papel a saudade, os planos, as notícias e os anseios de quem me fazia este pedido e este ditado, foi uma das mais marcantes da minha infância e da minha experiência de escritora aprendiz. Não posso negar a máxima que “ler se aprende lendo, escrever se aprende escrevendo”. Assim não posso também negar agradecimento a todos que me permitiram escrever cartas. É possível que daí tenha nascido um gosto enorme que trago por esse tipo particular de texto. Talvez, por esta razão, faço a escolha de publicar aqui uma carta,  meu último texto do ano, por considerá-la bem especial, apropriada para dezembros.

O Natal se aproxima, então não pude deixar de pensar num texto que circulou amplamente, mas pode ainda ser “novo” para alguns leitores/professores. Sua leitura vale em qualquer tempo, porque talvez permita resgatar valores que importam para uma vida inteira.

Foto: Lilia Rezende

Foto: Lilia Rezende

Trata-se de uma história que aconteceu em 1897, com uma garotinha de 8 anos, chamada Virgínia, que vivia importunada pela atroz dúvida: “Papai Noel existe ou não existe?”. Alguns amiguinhos da menina juravam que o bom velhinho não existia. Perturbada, chegou ao seu pai e perguntou: “E aí, existe?” Ele foi evasivo, como a maioria dos adultos diante dessa recorrente pergunta. A menina, então, resolveu escrever ao jornal que a família lia na época, o hoje extinto “The New York Sun”, para perguntar se o Papai Noel existia ou não.

“Prezado Editor, tenho 8 anos. Alguns de meus amiguinhos dizem que não existe Papai Noel. Meu pai costuma falar: Se estiver no The Sun, então será verdade. Por favor, me diga a verdade: Papai Noel existe?”

Assinado: Virginia Ohanlon.

A carta-dúvida de Virgínia caiu nas mãos de um veterano editor do “The New York Times”, que anonimamente escrevia para o “Sun” e, naquela oportunidade, publicou um editorial  cujo título era “Sim, Virginia, Papai Noel Existe”.  Editoriais, você sabe, são textos em que os jornais geralmente imprimem suas opiniões políticas, econômicas etc., que aparecem nas primeiras páginas de suas edições.

O texto, que entrou para a história do jornalismo mundial e foi publicado pelo “Sun” em todos os natais posteriores até o jornal fechar as portas, em 1949, foi este:

“Virginia, seus amiguinhos estão errados. Provavelmente foram afetados pela descrença de uma época em que as pessoas acreditam em poucas coisas. Só acreditam naquilo que vêem. Elas acham que o que não compreendem com suas cabecinhas não pode existir. Todas as mentes, Virginia, sejam as dos adultos ou das crianças, são limitadas. Neste nosso grande Universo, o homem é um mero inseto, uma formiguinha, quando seu intelecto é comparado com o infinito que o cerca ou quando medido pela inteligência capaz de entender toda a verdade e conhecimento.

Sim, Virginia, Papai Noel existe! Isso é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção e você sabe que tudo isso existe em abundância, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Ah! Como seria triste o mundo sem Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virginias. Não haveria então a fé das crianças, a poesia e a fantasia para fazer a nossa existência suportável. Não teríamos alegria nem prazer, a não ser com os nossos sentidos: seria preciso ver e tocar para poder sonhar. A transparente luz das crianças, com a qual inundam o mundo, seria apagada.

Não acreditar em Papai Noel!… É o mesmo que não acreditar em fadas!

Você poderia pedir ao seu pai para contratar muitos homens para vigiar todas as chaminés na véspera de Natal e assim pegar Papai Noel; mas, mesmo que você não o visse descendo por elas, o que isso provaria? Ninguém vê o Papai Noel, mas não há sinais de que ele não existe.

Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas do mundo que nunca foram vistas e que nunca poderão ser admiradas. As coisas mais reais são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver.

Se quebramos o chocalho de um bebezinho, poderemos ver o que faz aquele barulho lá dentro, mas existe um véu cobrindo o mundo invisível que nem o homem mais forte, nem mesmo toda a força de todos os homens mais fortes do mundo reunida poderia rasgar. Somente a fé, a poesia, o amor e a fantasia podem abrir essa cortina e desvendar a beleza e a glória celestiais que existem por detrás dela. Será que tudo isso é real? Ah, Virginia, em todo esse mundo não existe nada mais real e duradouro.

Se existe Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá para sempre.

Daqui a mil anos, Virginia, e ainda daqui a dez mil anos ou dez vezes esse número, ele continuará a fazer feliz o coração das crianças.”

Francis Church

Virginia morreu em 1971, aos 81 anos, e durante a vida recebeu cartas sobre crianças e adultos que queriam falar com ela sobre a existência do Papai Noel. A todas, respondeu mandando junto com a carta o editorial do “Sun” anexado.

Bem, esta é a minha escolha para hoje. E você, o que responderia às Virgínias que te cercam e te indagam? Papai existe ou não existe?!

 

Lilia Rezende

Professora Rede Pública Estadual de Ensino

Epidemia em Salvador (1918)

Fonte: Salvador, província da Bahia (Rodolpho Lindemann, 1875).

Fonte: Salvador, província da Bahia (Rodolpho Lindemann, 1875).

No início do século XX, a grande maioria da população soteropolitana vivia em condições mínimas de saneamento básico. Os esgotos a céu aberto eram a realidade da população carente que se aglomeravam em casas e prédios construídos de forma desordenada nos becos e vielas da cidade. A inexistência, na maior parte das casas populares, de água encanada, obrigava as famílias a ir buscá-la nos chafarizes espalhados na cidade e estocá-la em lugares impróprios, sem a devida higienização. As ruas quase nunca eram pavimentadas e raramente limpas pelas autoridades públicas, o que provocava o amontoamento do lixo nos cantos da cidade, sem que houvesse um sistema eficaz de coleta. Como se não bastasse as péssimas condições de saneamento básico, moradia e alimentação, o porto de Salvador era a porta de entrada para doenças vindas de outros países, trazidas por estrangeiros, a exemplo da gripe espanhola em 1918.

Nessa mesma época, Salvador vivia um vibrante processo de modernização dirigida pelo então governador da Bahia, José Joaquim Seabra (1912-1916). Ruas estreitas foram alargadas, como foi o caso da Avenida Sete de Setembro, em que sobrados e igrejas foram demolidas. Construiu-se um novo palácio do governo, uma biblioteca pública, um fórum, a secretária da Fazenda e o Hospital João de Deus. Na Cidade Baixa, deu-se continuidade ao aterro do mar, a derrubada de antigos prédios do século XIX e a construção do porto de Salvador[1]. Entretanto, para a melhoria das condições de vida da grande massa empobrecida, não havia recursos disponíveis, tão pouco interesse político. Dadas as condições de moradia da população carente, as doenças rapidamente se proliferavam, instalando-se nos corpos desnutridos da população pobre, cujos salários eram incapazes de fazer frente aos altos preços praticados pelos comerciantes que mercavam os gêneros de primeira necessidade. É que, com o advento da I Guerra Mundial, boa parte da produção de alimentos da Bahia tinha por destino os centros consumidores europeus, desabastecidos em razão da guerra.

A taxa de mortalidade na capital baiana era considerada alta para a época e as principais doenças relacionadas a essas mortes eram a difteria, a febre tifoide, o beribéri, a febre amarela, a gripe, a varíola, a peste, a malária, a tuberculose. Os médicos da época advertiam que, para minimizar a contaminação da população, era preciso uma ação enérgica do governo do estado, com políticas de conscientização de hábitos de higiene pessoal e doméstica. Paralelo a isso, era necessário a efetiva limpeza e drenagem dos córregos, das valas e dos riachos. Assim sendo, o ano de 1918 ficou marcado na História da Bahia em razão da epidemia da gripe espanhola. Centenas de baianos morreram sem cuidados médicos, porquanto os hospitais encontravam-se abarrotados e o contingente de médicos e enfermeiras era insuficiente para atender toda a população de enfermos. Não se sabe ao certo onde se originou a doença, ao que parece surgiu simultaneamente na América do Norte, China e Rússia e rapidamente se tornou uma pandemia, contaminando pessoas nos continentes africano, europeu e americano.

Atualmente, o Brasil vive um problema semelhante ao que acabamos de apresentar. O aedes aegypti, mosquito que ficou conhecido por transmitir o vírus da dengue, também transmite a febre chikungunya e o zika vírus. A proliferação da doença esta atrelada, dentre outros motivos, à manutenção de recipientes com água parada. Por isso, se cada um fizer sua parte e evitar esses criatórios do mosquito em sua própria casa, reduziremos muito o caso de pessoas acometidas por essas doenças!

Telma Santos

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

Fontes:

Souza, Christiane Maria Cruz de. A Gripe Espanhola na Bahia: saúde, política e medicina em tempos de epidemia/ Christiane Maria Cruz de Souza.– Rio de Janeiro, 2007. Tese (Doutorado em História das Ciências da Saúde) – Casa de Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz, 2007.

TAVARES, Luís Henrique Dias. 1987. História da Bahia, 8ª ed.,Editora Ática: São Paulo, 260p