O Novembro Negro e a Nossa Consciência

É novembro, mês da Consciência Negra. Nessa data, algumas pessoas costumam questionar: para quê isso? O Brasil é mestiço, somos humanos, vivemos em uma democracia racial etc. Todas essas retaliações têm como fundo a intenção de diminuir a importância do dia 20 de novembro e mascarar a realidade: o Brasil é um país desigual, com uma sociedade  profundamente hierarquizada e os negros ocupam a posição mais inferior.  A verdade é que muitos gostariam que os negros continuassem na condição de subalternos e se incomodam com o fervor e a vigilância comemorativa do mês de novembro.

A consciência negra precisa ser permanentemente vivificada, a pobreza no Brasil tem cor e incide sobre a população negra, de tal forma que pobre e negro já se tornou sinônimo. Triste legado de uma população que foi transplantada de seu continente para ser escrava e que enfrenta, no cotidiano, pobreza, racismo e preconceito. O capitalismo e o racismo unem-se no propósito de manter um povo subjugado a serviço do outro a baixo preço. Não há porque se conformar, estejamos conscientes de que há uma engrenagem determinando papéis e muitos lucrando com isso.

O Brasil é um país que não lida bem com suas questões de origem, o mercado traduz bem isso. Existem aqui artimanhas discursivas, utilizadas por campanhas publicitárias, que usam eufemismos para afirmar que seu produto tem status “diferenciado”. Ora, isso quer dizer o quê? Que é produto selecionado. Resta-nos perguntar para quem  e chegar à conclusão obscena de que existem produtos para negros e para brancos na “democracia racial” brasileira.  Até quando vamos fingir tacitamente que negros estão no lugar que escolheram estar e não crescem profissionalmente porque não se esforçam? É preciso abrir os olhos e lidar com o óbvio: a maior parte da população brasileira é negra e mestiça e não aceita mais servir conformadamente aos brancos.

O acesso a educação está fazendo com que os negros ocupem cada vez mais espaço na sociedade e economia do país. Com isso, se fortalece a luta por igualdade e diretos. É preciso, portanto, que haja um chamado às consciências e uma discussão frequente para desconstruir o racismo e o preconceito.  Veja a seguir o vídeo da campanha Cidadania e Direitos Humanos (clique na imagem abaixo):

Campanha

A população branca do país tem o privilégio da boa reputação pública, enquanto negros são, frequentemente, considerados cidadãos de segunda classe. Há uma luta sendo travada pelos direitos da população negra, todos devemos apoiar. Vamos esclarecer: se você tem direitos que outros não têm, isso é um privilégio. E a questão que envolve a consciência está aí: aceitar que isso seja contestado, apoiar as lutas por igualdade é ser socialmente justo.

A positivação da identidade social dos negros, passa antes, pelo direito à memória. Por isso, é preciso ser vigilante na lembrança dos nossos heróis negros da Conjuração Baiana (clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo):

Búzios

Professores, parem de fazer representações teatrais que rememoram o tronco e a chibata. Vamos construir conhecimentos que afirmem a não passividade dos negros diante da escravidão. Houve resistência sim, importantes revoltas como a Revolta dos Malês (clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo):

Malês

Em novembro e sempre, tenhamos consciência sobre os direitos humanos. Saudemos nossos heróis negros!

Valdineia Oliveira

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia