Amanhã é dia de branco?

Era uma vez… Veja o que ele fez. Ou melhor, o que ainda faz! Inicio aqui minha provocação: será que não vivemos o apartheid social no nosso estado, no nosso país?

Para começo de conversa, o apartheid é uma palavra oriunda do africânder apartheid, que significa “separação” em africano.

Apartheid foi um regime segregacionista e separatista da África do Sul, que deixou marcas ao longo da história. Ele negava, rigorosamente, os direitos sociais, econômicos e políticos dos negros, que eram controlados por uma minoria branca de europeus ( holandeses e ingleses). O regime vigorou até 1994. Um dos principais ícones na luta contra o apartheid foi Nelson Mandela.

No Brasil, muito se lutou e se luta pelos direitos e oportunidades para uma significativa parte da população negra, que muito contribuiu e contribui para nação. Essa luta jamais parou! Esta é a grande verdade. O 20 de Novembro homenageia o dia da morte de Zumbi, herói nacional que lutou ao lado de sua esposa, Dandara, pela resistência à escravidão. Mais conhecido como Dia da Consciência Negra . A data reacende o debate para lembrar que ações afirmativas precisam ser feitas e que, em muitos aspectos, vive-se ainda o apartheid social.

Não adianta maquiar os números ou falsear uma realidade! No Brasil, infelizmente, as políticas públicas para os negros se mostram insuficientes. A população negra enfrenta disparidades sociais, discriminação e negligência dos seus direitos e oportunidades, por apresentar baixa relevância na esfera política.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pesquisa apresentada pelo Censo, mostra que o maior número da população negra está na região Nordeste, principalmente na Bahia. Salvador, considerada “ Roma Negra”, é a cidade brasileira como maior número de negros. Contudo, vale pontuar que não importa somente apontar dados; mas, sobretudo, revelar que é preciso, em qualquer canto desse país, fazer valer o direito de cada um deles. No Brasil, a campanha “Jovem Negro Vivo” aponta que é o país onde mais se mata no mundo e que 77% dos homicídios correspondem aos jovens negros. Assista ao vídeo e confira maiores informações sobre o tema.


Vale lembrar que muitos são os segmentos que movimentam a temática, reivindicam e lideram as lutas antirracistas, como os movimentos Black is beautiful e Black Power, que influenciaram a música. Elis Regina cantou  o negro na canção:  Black is beautiful, de autoria Sérgio e Marcos Vale. A música causou polêmica na década de 70 do século passado pois, segundo a crítica, evoca a supremacia de uma raça em detrimento da outra.

Black is beautiful, black is beautiful

Black beauty so peaceful

I wanna a black I wanna a beautiful

O Black is beautiful foi um movimento cultural iniciado nos Estados Unidos, que se espalhou por outros lugares do mundo e que evocou diferentes artistas, inclusive brasileiros, à temática do orgulho negro.

A Banda Olodum , fundada em 1979, ganhou destaque nacional e internacional por representar de forma cultural e política suas raízes africanas, além de participar de movimentos contra o racismo.

Muitos são os movimentos que buscam o fortalecimento e a promoção aos direitos raciais. Dentre eles, que tem conquistado muitas pessoas, é o “Cacheando em Salvador”,  que revela o sentido político e estético de valorização ao sentimento de pertença aos cabelos crespos.

A expressão Black Power é utilizada, erroneamente, para fazer referência tão-somente ao estilo de cabelo sem conhecer, portanto, toda finalidade política por trás. Na verdade, refere-se ao movimento negro ocorrido na parte ocidental, principalmente, nos Estados Unidos, de reafirmação aos interesses dos negros. Infinitos são os exemplos de palavras ou expressões utilizadas de forma equivocada ou com tom pejorativo que, muitas vezes, depreciam ou evidenciam o preconceito na nossa cultura.

É bem verdade que, qualquer tentativa de mudança não deve, tão-somente, está limitada à língua, mas a todo um conjunto de ações que levem a iniciativas positivas de mudança. Porque ontem, hoje e amanhã são dias de todos!

Veja e confira os estados e municípios que aderiram ao feriado.

Mônica Mota– Professora da Rede Pública de Ensino do Estado da Bahia