Multipluralidade Matemática: uma questão cultural!

Olá, galera do PW! Tudo beleza? Você sabia que o estudo da história da Matemática pode nos ajudar a entender a diversidade da cultura da humanidade? Pois é! É praticamente um mito a ideia de que só as sociedades mais avançadas, do ponto de vista ocidental, desenvolveram a Matemática. Hoje, com o estudo da etnomatemática, sabemos que várias sociedades contribuíram para a sua construção, além dos gregos, mesopotâmios e egípcios.

Dentre as civilizações orientais, os chineses se destacam por feitos magníficos, a grande muralha da China, por exemplo, é um deles. Ela é, sem dúvida, um feito notável de engenharia e, para sua construção, foi necessária uma grande variedade de conhecimentos matemáticos, que envolviam desde o cálculo de distâncias até o cálculo de volumes e áreas. Essas demandas inspiraram os chineses a desenvolver uma Matemática sofisticada, a começar pelo seu sistema de base decimal, que se parece muito com o nosso sistema atual. Esse sistema utilizava varetas de bambu que eram agrupadas e ordenadas para representar os algarismos de um a nove. Elas eram organizadas em colunas, sendo a mais à direita, reservada para representar as unidades; e as adjacentes, à esquerda da primeira, reservadas para as dezenas, centenas, milhares e assim sucessivamente.

Imagem: André Soledade

Imagem: André Soledade

Por exemplo, o número 672, seria representado conforme a figura abaixo:

Imagem: André Soledade

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Possuíam também uma forma muito simples de multiplicação de algarismos, utilizando varetas de bambu, em que elas eram dispostas vertical e horizontalmente, representado o multiplicador e o multiplicando, nesta ordem. O resultado ou produto é dado pelas interseções entre as varetas, cada diagonal, da esquerda para a direita, representará as unidades, dezenas, centenas, respectivamente. Caso a soma das interseções da diagonal ultrapassa nove, somamos o número de dezenas com a próxima diagonal.

Por exemplo, ao efetuarmos o produto 12 x 23, procedemos como no esquema abaixo:

Imagem: André Soledade

Imagem: André Soledade

Mas as contribuições do oriente à Matemática não se restringiram somente aos chineses, os indianos também tiveram uma importante participação! A concepção moderna para a representação do número zero foi criada por eles, e seu primeiro registro data do século IX, mas acredita-se que ele já estava em uso há séculos. Por mais estranho que pareça, antes do indianos inventá-lo, não havia uma representação para o número zero. Para os gregos antigos, por exemplo, ele simplesmente não existia. E qual a importância do zero? Bom, depois de sua invenção, foi possível representar grandezas extremamente grandes e pequenas, algo que era muito complicado antes de sua criação. A origem do símbolo e a ideia que representa o algarismo zero é desconhecida entre os indianos, mas acredita-se que ela surgiu durante os cálculos efetuados com pedras na areia. Quando elas eram removidas do chão, um pequeno furo circular era deixado na areia. Esse furo passou a ser associado a pedra nenhuma, estava então concebida a representação do zero.

A Matemática teve a contribuição de vários povos e, até hoje, seu desenvolvimento se deve à influência de várias culturas, principalmente a dos povos orientais. Estes não só contribuíram na forma como contamos atualmente, mas também tiveram uma participação significativa na resolução de equações algébricas e no conceito de infinito.

Quer saber mais sobre a influência dos povos orientais na Matemática? Acesse o Ambiente Educacional Web ou clique nos links abaixo:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/955

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/693

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4162

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3380

André Soledade

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

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About soledadeandre

é licenciado em Matemática pela Universidade Federal da Bahia-UFBA, é Pós Graduado em Matemática e suas tecnologias pela Universidade de Brasilia. Atualmente é professor da Faculdade Senai Cimatec, do Colégio Marista Patamares e da Rede Anísio Teixeira. Também lecionou Cálculo, Geometria e Álgebra Linear na Universidade Federal da Bahia como professor Substituto, além de ter atuado em diversos cursos pré-vestibulares na cidade de Salvador como professor de Física. Em sua trajetória como professor Universitário atuou na maior parte em cursos de Engenharia, Tecnologia e licenciaturas, ministrando aulas de várias disciplinas, dentre as quais Cálculo Diferencial e Integral, Álgebra Linear, Geometria Analítica, Álgebra, Matemática Financeira e Física. Ao todo são 20 anos de experiência como professor, sendo 10 destes dedicados ao ensino superior.