Lendo a TV

Para você, tudo que passa na TV é, de fato, verdadeiro? Quantas vezes nos deparamos com afirmações do tipo: “Claro que é verdade! Eu vi passando isso na TV”? Pois é. Interpretar de forma crítica aquilo que é veiculado numa emissora de TV é um passo importante para que a gente não se deixe levar por ideologias que, muitas vezes, estão implícitas num discurso sedutor.

Fonte da imagem: https://pixabay.com

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Se hoje, quando se fala em tela, a referência das pessoas é o celular ou o computador; no Brasil, na década de 50 do século passado, a televisão foi o principal símbolo. Por aqui, a primeira transmissão de TV aconteceu em 18 de setembro de 1950. Amanhã, portanto, faz 65 anos de presença da TV na sociedade brasileira. No artigo Um olhar histórico na formação e sedimentação da TV no Brasil, o jornalista Plínio Marcos Volponi Leal traz um breve panorama sobre o assunto, destacando como o veículo se consolidou no nosso país. Vale muito a pena ler!

Público crítico

Todos os canais de TV, quando colocam a sua grade no ar, têm um propósito que vai muito além de apenas informar e entreter. Todo programa de TV é pensado para atingir um público e “vender” uma ideia, um argumento. Quem quiser, compra. O público nunca foi um simples receptor das informações passadas pela TV. Ele sempre refletiu. Hoje, mais do que antes, essa reflexão é feita de forma mais crítica, porque o poder de interferência dos telespectadores é muito maior também. Com o advento da internet, o público pôde botar o dedo na ferida com mais frequência.

Devido a essa apropriação das tecnologias da informação e da comunicação e, obviamente, com a sua própria leitura de mundo, o telespectador conheceu os meios que levam aos fins de um produto veiculado na TV. Ele está conectado a tudo e reflete com mais atenção sobre todas as informações que recebe. Ficar prostrado diante da TV, numa atitude passiva, é um comportamento cada vez mais raro. Ninguém hoje assiste a um único telejornal, por exemplo. A busca pelo que está nas entrelinhas daquilo que é oferecido pela TV contribui para formar o nosso senso crítico.

A partir do momento que as pessoas buscaram se informar, aprender, comparar e criticar, a presença da TV na sociedade foi se tornando menos manipuladora. Ou melhor: as pessoas foram percebendo as estratégias de manipulação de forma mais evidente. Isso quer dizer que a TV só existe para enganar a população? Não. Isso quer dizer que a população está mais vigilante e consciente de sua importância nesse processo.

Não existe TV que engana quando o telespectador está bem informado. Nesse sentido, ler sobre tudo, adotando uma postura crítica, é um bom caminho para não cair em armadilhas.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

Referência:

LEAL, Plínio Marcos Volponi. Um olhar histórico na formação e sedimentação da TV no Brasil. Artigo apresentado no VII Encontro Nacional de História da Mídia: mídia alternativa e alternativas midiáticas. 19 a 21 de agosto de 2009. Fortaleza, Ceará. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1>. Acesso em: 16 de setembro de 2015.

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About Raulino Júnior

Raulino Júnior é professor de língua portuguesa da rede estadual de ensino da Bahia, especialista em Estudos Linguísticos (UEFS, 2008), jornalista e produtor cultural. Formou-se em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS, 2006) e em Jornalismo (2014) e Produção em Comunicação e Cultura (2016) pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA). Compõe desde a adolescência e, com a música "Mudanças", ficou em 3º lugar no 1º Festival de Música do Servidor Público, promovido pela Secretaria da Administração do Estado da Bahia (SAEB), em 2013. É autor do "Desde que eu me entendo por gente", blog de experimentações jornalísticas com ênfase em jornalismo cultural, integrante da produtora "Contramão Comunicação e Cultura", idealizador e apresentador do "Monotemático", programa de entrevistas com autores de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). Desde 2013, integra a equipe de professores da Rede Anísio Teixeira, programa de difusão de mídias e tecnologias educacionais da Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

2 thoughts on “Lendo a TV

  1. Olá Professor Raulino,

    Parabéns pelo excelente texto. Gostaria de contribuir com essa discussão. A chegada da TV no Brasil na década de 50 se deu de forma abrupta, sem maturação e influenciada por interesses de capital estrangeiro. As oligarquias se associaram aos ideais imperialista estadudinenses, que tinham interesses bem claros em estabelecer um mercado de consumo na América do Sul, e nada melhor do que a mídia direta para implementar esta estratégia. As gerações não estavam preparadas e nem tinham acesso linguagem audiovisual, logo, por não conhecer seus parâmetros e sua narrativa subjetiva, nos tornamos vítimas deste sistema, que muito rapidamente foi invadindo nossas casas construindo novos paradigmas comportamentais. Na contemporaneidade com novas possibilidade a democratização dos meios de comunicação, cabe a escola, não apenas discutir as TICs apenas, acho que podemos avançar mais nessa discussão. Precisamos de forma clara e efetiva problematizar com nossos alunos (que já são produtores de conteúdo) a linguagem audiovisual como potencializadora do pensamento sistêmico, crítico e contextualizado, não apenas como suporte técnico, mas como um agente de transformação social.

    Abração.

    • Oi, Peterson! Obrigado pela boa contribuição. O texto só foi uma breve introdução, necessitando, mesmo, abordar a temática de forma mais crítica e madura. Grande abraço!

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