OK ou Oxente?

E… já foi! Stop! Falei o quê mesmo? Pois bem … Já que estamos no mês da Independência, que tal falarmos da independência linguística? Se é que isso existe!É bastante controverso! Os esforços partem de muitos defensores para proteger a identidade brasileira. A língua é o elemento basilar para a existência e formação de todo um conjunto de elementos para a constituição da cultura nacional. O português é comum a todo território brasileiro salvo as particularidades e especificidades regionais. Para o nosso saudoso Ariano Suassuna não havia controvérsia e era bastante categórico:

“Não troco meu oxente pelo OK de ninguém.”

A questão é: Nossa língua portuguesa não é pura! Boa parte da influência tem origem no latim, grego, árabe, espanhol, francês e inglês. O uso de palavras ou expressões utilizadas cotidianamente em que a língua oficial é outra chama-se estrangeirismo. No caso específico do inglês, anglicismo.

A brasilidade contribui para a existência da identidade nacional que resulta de um processo que iniciou após os anos de 1822.“Independência ou Morte!” É… foi assim, povo brasileiro, que tudo iniciou! Essa frase tornou-se marco na história e validou o ideário de fortalecimento da identidade do país ao longo de todo um processo histórico.

Não somente Suassuna declarava seus amores pela terra natal. Muito antes, outros se encarregaram também como Gonçalves Dias revelando o seu nacionalismo pelo Brasil:

A estimável Carmem Miranda foi pioneira em difundir uma nacionalidade brasileira no exterior. Ela cantou e encantou com :O que é que a baiana tem composta por Dorival Caymmi exaltando quem melhor representa o cartão postal da Bahia. Já em: “ Disseram que voltei americanizada” composta por Luís Peixoto e Vicente Paiva responde, sabiamente, às duras críticas dizendo:

Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Eu digo é mesmo “eu te amo” e nunca “I love you”
Enquanto houver Brasil… na hora das comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu!

Não! Não é sessão nostalgia! Mas todos eles assumiram o sentimento de pertença à terra querida.

No Brasil muitos apelam para o estrangeirismo na desculpa de que agrega valor ou por ser mais chique e, por falar em chique, você sabia que essa palavra veio do francês “chic”e foi aportuguesada? Já pensou se a “ Paixão Nacional”, invenção dos europeus, fosse chamado de “ balípodo” (lançar com os pés) ou “ludopédio”(jogo com os pés). Isso mesmo! Estou falando do football, mas tais palavras não foram aceitas pelo gosto popular e a bandeira levantada pelos nacionalistas não aceitou o anglicismo sendo introduzida no VOLP no bom e velho português ficando, portanto, futebol.

As principais manifestações culturais brasileiras foram adquiridas e influenciadas com a mistura de muitos países. Isso é o resultado do que chamamos de aculturação que é nada mais do que o contato com culturas e a adoção mútua de costumes diferentes.

Nessa discussão há consenso e dissenso. É de suma importância manter a identidade linguística,mas com rigor você poderá transformá-la numa xenofobia . O poliglotismo e o estrangeirismo são processos de universalismo para tanto é preciso ser “ open mind“.

O anglicismo tem sido cada vez mais frequente na língua portuguesa. Pois bem… Quem já não disse: “ Você foi ao show do Carlinhos Brown?”,“Você pode tirar uma xerox, por favor?” ,“Vamos ao shopping esse final de semana!”, “Meu mouse está quebrado!” “Esqueci a senha do meu Facebook.” Seriam infindáveis os exemplos. ” Difícil, não é mesmo?”Então, é inglês, português ou portuglês?

Mônica Mota

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

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