Agosto é Tempo de Liberdade Na Revolta dos Búzios

Quem passa pela Praça da Piedade, no centro de Salvador, e se detém a olhar em seu entorno, avista as estátuas de quatro homens importantes para a história da Bahia: João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino Santos Lira, Lucas Dantas de Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga, que foram presos, condenados e mortos na Revolta dos Búzios.

Vejamos como tudo se deu: na manhã de domingo, do dia 12 de agosto de 1798, a população de Salvador acordou avistando manifestos afixados em diversos locais da cidade. Nesses boletins, o povo era convocado a lutar contra a Coroa Portuguesa, nos seguintes termos: “Animai-vos, povo bahinense, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais”. No século XVIII, Salvador era uma cidade escravista cuja estrutura social dividia rigidamente senhores e escravos. O discurso nesses panfletos sinalizava o início de uma revolução: afinal, falar em um “tempo em que todos seremos iguais” significava insuflar aspirações de liberdade entre a população de negros e mulatos da cidade.

Os boletins foram espalhados por pontos estratégicos de Salvador, rapidamente todos ficaram sabendo, o que instaurou um clima de tensão contra a Coroa Portuguesa. Quem assinava era um grupo denominado “anônimos republicanos”, membros do “partido da liberdade”. No teor dos manifestos, havia pedidos de diminuição de impostos, medidas para dinamizar o comércio, pedia-se isonomia nos critérios para concorrer à carreira militar, o fim da escravidão e havia críticas contra o príncipe D. João, chamando-o de “indigno coroado”. As insatisfações representavam diversos segmentos sociais, o que levou as autoridades locais a concluírem que pessoas importantes estavam  envolvidas na conspiração. O governador, de imediato, instaurou uma devassa para descobrir a autoria dos manifestos e prender os responsáveis.

A pesquisadora Patrícia Valim estudou a fundo a Revolta dos Búzios e afirma que havia muitas pessoas da elite envolvidas, tendo em vista que os 50 primeiros depoentes foram homens brancos e de posses. Ao final do inquérito, esses depoentes apontaram outros senhores de escravos envolvidos na conspiração. É possível conferir uma entrevista realizada com Patricia Valim no Ambiente Educacional Web  e compreender que a investigação criminal apontou nomes de poderosos locais, mas, ao final, negociações e acordos de delação condenaram, apenas, quatro homens pobres à morte por enforcamento e esquartejamento na Praça da Piedade: o mestre-alfaiate João de Deus do Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino Santos Lira e os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga, homens que ousaram sonhar com a igualdade e liberdade para negros e mulatos e que servem de inspiração para as lutas contemporâneas da população negra do nosso país.

Assista ao quadro Conjuração Baiana, no Ambiente Educacional Web:

Clique na imagem para assistir ao vídeo.

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A Revolta dos Búzios nos convoca a pensar nas demandas atuais da nossa sociedade: alcançamos um tempo de igualdade social entre negros e brancos no Brasil?

Valdineia Oliveira

Prof. de História da Rede Anísio Teixeira

 

 Fonte:

Conjuração Baiana – Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3768.

A Revolta dos Búzios – Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-revolta-dos-buzios/

VALIM, Patrícia. Conspiremos todos, punam-se alguns – Disponível em: http://revistadehistoria.com.br/secao/capa/conspiremos-todos-punam-se-alguns.

 

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