Teatro Vila Velha e Escolas: nada de monólogo, um diálogo possível!

Márcio Meirelles conversa com professores no 1º Encontro #EscolasNoVila. Foto: Raulino Júnior

Márcio Meirelles conversa com professores no 1º Encontro #EscolasNoVila. Foto: Raulino Júnior

Em teatro, monólogo é uma peça ou cena em que um único ator representa, só ele fala. O diálogo se caracteriza pela conversa entre duas ou mais pessoas, pela troca de ideias e opiniões. Este foi o objetivo do 1º Encontro #EscolasNoVila, promovido pelo Teatro Vila Velha (TVV): dialogar. Educadores foram convidados para ir ao Vila a fim de conhecer os projetos do teatro e de pensar meios para estabelecer parcerias. A troca foi e é a tônica da iniciativa.

De graça, não tem graça

No encontro, os professores conheceram um pouco mais sobre alguns dos projetos do Vila Velha e ficaram por dentro do que vai acontecer no espaço até maio de 2016. Contudo, o protagonista foi, obviamente, o #EscolasNoVila. Embora a proposta esteja um tanto quanto indefinida, a ideia é manter contato com as escolas, propor ações e ter uma contrapartida nesse processo. Como num jogo teatral, onde todos dependem de todos, tendo a consciência de que uma ação interior gera a exterior. “A gente quer que essa troca aconteça”, enfatizou Márcio Meirelles, 61 anos, diretor artístico do TVV.

Márcio Meirelles: "A gente quer que essa troca aconteça". Foto: Raulino Júnior

Márcio Meirelles: “A gente quer que essa troca aconteça”. Foto: Raulino Júnior

Nesse sentido, lembrou da campanha constante do Vila, cujo slogan é “De graça, não tem graça”. Isso, segundo Márcio, não diz respeito apenas aos aspectos financeiros envolvidos numa produção. Tem a ver também com as contribuições de outra natureza que as pessoas podem dar para que os projetos aconteçam. “A gente quer fazer junto”, endossou Junia Leite, coordenadora geral do TVV.

#EscolasNoVila

Das possíveis ações oferecidas pelo Vila para as escolas, estão espetáculos, oficinas livres, espaços para ensaios e apresentações, leituras dramáticas, contação de histórias, visitas guiadas, palestras/discussões e consultoria artística. Mas nada aí “é”, tudo “pode ser”. O pacote não está fechado nem tem forma. O diálogo entre as escolas e o Vila é que vai definir quais caminhos o projeto vai trilhar.

Para Verenilda Araújo, 41 anos, professora do Colégio Estadual General Dionísio Cerqueira, que fica no bairro de Santa Cruz, a iniciativa pode render bons frutos, mas precisa ser melhor organizada. “A proposta é válida. Eu acho que a gente só precisa, enquanto escola pública, do tempo integral, ter uma intermediação da Secretaria da Educação. Ela tem que fechar alguns contratos acerca dos horários para que a gente possa fazer essa parceria”.

Verenilda Araújo, professora do Colégio Estadual General Dionísio Cerqueira: "A proposta é válida,  só precisa de uma intermediação da SEC-BA". Foto: Raulino Júnior

Verenilda Araújo, professora do Colégio Estadual General Dionísio Cerqueira: “A proposta é válida, só precisa de uma intermediação da SEC-BA”. Foto: Raulino Júnior

Após a conversa com os professores, ao ser questionado sobre a viabilidade da ideia que teve, Márcio Meirelles reforçou o aspecto de contribuição mútua do #EscolasNoVila: “Existe um desejo coletivo. A nossa chamada foi nesse sentido: nós estamos preocupados com o mundo e com o teatro, com a linguagem, com a ação teatral, com os espaços de teatro. Quando as pessoas atendem ao chamado, a gente fica mais tranquilo. Vamos, juntos com essas pessoas, começar a construir essa rede, começar a construir essas possibilidades de avançar, essas trocas”.

Para quem ficou com vontade de saber um pouco mais sobre o projeto, o Blog do Professor Web e da Professora OnLine compartilha o documento digital que foi distribuído durante o encontro: #EscolasNoVila. Nele, os leitores encontram informações sobre a história do Teatro Vila Velha, do Bando de Teatro Olodum e do Viladança. Além disso, confere a agenda do Vila para os próximos meses.

De acordo com os organizadores, novos encontros vão acontecer. Para não ficar só na plateia, acompanhe as novidades no site oficial do Teatro Vila Velha: www.teatrovilavelha.com.br.

Até o próximo!

Consultas feitas para dar sentido a este texto:

1) A literatura vai ao teatro – Episódio VI – Capítulo I – Bloco I – A origem do teatro (áudio). Link: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/1884. (Acesso em: 3 de junho de 2015).

2) MEGIDO, José Luiz Tejon. O “método Stanislavski” para a construção de papéis: a arte na interpretação do educador. Link: http://tejon.com.br/arquiteturasite/arquivos/tesemackenzie.pdf. (Acesso em: 3 de junho de 2015).

3) SILVA, Ana Amélia Brasileiro Medeiros. A Experiência do Monólogo, Autoria e Construção de Si. Link: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/intratextos/article/view/412/495. (Acesso em: 3 de junho de 2015).

 

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

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About Raulino Júnior

Raulino Júnior é professor de língua portuguesa da rede estadual de ensino da Bahia, especialista em Estudos Linguísticos (UEFS, 2008), jornalista e produtor cultural. Formou-se em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS, 2006) e em Jornalismo (2014) e Produção em Comunicação e Cultura (2016) pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA). Compõe desde a adolescência e, com a música "Mudanças", ficou em 3º lugar no 1º Festival de Música do Servidor Público, promovido pela Secretaria da Administração do Estado da Bahia (SAEB), em 2013. É autor do "Desde que eu me entendo por gente", blog de experimentações jornalísticas com ênfase em jornalismo cultural, integrante da produtora "Contramão Comunicação e Cultura", idealizador e apresentador do "Monotemático", programa de entrevistas com autores de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). Desde 2013, integra a equipe de professores da Rede Anísio Teixeira, programa de difusão de mídias e tecnologias educacionais da Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

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