O indígena está conectado!

Foto: Indígenas utilizam computador do Senado. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/17174890772

Foto: Indígenas utilizam computador do Senado. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/17174890772

Enquanto discute-se o uso de tecnologias digitais na educação, principalmente, o uso de redes sociais e tecnologias móveis, ao que parece, os povos indígenas já consolidaram o uso das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Veja como este processo está ocorrendo visitando o site da organização Povos Indígenas no Brasil, acessando o link: http://pib.socioambiental.org/pt/c/iniciativas-indigenas/autoria-indigena/sites-indigenas#1.

Nesse site, você vai encontrar as principais organizações e iniciativas indígenas na rede mundial de computadores. Aqui no PW, algumas postagens também já mostraram a apropriação das TICs . Veja a postagem do dia 01/04/2015: https://oprofessorweb.wordpress.com/2015/04/01/vai-camera-vai-audio-sou-indio-acao/.E a postagem do dia 09/04/2014: https://oprofessorweb.wordpress.com/2014/04/09/povos-indigenas-do-nordeste-se-apropriam-das-tecnologias-para-afirmar-cultura-e-brigar-por-direitos/

Foto: Audiência Pública do COIREM na UERJ - Aldeia Maraká'ná | Rio de Janeiro RJ. Disponível em : https://www.flickr.com/photos/midianinja/14391743561/in/photostream/

Foto: Audiência Pública do COIREM na UERJ – Aldeia Maraká’ná | Rio de Janeiro RJ. Disponível em : https://www.flickr.com/photos/midianinja/14391743561/in/photostream/

Como você pode constatar nesses links, as comunidades indígenas usam as TICs para o resgate e a preservação da sua cultura e para lutar em defesa de seus direitos (também através da articulação em redes sociais), produzindo e divulgando conhecimento, promovendo a comunicação em rede.

O que muitos poderiam pensar é que as TICs iriam substituir as tecnologias tradicionais da cultura indígena e afastar o índio de suas raízes. Porém, o que esses sites mostram é um acervo muito rico de suas tradições, ritos, costumes, registros audiovisuais atuais e a própria história dos povos indígenas. Ou seja, a apropriação das TICs pelos povos indígenas parece estar ocorrendo dentro de um processo de enculturação, portanto, os elementos desta nova cultura (cultura digital) estão sendo incorporados à cultura pré-existente sem que haja uma deteriorização desta última (aculturação).

Foto: CParty09 - Inclusão Digital. Campus Party Brasil 2009. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/manoelnetto/3226467873/in/photostream/

Foto: CParty09 – Inclusão Digital. Campus Party Brasil 2009. Disponível em:
https://www.flickr.com/photos/manoelnetto/3226467873/in/photostream/

Este é um quadro que contrasta com a realidade de muitos outros brasileiros analfabetos digitais e de escolas que não possuem laboratórios de informática em condições de uso e que ainda não estão em rede e ainda não promovem ou estimulam o aprendizado colaborativo e compartilhado. Portanto, podemos aprender com os povos indígenas como conhecer, preservar e integrar-se ecologicamente tanto ao mundo presencial (Natureza) quanto ao mundo virtual. Quer saber mais sobre cultura indígena? Visite o Ambiente Educacioal WEB.

Ródnei Souza

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

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Radiola PW – Gramofone Edilson Barreto

Por: Geize Gonçalves

Edilson dos Santos Barreto, estudante do Eixo IV do Colégio Estadual João XXIII – Itaberaba/Ba, buscou inspiração na música nordestina e no rei do baião Luiz Gonzaga para compor  Pontos de Baião, enaltecendo o orgulho e alegria do povo do nordeste. Apreciem!

Edilson

Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Indígenas do Centro-Oeste Baiano Lutam pelo Reconhecimento

Cacique Albertina do Nascimento (Tapuia) e seu neto prontos para o Toré. Foto: Joalva Moraes

Cacique Albertina do Nascimento (Tapuia) e seu neto prontos para o Toré. Foto: Joalva Moraes

A pele é acobreada, os cabelos negros, olhos puxados, vivem da pesca e dançam o ritual do Toré. Essas características não deixam dúvidas de que grupo étnico estamos tratando. Sim, eles são indígenas, mas ainda lutam pelo reconhecimento. Na região do Centro-oeste baiano, existem duas etnias que se encontram nessa situação. São eles: os Potiguara e os Tapuia.

Originários da Paraíba, os Potiguara, da região do São Francisco, são uma grande família constituída pelo Sr. Antonio França e sua esposa. Maria Leda dos Santos, filha do casal, hoje é a cacique. É ela quem lidera as empreitadas burocráticas em busca do reconhecimento à condição de povo indígena. Devido à distância e ao tempo de afastamento, a cultura potiguara foi esquecida, por isso eles entendem que estreitar relações com os parentes paraibanos é imprescindível para resgatar elementos culturais de suas raízes.

Sr. Antonio, cacique Leda e família. Foto: Joalva Moraes

Sr. Antonio, cacique Leda e família. Foto: Joalva Moraes

Já os Tapuia fazem questão de manter viva suas tradições, ainda que desprovidos de aldeia. A cacique Albertina do Nascimento ensina aos seus filhos e netos a cultura que foi passada pelos seus antepassados. Os irmão da cacique estão espalhados por cidades baianas e de outros estados, a esperança é de que, após o reconhecimento, eles conquistem a sonhada terra e possam reunir, novamente, todos da família. Enquanto isso não acontece, os Tapuia pescam no São Francisco para sobreviver, moram num povoado com população híbrida (índios e não índios) e recorrem à aldeia vizinha dos Kiriri para praticarem seus rituais sagrados.

Cacique Albertina Tapuia. Foto: Joalva Moraes

Cacique Albertina Tapuia. Foto:
Joalva Moraes

No Centro-oeste da Bahia, estão os Tuxá e Kiriri, já com terras legalizadas, os Pankaru (descendentes dos Pankararu, de Pernambuco) que aguardam a entrega de suas terras e os Tapuia e Potiguara que se encontram em fase de reconhecimento. Apesar das lutas particulares, todas essas etnias buscam as mesmas coisas: respeito, liberdade para praticar suas manifestações culturais e religiosas, moradia, educação diferenciada que valorize suas tradições, saúde e condições de trabalho, seja no cultivo da terra, na pesca ou artesanato. Que assim seja!

Das naus aos dias atuais

Quando os europeus vieram em suas nausadentrar as terras desconhecidas da América, eles não sabiam o que estavam prestes a descobrir.  Buscavam um novo caminho para a Índia e suas rotas eram semelhantes.

A Espanha e o Portugal da época da grande expansão marítima eram as potências mundiais. Dominavam a ciência e a tecnologia2 desenvolvida por diversos sábios de outros povos (especialmente astrônomos, matemáticos e cartógrafos) e tinham um investimento alto numa política de expansão, extração de riquezas e colonização.

Os portugueses eram mais flexíveis que os espanhóis quanto à religião destes sábios. Muitos dos conselheiros que D. João II reuniu para desenvolver os conhecimentos náuticos eram, em sua maioria, sábios judeus expulsos da Espanha em 1492.

Se hoje em dia contamos com sofisticados instrumentos para navegação e a ajuda de satélites, naquela época era necessário  usar o conhecimento que se tinha em astronomia e navegação (escritos em hebraico, árabe ou latim, portanto inacessíveis aos marujos)  e usar as potencialidades da bússola e do astrolábio3.

Então, vir da Europa para cá não era simples, nem fácil e muito menos barato. Mas compensava, mesmo com o assédio dos piratas, os constantes naufrágios e as naturais dificuldades que os muitos dias no mar causavam.

Enquanto que na Europa os países tinham em comum o domínio de diversos conhecimentos, no novo continente, os nativos, chamados erroneamente de “índios”, possuíam um estilo de vida muito diferente. Essa cultura “indígena4” não deverá ser pensada apenas em relação ao Brasil. Podemos pensar também em termos de América Latina… Mas como esses povos, com seus diferentes costumes e linguagens, vieram parar aqui? Existem várias teorias… Você conhece alguma? Qual?

Fig. 1 – Fonte: Wikimedia Commons

Fig. 1 – Fonte: Wikimedia Commons

Como você acha que vivem os “índios” atualmente? O que aprendemos na escola sobre eles é suficiente para um entendimento das suas condições de vida? Desde a “descoberta” do Brasil, os índios tiveram uma redução na sua por vários fatores, entre eles a falta de anticorpos para doenças que os europeus traziam. O embate e massacre de tribos na busca por ouro e outros produtos ocorreram e apesar da bravura dos índios, eles não tinha armas de fogo e se defendiam com arco e flecha…

Não houve uma política de respeito e valorização dessas populações naquela época… E nos dias atuais, qual a situação cultural e econômica da maioria dos índios brasileiros?

O dia 19 de abril foi instituído como data comemorativa para o “Dia do Índio” pelo decreto-lei de 1943.  Mas o que podemos ter para comemorar de fato?

 

Links relacionados

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Nau
  2. http://veja.abril.com.br/historia/descobrimento/naus-caravelas-portuguesas.shtml
  3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrol%C3%A1bio
  4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_amer%C3%ADndios

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

Vem aí o FLISoL!

Foto: reprodução do site do FLISoL

Foto: reprodução do site do FLISoL

O Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre (FLISoL) é o maior evento da América Latina de divulgação de Software Livre. Seu principal objetivo é o de promover o uso de Software Livre, mostrando ao público em geral sua filosofia, abrangência, avanços e desenvolvimento. Para alcançar esses objetivos, diversas comunidades locais de Software Livre (em cada país/cidade/localidade) organizam simultaneamente eventos em que se instala, de maneira gratuita e totalmente legal, Software Livre nos computadores dos participantes. Além disso, paralelamente, acontecem palestras, apresentações e workshops sobre temas locais, nacionais e latino-americanos acerca de Software Livre, em toda a sua expressão: artística, acadêmica, empresarial e social.

Quem é da Bahia, terá a oportunidade de participar do FLISoL neste sábado, 25 de abril, na Faculdade Área 1, das 8h às 18h, em Salvador. Na programação, discussões sobre a diferença entre Software Livre e Código Aberto e como está a presença do Software Livre no estado. É sempre importante se informar! Até lá!

Texto adaptado do site do FLISoL: http://softwarelivre.org/flisol-ssa/.

Cine Documental – Minha Escola, Meu Lugar – Pankararé

O quadro Minha Escola, Meu Lugar, do programa Intervalo, apresenta a influência histórica e sociocultural de uma Unidade Escolar baiana com seu município ou seu bairro. Neste episódio, a escola evidenciada é a Escola Estadual Ângelo Pereira Xavier e o Anexo, em Baixa do Chico – Raso da Catarina, e a aldeia Pankararé, em Brejo dos Burgos, município de Glória.

Sob a liderança do Cacique Afonso e da pedagoga Patrícia Pankararé, essas unidades escolares atendem à clientela da Educação Infantil e Ensino Fundamental I. O diretor da extinta Direc 10, atual NRE 24,  professor Marcos Pires, também contribui com a gestão dessas escolas. A comunidade Pankararé é incansável na defesa de uma educação de qualidade, em suas terras.

Professores, dirigentes, estudantes, caciques participam dessa produção, mostrando suas impressões acerca da Escola Pankararé e seu papel na afirmação e continuidade da cultura e da luta dos indígenas que vivem em Brejo dos Burgos e Raso da Catarina. Este é um convite para você conhecer um pouco da luta e da cultura dos Pankararé e a relação com a sua escola. Clique na imagem para assistir ao vídeo!

Minha Escola, Meu Lugar – Pankararé

 Pankararé

Abril Indígena na UFBA

Foto: reprodução do site da UFBA

Foto: reprodução do site da UFBA

Desde o início de abril, a Universidade Federal da Bahia está promovendo o evento Abril Indígena na UFBA. Na programação, oficinas, mostra de filmes, mesas e rodas de conversa. Veja a agenda para os próximos dias e programe-se!

||AGENDA||

Mesa Movimento Indígena na Bahia, com Aruã Pataxó e Uilton Tuxá. Mediação: Kâhu Pataxó, 23/4, às 14h.

Exposição Tonã – ritual da preservação | Sarau Minha Aldeia é o Mundo – Declamação das poesias vencedoras do I concurso de poesia Abril Indígena, 23/4, às 16h.

Local: Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA

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Mostra de filme II: Quando os Yãmiy vêm dançar conosco| Palestra Políticas Culturais e Povos Indígenas: diálogos interculturais, com Marina Vieira, 24/4, às 9h30

Roda de conversa com Mulheres Indígenas – Mediação: Professora Laila Rosa, 24/4, às 14h

Local: Auditório 1 do PAF V

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Encerramento do Abril Indígena: 5 anos de diálogos interculturais na UFBA (Mostra PET Conexões Comunidades Indígenas e Toré, 30/4, às 18h

Local: IHAC