Crônica do Bibliotecário

Por Raulino Júnior*

O bibliotecário chega para mais um dia de trabalho, na maior biblioteca pública de sua cidade. Ducentenária, a unidade carrega histórias e é visitada todos os dias por estudantes, professores, pesquisadores e outros amantes daManuel-Bastos-Tigre leitura. Hoje, 12 de março, é o dia dele. Dia do Bibliotecário. A data foi escolhida por ser também a de nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário do país. O nosso amigo, protagonista desta crônica, se organiza no seu local de trabalho e aguarda os leitores, ansioso para ser lembrado pela data especial.

Um grupo de estudantes se aproxima. Olha as prateleiras, conversa coisas amenas e sai. Nosso amigo fica com a esperança para ele. Uma senhora entra na sala, o cumprimenta e pede um título que ele não encontra. Sai frustrada. Ele entende e se solidariza. Decide, então, organizar a bancada, ler algumas coisas, se atualizar. Uma estudante, aparentando ter dez, doze anos, quebra a concentração:

Tio, vim devolver o livro.”

Gostou?”

Gostei! Crônica é um gênero interessante, né, tio?”

É. Muito!”

O silêncio preenche o espaço do diálogo. Nosso amigo confere os dados da jovem leitora no computador e ela observa, com interesse, a estante de livros. De repente, ocupa o vazio:

Ah, tio, nesse livro que li tinha uma crônica falando sobre o senhor!”

Sobre mim?”

Sim.”

Como assim?”

O senhor não é bibliotecário?”

Sou.”

Então! Aí tem uma crônica que fala sobre os bibliotecários.”

Ah…”, solta nosso amigo, um pouco ruborizado, feliz e ainda esperançoso.

Ah, tio, feliz Dia do Bibliotecário! É hoje, né? O senhor me ajuda muito! Eu me sinto bem aqui!”

Obrigado! Só você lembrou do meu dia…”, fala com certo entusiasmo.

Tio, já fez a devolução do livro?”, com a rapidez de mudança de assunto dos tempos atuais.

Já.”

Então, pega aquele outro ali.”

E o nosso amigo vai levando a sua rotina. Ainda mais feliz por ter sido lembrado no seu dia…

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*Professor da Rede Estadual de Ensino

 

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2 thoughts on “Crônica do Bibliotecário

  1. Aprecio a leveza, beleza e profundidade de textos assim. Ao lê-los, vislumbramos sensações, sensibilidade… simplicidade. Textos assim nos fazem começar o dia bem.
    Obrigado, Raulino!

    Em breve envio contribuições minhas nesse caminho.

    • Obrigado pelo comentário, professor Marcus! A literatura tem várias funções, não é? É muito bom ler e sentir. Nossa equipe vai aguardar as suas contribuições. Essa Rede é nossa!

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