Biblioteca do Instituto Anísio Teixeira inicia projeto “Possibilidades Além da Estante” com oficina de contação de histórias

A Biblioteca do Instituto Anísio Teixeira promove a primeira edição do projeto “Possibilidades além da estante”, no dia 14 de abril, das 13h às 17h, com a oficina Contadores de Histórias. O projeto tem como objetivo usar o espaço da biblioteca para criar atividades que possam constituir novos sujeitos, subjetividades e sociabilidades.

ContaçãoDeHistória

As inscrições devem ser feitas até o dia 10 de abril, na Biblioteca do IAT, ou enviando a ficha anexa devidamente preenchida para o email: biblioteca.iat@educacao.ba.gov.br.

Realizada em parceria com o Centro Juvenil de Ciência e Cultura (CJCC), a oficina de Contação de História é destinada aos educadores de arte e linguagens, e busca desenvolver a arte de contar histórias envolvendo criação, interpretação e performance teatral.

Biblioteca – Com um acervo de aproximadamente 20.800 volumes, entre livros, folhetos, monografias, teses e obras de referências, a Biblioteca do Instituto Anísio Teixeira é um espaço de contribuição para o aperfeiçoamento técnico e científico dos profissionais da educação, estudantes e comunidade.

Instalada no Instituto Anísio Teixeira, em Salvador, a biblioteca é aberta ao público. “Nosso espaço estimula o desenvolvimento, a imaginação e desperta o interesse pela leitura. Queremos que os educadores, estudantes e a população saibam que este é um espaço deles, e assim aumentar a frequência de usuários”, explicou Elma Monteiro, responsável pela biblioteca.

A Biblioteca do Instituto Anísio Teixeira também funciona como um espaço de interação e socialização de conhecimento, com atividades diversas. Em 2015, sediará uma série de oficinas que buscam movimentar e socializar a biblioteca, fazendo com que este seja um espaço interdisciplinar, com saraus, palestras, apresentações de teatro, entre outras atividades.

Serviço – A biblioteca funciona das 8h30 às 18h. O espaço é aberto ao público, sendo a locação domiciliar de livros disponível apenas para professores efetivos da rede estadual de ensino.

Ficha de Inscrição da Oficina de Contação de Histórias

 

Texto adaptado do site da Secretaria da Educação.

O que é que a Mulher Contemporânea tem?

Olá, pessoal!

Uma novidade no Blog da ProfessoraOline e ProfessorWeb é a assinatura nas postagens produzidas e a outra é que a equipe de suporte estará promovendo e reforçando o seu acompanhamento, avaliação, sugestão e, enfim, contando com a sua efetiva colaboração para o bom desenvolvimento de nosso blog, afinal de conta ele é 100% colaborativo e 100% educativo.

De início, o RADIOLA PW traz a música “O que é que a baiana tem?”, proporcionando uma analogia dessa obra de Caymmi com as atribuições sociais da mulher contemporânea em nossa sociedade.

fashion-girl-sketch-with-colorful-paint-stains_422-2147498633

O que é que a baiana tem?” é uma canção composta por Dorival Caymmi, gravada em dezembro de 1939. É uma das músicas mais conhecidas da carreira da cantora Carmem Miranda e foi por muito tempo popularmente conhecida como o hino da Bahia, isso desde a interpretação desse samba no filme Banana da Terra, do diretor Wallace Downey.

Carmen_Miranda,_Banana_da_Terra_1939

Basicamente, a letra da canção fala sobre a tradicional vestimenta das mulheres negras e mestiças da Bahia, conhecidas na região do sudeste e sul do Brasil como baianas, ainda que não eram vendedoras do quitute baiano, acarajé, muitas eram compostas de saia comprida muito rodada, brincos e balangandãs. Essa vestimenta inspirou os tão reconhecidos trajes de Miranda, que levou para fora do país, com seus espetáculos musicais, um pouco de nossa cultura baiana.

“Quando eu estava no Rio, quis qualificar a baiana. Fiz ‘O Que É Que a Baiana Tem?’ para explicar para um povo estranho ao meu o que era uma baiana”, contou Caymmi.

Numa versão mais contemporânea, temos um remake (nova gravação) dessa música na voz da cantora Daniela Mercury e mixada com a gravação original de Carmem Miranda. Vale a pena conferir!

O tempo passou e, atualmente, as mulheres baianas e brasileiras não têm suas identidades culturais caracterizadas apenas por suas vestimentas e/ou lugares por onde eles andam. Hoje, temos mulheres no Congresso Nacional, no Conselho Nacional de Justiça, nos Tribunais de Justiça dos estados, inclusive na Bahia, no Superior Tribunal Federal, como Juízas, Desembargadoras, Ministras de Estado, Senadoras, Deputadas, Delegadas, Vereadoras, Prefeitas, Governadoras e tantas outras funções relevantes à nossa sociedade.

Letra da música.

O que é que a baiana tem? de Dorival Caymmi.

O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Tem torso de seda tem (tem). Tem brinco de ouro tem (tem).
Corrente de ouro tem (tem). Tem pano da Costa tem (tem).
Tem bata rendada tem (tem). Pulseira de ouro tem (tem).
E tem saia engomada tem (tem). Tem sandália enfeitada tem (tem)
E tem graça como ninguém…!

O que é que a baiana tem? (bis)
Como ela requebra bem…!
O que é que a baiana tem? (bis)
Quando você se requebrar caia por cima de mim (tris)
O que é que a baiana tem? Mas o que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Tem torso de seda tem (tem?). Tem brinco de ouro tem (ah!).
Corrente de ouro tem (que bom!). Tem pano da Costa tem (tem)
Tem bata rendada tem (e que mais?). Pulseira de ouro tem (tem)
Tem saia engomada tem (tem). Sandália enfeitada tem
Só vai no Bonfim quem tem…
O que é que a baiana tem? (bis)
Só vai no Bonfim quem tem…
O que é que a baiana tem? (bis)
Um rosário de ouro, uma bolota assim Ai, quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
Ôi, quem não tem balangandãs. Não vai no Bonfim
Ôi, não vai no Bonfim (6 vezes)

Como essa, temos muitas outras músicas que contemporizam o papel de participação da mulher, com beleza, brilho, lutas, conquistas sociais e valiosas inserções em nossa sociedade.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/O_Que_%C3%89_Que_A_Baiana_Tem%3F

http://dryicons.com/free-graphics/preview/fashion-illustration/

http://en.wikipedia.org/wiki/O_Que_%C3%89_Que_A_Baiana_Tem%3F#/media/File:Carmen_Miranda,_Banana_da_Terra_1939.jpg

Entre as Cidades Baixa e Alta!

Por André Soledade*

Ao fazer a travessia Mar Grande/ Salvador, somos surpreendidos pela beleza da cidade de Salvador, que se destaca de longe pelo desnível existente entre as Cidades Baixa e Alta. Olhando na direção do Elevador Lacerda, observa-se ao fundo um enorme paredão de rochas existente. Esse penhasco que une as Cidades Alta e Baixa, bem como toda faixa esverdeada, é conhecida pelos geólogos como Falha Geológica de Salvador. Essas falhas são o resultado de esforços aplicados sobre as rochas, que se quebram por não suportar o esforço ao qual são submetidas. Na nossa cidade, esta falha originou o relevo, que separa as Cidades Alta e Baixa, onde foram construídas diversas ladeiras, planos inclinados, elevadores com o objetivo de unir essas duas áreas geologicamente separadas.

Dentre as construções, a mais antiga, sem dúvida, é o Plano Inclinado Gonçalves, que originalmente era um guindaste construído sobre um plano inclinado, chamado de Guindaste dos Padres, cuja primeira notícia remonta a 1610. Mas é a partir da segunda metade do século XIX que os ascensores urbanos se consolidam como meio de transporte de pessoas entre as Cidades Alta e Baixa. Entre 1887 e 1889, o antigo Guindaste dos Padres dá lugar ao Plano Inclinado Isabel, que funcionava com duas cabines: uma servia de contrapeso para outra, estabelecendo o equilíbrio entre elas, mecanismo muito similar ao de uma balança.

Em 1873, a Companhia Transporte Urbanos construiu um elevador hidráulico de 63 metros ligando a Praça do Palácio Rio Branco à Conceição da Praia, estava inaugurado o Elevador Hidráulico da Conceição, atual Elevador Lacerda, que naquela época ficou conhecido como “Parafuso”, devido a uma peça em espiral que impulsionava as cabines. Somente a partir de 1894, teve seu nome alterado para Elevador Lacerda, em homenagem ao seu idealizador.

Em 1886, a mesma companhia que construiu o Lacerda decide construir o Elevador do Taboão, ligando a Ladeira do Taboão à Rua Julião. O sistema adotado nesse elevador ficou conhecido como “Balança”, uma vez que suas cabines eram equilibradas por um sistema de contrapesos, muito similar ao adotado hoje pelos elevadores modernos, que visa balancear a carga e a cabine utilizando menos energia durante a operação.

Atualmente, muitos desses ascensores encontram-se fora de operação e abandonado. É o caso do Elevador do Taboão, que se encontra em ruínas e servindo de abrigo para moradores de rua, desde 1963, e guarda entre suas ruínas um dos equipamentos mais raros do mundo. Preocupante também é a situação do Plano Inclinado Gonçalves, que permaneceu fora de atividade por mais de dois anos, retomando as suas atividades somente no final do ano passado.

Fontes:

http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=2984

http://www.cprm.gov.br/publique/media/Painel_Falha.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Elevador

http://www.tribunadabahia.com.br/2012/08/20/cartoes-postais-continuam-desativados

_______________________

* Professor da Rede Estadual de Ensino

Aqui se diz…

Por estas ruas de 466 anos, uma língua passeia e conta a história desta cidade. Para além do molejo no andar, do sorriso mais fácil e largo e do modo alegre de viver, há em Salvador uma língua falada que nos representa. Esqueçamos a caricatura que muitas vezes assistimos nas emissoras de tevê e prestemos mais atenção ao vocabulário de nossa gente. Recusamos estas imitações que prezam por nos igualar a todos os nordestinos, afinal, Salvador tem uma língua própria, o baianês, como se costuma chamar.

manuela-rodriguesOxe” é uma das expressões mais utilizadas por aqui e suspeito que é exclusivamente nossa. Não cabe em situação de espanto, surpresa ou indignação usar outra palavra que não seja “oxe” e quando não há mais nada a dizer, vale até repetir “oxe-oxe-oxe…” que logo se dá ao interlocutor a dimensão exata do susto que um fato qualquer nos causou. Quanto maior o susto, maior a quantidade de “oxe(s)”. Se quiserem explicação, vai aqui uma apenas pra gente seguir nesta prosa sobre a língua dos baianos: “Oxe” deriva de “Ô gente” e é uma expressão do português arcaico; é abreviatura (de oxente) e nos identifica tanto que até é possível encontrar alguma música nossa com esta palavra. Escutem, por exemplo, o xote de Manuela Rodrigues e Álvaro Lemos e será impossível segurar o riso, pelo sentimento de pertença que ele pode te proporcionar. Você ouve, ri e até sente uma vontadezinha de dançar aí mesmo onde você está.

Sim, é inegável. Os baianos gostam de brincar (e isto, alías, não se opõe a gostar de trabalhar, as duas coisas podem acontecer juntas, fato nada condenável). Inventar palavras parece a melhor das brincadeiras para os soteropolitanos, especialmente se elas de verdade conectam as pessoas, umas às outras. A gente se entende e para isso vale até atribuir o feminino onde, por princípio, não haveria, mas aqui “miseravão” vira “miseravona”, “bicho” vira “bicha” com a licença de muitos que pensam que se aqui se diz e aqui se compreende, tá valendo.

Uma conversa entre soteropolitanos é um espetáculo espontâneo, sem ensaios. É que os baianos usam muitos gestos para dar vida às ideias, usam todo o corpo como meio de expressão, característica que, não por acaso, também herdamos de nossos antepassados, os angolanos.

Aqui entre os nossos escutamos coisas como “abrir o gás” (ir embora, sair), “colé de mermo?” (O que é que você quer mesmo?), “aonde” (de jeito nenhum), “se plante!” (fique na sua), entre muitas falas de bastante originalidade.

“Vumbora” ou “Borimbora” é uma outra escolha predominantemente baiana. É a aglutinação de duas palavras e tem um efeito que pode tornar irrecusáveis alguns convites. A melodia da fala faz o comando e em geral o ouvinte escuta e segue. Em outras canções daqui é bem comum estas expressões e por esta razão arriscamos dizer que em nossa música está a nossa língua do mesmo modo que em nossa língua está a nossa música. Adriana Calcanhoto, ali perto, canta lindamente (Vem) “Vambora”, tão bem pronunciada na canção.

E se o que se escuta é “Simbora Mais Eu”, aí então é indiscutível o valor desta associação porque a palavra “mais” realmente soma em significado. E aí, é quase fatal responder: – Sim – Simbora!!!

Simbora” comemorar o aniversário de Salvador, minha gente! Viva nossa língua, nossa cultura!

Lilia C. Carvalho Rezende

Educadora Rede Anisio Teixeira

 

Salvador: uma mistura de tudo um pouco!

Por Telma Gonçalves*

Fundada em 1549, Salvador foi a sede do poder político e econômico da Coroa portuguesa no Brasil por mais de 200 anos. Mesmo quando a capital do reino do Brasil foi deslocada para o Rio de Janeiro, em 1763, Salvador continuou sendo um importante entreposto comercial do Império Português em que o fumo, a cachaça e o açúcar eram escoados para as mãos de traficantes de escravos que utilizavam essas mercadorias para comprar africanos na costa ocidental e centro-ocidental da África.voltaire_fraga_pinacoteca_f_005

O porto da Bahia, localizado ainda hoje na Cidade Baixa tornou-se conhecido como o porto do Brasil, como se na extensa faixa marítima da conquista portuguesa na América não houvesse outros. Um vai e vem de gente de todo o mundo, africanos sudaneses e banto, franceses, ingleses, holandeses e portugueses súditos da Coroa portuguesa – oriundos de Macau, da Índia, Angola e Moçambique – transitavam pelas ruas de Salvador no século XVIII e princípios do XIX! Essa terra era um verdadeiro caldeirão cultural.

Nas ruas oitocentistas de Salvador era falado o português, bem como uma língua crioula de tipo nagô, dentre outras trazidas pelos africanos de diversas origens. O yorubá, língua dos nagôs oriundos da Nigéria Ocidental e Baixo Daomé, podia ser ouvido em muitos “cantos”, como eram chamadas as esquinas do centro histórico em que se reuniam escravo de ganho de nações diversas1. É certo que o quimbundo, falado na África centro-ocidental, também poderia ser escutado por quem passasse junto a africanos saídos dos portos de Angola e Benguela. E, deste modo, falares africanos misturados ao tupi-guarani, língua dos primeiros habitantes do Brasil, foi dando forma ao português do Brasil!

1 Castro, Yêda Pessoa de. A Sobrevivência das Línguas Africanas no Brasil: sua influência na linguagem popular da Bahia. https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/3626/1/afroasia_n4_5_p25.pdf.

________________

* Professora da Rede Estadual de Ensino

Radiola PW – Gramofone

Gramofone é um quadro do programa Intervalo que apresenta clipes musicais com estudantes e professores da escola pública baiana. Neste episódio, os clipes são do professor de História, Carlos Barros, que interpreta a música “Rua da Graça”, composição de Harlei Eduardo e a aluna Caroline Marques, com a música “Chuva da gente”.

A Graça da cidade de Salvador

Oitenta metros acima do nível do mar são a guarida do bairro da Graça na cidade de Salvador.

Árvores e casas habitadas por pessoas da classe média e média alta soteropolitana caracterizam a população do lugar.

Sua história está ligada aos momentos iniciais da colonização quando a região fazia parte da chamada Vila Velha do Pereira, que coincidia com a velha Salvador, da fundação de Tomé de Souza, em 1549.

A Igreja e Abadia de Nossa Senhora da Graça foi construída sob ordem de Catarina Paraguaçu, mulher de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, casal famoso como referência dos primórdios da sociedade baiana. A igreja foi fundada em 1535.

Hoje, o bairro ocupa um lugar de destaque como parte da região mais abastada financeiramente e portadora de tradições sobretudo por ter abrigado o Campo da Graça, que foi praça de esportes da cidade na primeira metade do século XX, até a construção do estádio da Fonte Nova.

Entre outras curiosidades, a cantora Gal Costa morou no bairro – na Rua Rio de São Pedro – enquanto jovem e antes de se mudar para o eixo Rio-São Paulo, para seguir carreira nacional.

A Graça, desta maneira, é um dos bairros que emergem como relevantes para a história de Salvador. Como evoca sua relação com Nossa Senhora das Graças, salve a Graça, em Salvador!

Carlos Barros

Professor de História, Arte educador e cantor de música popular.

www.carlosbarroscantor.com

Clique nas imagens abaixo para assistir aos clipes.

 

Gramofone – Rua da Graça

CarlosBarros

Gramofone – Chuva da gente

Chuva

Cine Documental – Minha Escola, Meu Lugar – Colégio Ypiranga

O quadro Minha Escola, Meu Lugar, do programa Intervalo, apresenta a influência histórica e sociocultural de uma Unidade Escolar baiana com seu município ou seu bairro. Neste episódio, a escola evidenciada é o Colégio Estadual Ypiranga e o bairro Dois de Julho, em Salvador.

O Ypiranga funciona no histórico Solar do Sodré, datado do século XVII e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. O poeta baiano Castro Alves (1847-1871) residiu nesse prédio nos seus últimos anos de vida. O tradicional bairro Dois de Julho, nome que registra a data da Independência da Bahia, está localizado no centro comercial de Salvador, mas guarda ares pitorescos de área residencial, além de possuir uma vista privilegiada para a Baía de Todos os Santos.

Professores, dirigentes escolares, alunos, ex-alunos, moradores antigos participam dessa produção, mostrando suas impressões acerca do Ypiranga e do bairro Dois de Julho. Este é um convite para você conhecer um pouco da história do Colégio Ypiranga e do bairro Dois de Julho. Aprecie! Clique na imagem abaixo.

Minha Escola, Meu Lugar – Ypiranga

Ypiranga