II Seminário de Educação e Tecnologia: como foi o segundo dia

A sessão de compartilhamentos abriu as discussões do segundo dia do II Seminário de Educação e Tecnologia. Professoras e professores da rede estadual de ensino apresentaram aos participantes os trabalhos que desenvolveram em suas respectivas unidades escolares, com o auxílio das tecnologias digitais. Cristine Pires, do Colégio Estadual Professor Aristides de Souza Oliveira, falou sobre o Aristides em Ação; Atonio Vilas Boas, do Colégio Estadual de Conceição do Jacuípe, defendeu Outras Linguagens no Ensino de História; Rejane Ramos, do Colégio Estadual José Antônio de Almeida, apresentou o Movidos pela História.

Logo após, formou-se a mesa Tecnologias Assistivas e Robótica Livre na Educação, com Patrícia Magris (do projeto Robótica Pedagógica Livre) e Marcos da Paz (do Guarux). Patrícia falou da relação de software livre com acessibilidade: “O software livre possibilita um acesso maior, a um maior número de pessoas, mas que ainda não é universal” e levantou uma provocação referente à sociedade e às redes: “A gente deve questionar o papel das redes e o nosso papel diante delas. Está faltando, talvez, trabalhar os coletivos. Que coletivos são esses que não se reúnem?”. Marcos da Paz, que trabalha no setor de desenvolvimento de software livre da prefeitura de Guarulhos, explicou porque o Guarux, sistema operacional livre desenvolvido pela prefeitura da cidade paulista, é inovador: “Ele reúne, num único sistema, tecnologias educacionais, assistivas, corporativas e inclusão digital e social”.

A mesa seguinte, cujo tema foi Conhecimentos e Mídias Livres para a Promoção das Culturas e Diversidades, contou com a participação de Fernanda Martins, representando a Rede de Pontos de Cultura Indígena de Olivença; e João Araujo e Raulino Júnior, da equipe do Blog do Professor Web da Rede Anísio Teixeira. Fernanda focou a sua apresentação falando da Thydêwá, uma organização não governamental constituída por indígenas e não indígenas e que trabalha para promover a diversidade cultural e o fortalecimento dos talentos indígenas. “A gente coloca a cultura indígena no centro do processo de educação através da apropriação crítica da tecnologia”. João falou sobre os objetivos do Blog do PW e do processo de trabalho da equipe e Raulino sobre as potencialidades que um blog pode ter. Veja, no vídeo abaixo, tudo que aconteceu no turno matutino.

O Compartilhamento de Mídias Educacionais Livres foi a temática discutida por Aurélio Herckert, da Rede de Intercâmbio de Produção Educativa (RIPE); André Santana, diretor da Biblioteca Virtual 2 de Julho e pelos professores do Comitê Gestor do Ambiente Educacional Web (AEW). Aurélio falou sobre recursos educacionais abertos e chamou a atenção para o uso deles fora de sala de aula também. “Os softwares também servem para trabalhar conteúdos em sala de aula e fora dela também. Não vamos ficar presos a esses espaços”. André apresentou os objetivos e trabalhos desenvolvidos pela biblioteca virtual. “O objetivo da biblioteca é reunir informações sobre a história da Bahia, mas a gente amplia essa ideia, trazendo temas relacionados à cultura e arte”. Ródnei Souza, do AEW, fez questão de falar sobre as peculiaridades do ambiente educacional. “O AEW é peculiar porque é feito por professores da rede pública de ensino.”

A última mesa, que tratava sobre Projetos Educacionais de Apropriações Tecnológicas, reuniu a professora Malu Pinto, da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul; Maria Rita, coordenadora de tecnologia educacional do Instituto Anísio Teixeira; Letícia Machado, do projeto Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (Emitec), da Secretaria da Educação da Bahia e José Renato Gomes, coordenador do Núcleo de Inovação em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, o NIAVA. Malu compartilhou com os participantes um pouco das ações do projeto Programa Província de São Pedro, realizado no seu estado. Província de São Pedro foi o primeiro nome do Rio Grande do Sul. Na ocasião, ela falou da importância do uso das tecnologias digitais. “A tecnologia é o fio condutor de todos os projetos escolares. Ela unifica a escola porque não é um fim em si mesma”. Letícia abordou o processo de expansão do Ensino Médio da Bahia, enfatizando a experiência do Emitec. “Nós temos um trabalho de ensino-aprendizagem no Ensino Médio em que a construção do conhecimento se faz o tempo todo em rede, de forma colaborativa”. Maria Rita falou, especificamente, do trabalho do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), que tem como objetivo promover a formação continuada dos profissionais da educação do estado da Bahia. “Precisamos fortalecer o uso das tecnologias da informação e da comunicação nas escolas através de projetos e da colaboração e apoio dos gestores e das diretorias regionais”. Durante a sua apresentação, José Renato explicou qual é a principal missão do NIAVA: “Nossa missão é fazer com que possamos, de fato, implementar salas de aprendizagem virtual, que deve refletir o ambiente real de sala de aula”.

As discussões do II Seminário foram encerradas com mais uma série da sessão de compartilhamentos. Jaqueline Daltro de Carvalho, do Colégio Estadual do Stiep Carlos Marighella, falou sobre o projeto O Conto Maravilhoso: do Papel às Novas Tecnologias; Marinalva Batista dos Santos Neves, do NTE-02, apresentou a oficina Aprendendo a Aprender- Oficina Sobre o Uso do Acervo Digital; Dimitri Sarmento Silveira, do Colégio Estadual Dalva Matos, defendeu o Projeto Escola Z; e, por último, Carlos Antonio Neves Junior, do Programa Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (Emitec), falou sobre o projeto Videoaulas Externas como Fator Motivador da Aprendizagem. Abaixo, você confere o que rolou no turno vespertino.

Continue acompanhando a nossa série de postagens sobre o II Seminário de Educacão e Tecnologia. Até a próxima!

II Seminário de Educação e Tecnologia: como foi o primeiro dia

O II Seminário de Educação e Tecnologia reuniu gente da Bahia e de outros cantos do Brasil. O evento uniu vários sotaques e culturas com um importante propósito: discutir e pensar o uso e a produção de mídias e tecnologias livres nas escolas. Durante os dois dias, debates, discussões e questionamentos protagonizaram a atenção dos participantes.

No dia 14 de maio, a primeira temática discutida falou sobre mídias e tecnologias educacionais livres, abordando os conceitos e as políticas públicas relacionadas. Mônica Franco, da Diretoria de Formulação de Conteúdos Educacionais do Ministério da Educação e Yuri Wanderley, colaborador da Rede Anísio Teixeira, participaram da mesa. Em sua fala, entre outras coisas, Mônica chamou a atenção para as transformações que ocorreram na educação pública brasileira para a valorização da escola como um lugar de aquisição de conhecimento. “Eu me preocupo muito com essa tendência de desvalorizar a escola e valorizar os espaços virtuais, como se a escola não fosse mais necessária”, pontuou. Yuri destacou a importância de cada pessoa utilizar as tecnologias da informação e da comunicação de forma crítica. “A gente fala de um estímulo a apropriações tecnológicas, não de inserção, de uso. Porque a gente quer propor um uso crítico, diferenciado e problematizador”. Confira tudo que foi discutido nesta mesa clicando aqui

Em seguida, Rodrigo Nejm, da Safernet; e Débora Abdalla, do Programa Onda Solidária de Inclusão Digital, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), estiveram na mesa redonda que tratava de ética e tecnologias livres na inclusão digital. De acordo com Débora, o ambiente escolar tem um importante papel nessa discussão. “A gente precisa, cada vez mais, da escola e dos professores para orientar todo esse uso de tecnologia. O papel da escola é questionar, problematizar. Isso é ética”. Rodrigo considera a combinação de ética e tecnologia como uma temática que sempre deve ser discutida: “É necessário incorporar questões de ética e cidadania dentro e fora dos ambientes escolares, mesmo sendo um desafio”. Para assistir a íntegra desta mesa, clique aqui.

Veja o vídeo completo do turno da manhã e compartilhe conosco as suas impressões.

No turno vespertino, os destaques foram as sessões de compartilhamento, encabeçadas por professoras da rede estadual de ensino. Magaly Alencar, do Centro Estadual de Educação Magalhães Neto, apresentou o trabalho A Tecnologia Facilitando o Conhecimento; Huda Santiago, do Colégio Estadual Aristides Cedraz de Oliveira, compartilhou com o público o projeto Comunicação, Interação e Aprendizagem; e Elisabeth Amorim, do Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas, falou sobre A Literatura em Rede: o texto escapando da sala de aula.

Outro destaque da tarde foi o lançamento do programa Intervalo, com os educadores da TV Anísio Teixeira. O Intervalo é um programa feito com a comunidade escolar, para a comunidade escolar e sobre a comunidade escolar. É composto de nove quadros (Minha Escola, Meu Lugar, Ser Professor, Cotidiano, EmCenAção, Faça Acontecer, Gramofone, Diversidades, Histórias da Bahia e Filmei!), cada um com quatro minutos de duração. Toni Couto, colaborador da TV Anísio Teixeira, enfatizou que toda a equipe se esforçou para que os programas não ficassem maçantes. “Nós nos esforçamos para que o conteúdo não chegasse ao estudante como mais uma videoaula. Os quadros do Intervalo são de caráter lúdico e pretende plantar uma semente para que o estudante floresça como indivíduo”.

As discussões foram encerradas com a mesa redonda que discutiu as formas de apropriação da linguagem audiovisual pela comunidade escolar. Toni Couto (da TV Anísio Teixeira), Nide Nobre (da Coordenação de Projetos Intersetoriais da Secretaria da Educação da Bahia), Beto Severino (da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA)) e José Araripe Júnior (do Irdeb/Secom) foram os responsáveis pelo debate. Araripe Júnior, em seu discurso, fez questão de esclarecer que não é apenas os equipamentos eletrônicos que devem ser considerados como tecnologia. “Há uma mistificação de que a tecnologia é tudo aquilo que é eletrônico. O garfo e o lápis são instrumentos tecnológicos. Foi a compreensão do mundo, a partir das nossas ferramentas, que nos permitiu evoluir”. Já Nide Nobre, que coordena os projetos culturais (AVE, EPA, TAL, Face e Prove) promovidos pela Secretaria da Educação nas escolas públicas, acredita que o aspecto cultural é indispensável no processo educativo: “Não há mais como dissociar a educação da vida. A educação pós-moderna é aquela que deve ser retomada a partir da vida cultural. A gente tem que entender o estudante como sujeito de criação, não há mais lugar para ele ser visto como objeto de consumo”, avaliou. Beto Severino chamou a atenção para o caráter autônomo proporcionado pelo uso de audiovisual no ambiente educativo . “O audiovisual, como ferramenta nas escolas, pode contribuir para que nós possamos ver outras coisas; mas, mais importante, para que possamos nos ver fazendo outras coisas. A noção de emissor e receptor já está bastante enfraquecida na contemporaneidade. Cada vez mais, nós somos produtores”.

                                                   

Para encerrar as atividades do dia, houve uma apresentação cultural com os professores e colaboradores do programa Intervalo: Carlos Barros, Elton Prata, Andréa Prata e Carlos Leal.

É isso aí! Foi muito bom poder compartilhar com vocês mais este momento de ensino, aprendizagem e colaboração. Até mais!

II Seminário de Educação e Tecnologia – (2º Dia)

Assista aqui aos vídeos do segundo dia de cobertura do II Seminário de Educação e Tecnologia, que tratou sobre o uso e a produção de mídias e tecnologias livres nas escolas.

(1ª mesa)

(2ª mesa)

II Seminário de Educação e Tecnologia – 1º Dia do Seminário

Educadores, estudantes e interessadas/os na temática de educação e tecnologia digital vão poder ampliar ainda mais os seus conhecimentos. A razão disso é o II Seminário de Educação e Tecnologia, que terá como ênfase o uso e a produção de mídias e tecnologias livres na escola. O evento, que acontece no Instituto Anísio Teixeira (IAT), vai discutir assuntos como políticas públicas relacionadas às mídias e tecnologias livres, ética, inclusão digital, tecnologias assistivas e robótica. Na ocasião, as/os educadores da TV Anísio Teixeira vão lançar o mais novo programa do projeto, cujo nome é Intervalo.

Apropriação crítica

No início deste ano, numa entrevista para a Revista do AEW, Yuri Wanderley, coordenador da Rede Anísio Teixeira e um dos palestrantes do evento, afirmou que “a tecnologia digital deve ser apropriada de forma crítica e contextualizada nos processos de ensino-aprendizagem”. A Rede Anísio Teixeira, que trabalha com tecnologia digital e mídias educacionais há 5 anos, tem como preocupação manter um diálogo crítico e reflexivo com professores e estudantes da rede estadual de ensino, através de suas mídias (o Blog do Professor Web, a TV Anísio Teixeira e o Ambiente Educacional Web). “Aqui na Rede Anísio Teixeira, a gente entende que a tecnologia não se justifica como um fim na educação, ela é mais um meio de se fazer educação, principalmente no momento em que proporciona, por meio da rede mundial de computadores, o acesso a conhecimentos diferenciados, que partem de diferentes pontos de vista, publicados por diferentes sujeitos, sobre quase todos os assuntos do mundo”, enfatiza Yuri.

O Blog do PW vai transmitir a videoconferência ao vivo e fará a cobertura do II Seminário de Educação e Tecnologia. Acompanhe o nosso Facebook e Twitter e fique por dentro das discussões. Grande abraço!

As inscrições para o ENEM 2014 começam nesta segunda, 12 de maio

O Exame Nacional do Ensino Médio – Enem 2014, será realizado nos dias 8 e 9 de novembro. As inscrições começam na próxima segunda-feira, 12, e terminam às 23h59 de 23 de maio. Nesta edição, o exame terá novidades para acessibilidade e segurança. A partir desta edição, a página do Enem vai oferecer o edital do exame em formato de leitura compatível com um sistema para deficientes visuais, e um vídeo na língua brasileira de sinais (libras) para os deficientes auditivos.

A nota do Enem é utilizada como critério para acesso ao ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece vagas em 115 instituições públicas de educação superior, e do Programa Universidade para Todos (ProUni). Além de ser requisito para outros programas de apoio estudantil, como o Fundo de Financiamento Estudantil – Fies, Ciência sem Fronteiras ou para ingressar nas vagas gratuitas dos cursos técnicos oferecidos pelo Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Estudantes maiores de 18 anos podem obter a certificação do ensino médio por meio do Enem.

 Isenção Alunos da rede pública de ensino e candidatos que se declarem financeiramente carentes estão isentos da taxa de inscrição. Para os demais, o valor permanece o mesmo do ano passado (R$ 35) e deve ser pago até o dia 28. O edital com as regras do Enem 2014 já está disponível.

Fonte: INEP / MEC

Cine PW: 5X Favela – agora por nós mesmos

Salve, salve, galera!

Você já viu a favela dos bandidos. Você já viu a favela dos policiais. Agora você vai ver a favela dos moradores.”

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Hoje, o Cine PW vai apresentar uma obra, aliás, uma não, cinco obras que compõem o filme “5X Favela – agora por nós mesmos. O audiovisual faz uma referência ao longa-metragem de 1962 – “Cinco Vezes Favela, dirigido por Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Marcos Farias e Leon Hirszman, que abordou as problemáticas e dificuldades enfrentados por moradores de bairro populares do Rio de Janeiro. O filme mostra a visão de diretores que moraram ou moram em favelas do Rio sobre a mesma temática e conta com o apoio de organizações socioculturais locais como a Central Única das favelas/Cufa (Cidade de Deus), Nós do Morro (Vidigal), Observatório das Favelas (Complexo da Maré), AfroReggae (Para de Lucas)  e Cinemaneiro (sede na Lapa).

A obra de hoje traz cinco histórias que retomam o mesmo cotidiano da obra de 1962, entretanto, são construções feitas a partir do ponto de vista dos moradores. Por esta razão, recebe o subtítulo “…agora por nós mesmos”. É uma mostra de outras características que compõem a vida comunitária, reverenciando a resistência e história deste povo.

– O primeiro dos cinco episódios, “Fonte de Renda”, conta a história de um jovem, Maicon (Silvio Guidane), que realiza o sonho e consegue ingressar no ensino superior. No entanto, Maicon se vê frente a muitas dificuldades e terá que enfrentá-las se quiser continuar seus estudos. Para não abrir mão disso, ele se envolve em várias tramas.

– O segundo episódio, “Arroz e Feijão”, narra os conflitos que uma família enfrenta para conseguir oferecer ao filho, Wesley (Juan Paiva), um quarto. Como solução, os país resolvem conter gastos e cortar despesas, reduzindo o cardápio a arroz e feijão por meses.

– O episódio de número três, “Concerto para Violino”, conta a história de vida de três amigos – Márcia (Cíntia Rosa), Jota (Thiago Martins) e Ademir (Samuel de Assis) – cujas vidas seguem caminhos diferentes e, às vezes, antagônicos.

– “Deixar Voar” é o quarto episódio e se passa num contexto de disputa e conflitos entre facções do tráfico de drogas. Na trama, Flávio (Vitor Carvalho) deixa a pipa de seu amigo cair em outra comunidade. Para resgatá-la, ele se arrisca indo à comunidade da facção rival.

– A série termina com o episódio “Acende a Luz”, que se passa na época dos festejos natalinos, em que uma comunidade inteira fica sem energia elétrica. Para resolver o problema e restabelecer o fornecimento, funcionários da companhia de energia são enviados. Porém, o problema é tão mais sério quanto as atitudes que serão adotadas para resolvê-lo.

O filme é uma reflexão sobre os tipos de abordagens feitas por quem vem de fora para comunidades populares, contradizendo a visão local sobre as realidades, cujas atitudes demonstram resistência e enfrentamento às dificuldades a que estão sujeitos diariamente. Também mostra a capacidade de mobilização social das comunidades para intervir e sanar as problemáticas.

Boa sessão e até mais!

Fontes: Cinco Vezes Favela e Youtube 

A ciência indígena

É senso comum entre as pessoas achar que os índios que aqui viviam antes da chegada dos portugueses não tinham nenhum conhecimento científico e matemático. Infelizmente, a cultura ocidental só aceita como verdadeiro o conhecimento matemático e científico produzido pelos gregos e por grandes expoentes da Ciência, como Galileu Galilei, Isaac Newton, Einstein e outros; desconsiderando, assim, qualquer outro tipo de produção que não fosse daqueles cientistas. Cada grupo de mesma cultura, mesma língua, possui um modo particular de desenvolver seu conhecimento científico e matemático.

As comunidades Aruak, por exemplo, cujas principais tribos eram aruã, pareci, cunibó, guaná e terena, tinham uma forma bem diferente de contar. No seu sistema de numeração, não há números do sistema decimal, tais como dois, três, quatro, cinco… Nesse sistema, os cálculos eram feitos através da correspondência um a um, conhecida como sistema de numeração de base um. Por exemplo, um homem não pensa: “Vou cortar quatro estacas de madeira para fazer uma casa”. Ele pensa: “Vou cortar uma estaca para cada canto da casa”. Com esse tipo de cálculo biunívoco, não é necessário uma grande quantidade de caracteres numéricos. Mesmo assim, tendo apenas um único termo numérico, esse sistema é sensato e adequado às necessidades dos povos que utilizam-no. Já as comunidades do Alto Rio Negro, adotam o sistema de numeração de base pentanumérica, cuja origem é explicada na existência dos cinco dedos das mãos. Ou seja, o número cinco significaria literalmente “uma mão”. Por exemplo, o número quarenta, pode ser representado por dois homens, pois cada homem tem vinte dedos, levando em consideração os dedos dos pés.  PeixesAté o seu sistema de medida está totalmente adaptado às suas necessidades. Por exemplo, quando eles querem construir seus arcos e flechas, as dimensões desses instrumentos, bem como da corda que compõe o arco, são proporcionais a seus braços. Note-se que o braço, então, é utilizado como unidade de medida. Já na medição do tempo, estamos habituados com unidades como o dia, a semana, o mês; enquanto algumas comunidades indígenas contam o tempo por luas.

Portanto, as diferenças nos sistema de numeração, medida e contagem do tempo entre os indígenas e os povos da cultura ocidental são grandes e variam conforme a necessidade de adequação ao meio social, natural, econômico, mítico e sobrenatural em que cada comunidade se encontra.

Já no campo da tecnologia, destacam-se a confecção de artefatos como o arco, flecha e a lança, utilizados na antiguidade como armas de guerra e hoje usado para a caça, pesca, rituais e jogos. A construção destas armas varia de acordo com cada comunidade. Na maioria delas, o arco é feito do caule de uma palmeira chamada tucum, de cor escura, muito encontrada próxima aos rios, enquanto que a flecha é feita de uma espécie de bambu, chamada taquaral ou caninha. A ponta geralmente é de ossos ou dentes de animais, sendo que cada etnia utiliza uma tecnologia diferente.

Na Ciência, destaca-se o conhecimentos de Física que algumas comunidades utilizam nos jogos indígenas. Dentre as modalidades, a prova do ‘Arco e Flecha’ consiste numa competição individual em que o participante deve atingir o alvo, geralmente o desenho de um peixe, colocado a 30m de distância. Essa prova envolve uma habilidade muito grande do arqueiro. Apesar de não conhecerem as leis que estão por trás do lançamento de um objeto, muitas dessas comunidades conhecem o ângulo de lançamento que lhes permitem obter o alcance máximo (a saber, 45°) e se utilizam da intuição e do conhecimento popular para obter sucesso no lançamento de flechas. Através da equação do alcance:  A={[(V0)²/g]×sen(2θ) , formulada por Galileu, podemos confirmar que de alguma forma, não sabemos como, esses povos chegaram a esses valores sem o uso da Matemática convencional. O certo é que o valor máximo do alcance ocorre quando senφ = 1 e esse resultado só ocorre quando o ângulo ‘φ’ é de 90°, como φ=2θ , então concluímos que 90°=2θ , logo θ=45º.

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Outra modalidade muito popular entre eles é o cabo de guerra, cujo objetivo é medir a força e a técnica de cada grupo. Entre os indígenas, essa é uma das provas mais aguardadas; isso porque, para eles, a força física é de suma importância, dando o caráter de destaque e reconhecimento entre todos da comunidade. O conceito de força é explicado pela ciência contemporânea através da 2ª lei de Newton, formulada pelo físico Inglês Isaac Newton. Segundo essa lei, a força é o produto da massa do corpo pela aceleração adquirida por ele. Newton, além de um notável matemático, possuía um habilidade muito grande na construção de instrumentos. E, para medir a força, ele desenvolveu um instrumento chamado dinamômetro, que mede a força baseada na proporcionalidade existente entre força e deformação (essa proporcionalidade foi estabelecida por Robert Hooke). Apesar de não possuírem nenhum instrumento para medir a força física dos seus guerreiros, acredita-se que era através desta modalidade esportiva, que as comunidades primitivas mediam e desenvolviam a coragem e os limites da capacidade física dos seus guerreiros. Ou seja, através do cabo de guerra era possível selecionar os guerreiros com maior força e preparo físico.

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Através deste breve histórico, pudemos conhecer um pouco mais sobre o conhecimento matemático e científico das diversas comunidades indígenas existentes no Brasil. Percebemos que, ao contrário do que muitos pensavam, esses povos possuem a sua própria forma de contar, medir e construir um conhecimento científico que é sensato e adequado às suas necessidades. Esse conhecimento foi produzido a partir da sua interação com a natureza e com outros indivíduos, e aos poucos vem sendo resgatado por essas comunidades e suas escolas indígenas. Todas as situações pontuadas neste texto sugerem a riqueza de conhecimentos que envolvem as práticas indígenas e como elas podem ter aproximação com a Física e a Matemática estudadas nas nossas escolas, contribuindo assim para uma prática escolar que respeite e compreenda a cultura dos povos indígenas.

André Soledade e Samuel de Jesus

Bibliografias

Fontes: Secretaria de Educação do Paraná, UFSC, Editora Realize e ENEM10.  Acessados em 15/04/2014