Cine PW: Pajerama

Salve, salve, galera!

Neste mês de abril, focamos nossas conversas nas questões que envolvem os povos indígenas, suas histórias, culturas e lutas. Foi um mês em que também compartilhamos conteúdos de autoria dos próprios indígenas, como textos, filmes e músicas. Além disso, contamos com o site temático “Culturas Indígenas”, que está disponível para consulta.

Hoje, vamos indicar um curta-metragem em 3D chamado “Pajerama”. Trata-se da obra do diretor e criador Leonardo Cardaval, cuja história ilustra o contraste do encontro entre a realidade de sociedades industriais com as culturas indígenas.

       Cartaz da animação

Cartaz da animação

Na trama, que dispensa diálogos, o protagonista é um jovem indígena que vivencia experiências atemporais, descontínuas e entrelaçadas. O jovem encontra em sua caminhada elementos que revelam o quanto o desenvolvimento industrial e o advento do “progresso” vulnerabiliza as sociedades indígenas, obrigando-os a mudarem suas formas tradicionais de habitarem no mundo.

O filme serve para refletirmos sobre o modo como a expansão do espaço urbano e o crescimento dos centros produtivos, latifundiários e industriais se impõem à memória, história e território desses povos.

Sabemos que, assim como o filme ilustra, nossos povos indígenas hoje são vitimados pelo “desenvolvimento” técnico e tecnológico das outras formas culturais de viver. Mas, sabemos também, que é possível promover formas de viver que priorizem o respeito e o direito à vida de cada cultura, sem extinguir ou sucumbir as outras.

Contamos com você nesta caminhada. Valeu e até a próxima conversa!

Fonte: Vimeo, Culturas Indígenas e Porta Curta

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Juventudes indígenas e o Ensino Superior

Olá, pessoal! Reforçando nossas abordagens sobre a Cultura e Historia dos Povos Indígenas, falaremos sobre a realidade de jovens indígenas que se distanciam de suas comunidades para prosseguir com os estudos. A maioria precisa migrar para lugares distantes de suas aldeias, como algumas metrópoles, a fim de aprimorar a própria formação.

É importante entender que esses jovens indígenas vão em busca da complementação dos estudos no intuito de adquirir outros conhecimentos para aplicarem em suas aldeias. Nesse sentido, potencializam seus enfrentamentos na luta contra a extinção das próprias histórias, culturas e saberes tradicionais.

Na Bahia, segundo os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2010, 1.355 pessoas indígenas completaram o Ensino Superior e 7.350 ainda seguiam em curso. Além disso, temos o exemplo da professora  Arissana Braz, que leciona na rede municipal de Porto Seguro e é indígena da etnia Pataxó. Ela é integrante da Aldeia da Jaqueira.

Em 2006, Arissana ingressou no curso de Artes Plásticas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e seguiu nos estudos e pesquisas da Historia e Cultura do povo Pataxó, cuja maioria está na região do extremo sul da Bahia. Em 2012, ela defendeu sua dissertação de mestrado com o título “Arte e Identidade: adornos corporais Pataxó”.

Durante todo o período que esteve no ensino superior, Arissana manteve-se distante de sua comunidade e, consequentemente, de sua família; mas jamais perdeu o foco e identidade Pataxó, retornando mestre em Estudos Étnicos e Africanos.

É isso aí! Saiba que, assim como nós, “não-indígenas” ou “não-aldeadas/os”, a juventude indígena tem ocupado os espaços de debates para (re)construir suas histórias de resistência. Se quiser saber ainda mais, não esqueça de acessar o link para assistir ao vídeo.

Valeu e até mais!

Fontes: blog Arissana, UFBA e Vimeo

Radiola PW – Memória Viva Guarani

Olá, pessoal!

Uma nova semana surge para aprender mais sobre as culturas indígenas. Dessa vez, o Radiola PW indica um álbum gravado em 2000, chamado “Memória Viva Guarani”, que tem a participação de 11 corais infantojuvenis. São mais de 200 crianças entoando canções da tradição das etnias de matriz Guarani. Um trabalho que envolve as aldeias Krukutu, Tenondé Porã, Tekoa Pyau, Sapukai, Boa Vista, Rio Silveira, Itaóca, Rio Branco, Piaçaguera, Pindo ty e Peguao ty, localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro.

Além de divulgar e difundir a cultura e a música Guarani, esse trabalho é essencial como registro  e manutenção das tradições, bem como para colocar à mostra esse conhecimento.

Nande Reko Arandu – Memória Viva Guarani é composta das seguntes músicas:

1 Nhaneramoi’i Karai Poty
2 Gwyrá Mi
3 Mãduvi’ju’i
4 Xekyvy’i
5 Nhanderuvixa Tenondei
6 Nhamandu
7 Mamo Tetã Guireju
8 Oreru Orembo’e Katu
9 Oreyvy Peraa Va’ekue
10 Xondaro’i
11 Pave Jajerojy
12 Nhamandu Miri
13 Ka’aguy Nhanderu Ojapo Va’ekue
14 Oreru Nhamandú Tupã
15 Xondaro

Confira: http://www.youtube.com/watch?v=l469uaunv6A

Até a próxima!!

Culturas indígenas em debate

“O Brasil não foi descoberto. O Brasil foi invadido”. Essas palavras, ditas pela índia Potyra Tê Tupinambá, na videoconferência Apropriações tecnológicas no ensino – aprendizagem da história e cultura dos Povos Indígenas, realizada na quarta-feira, 23 de abril, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), revelam a forma como os povos indígenas querem ser representados: sem invasão. E invasão, aqui, não é só metáfora; é constatação. Além de trazer reflexões sobre a cultura indígena, o principal objetivo da videoconferência foi o de estimular a implantação da Lei 11.645/08, que trata da obrigatoriedade de incluir no currículo oficial da rede de ensino a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. A mestre em educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Rosilene Cataa Tuxá, e o antropólogo e professor da UNEB, José Augusto Laranjeiras Sampaio, também integraram a mesa de discussões.

Na abertura do evento, o coordenador geral da Rede Anísio Teixeira, Yuri Wanderley, enfatizou a importância de o texto da lei ser lido e relido e fez uma exigência: “Mais importante do que saber sobre a cultura dos povos indígenas, é conhecer a história e cultura contada pelos próprios indígenas”. Nesse sentido, a índia Potyra indicou algumas mídias digitais em que indígenas falam de sua história e cultura, como os sites Índio Educa e Oca Digital. Segundo ela, a troca de ideias é a melhor forma de introduzir a cultura indígena em sala de aula. A militante destacou também a função dos Pontos de Cultura Indígenas, que fazem parte do programa Cultura Viva, do governo federal. “É um espaço de diálogo, de interação e de construção do conhecimento”.

Rosilene Cataa Tuxá afirmou que os povos indígenas estão se apropriando das novas tecnologias de forma eficaz e consciente. Sobre a efetiva implantação da Lei 11.645/08, ela acredita que vai auxiliar para que a cultura indígena não seja reproduzida de forma estereotipada. “Vai contribuir para desconstruir uma história que foi construída pelo olhar do colonizador”. José Augusto Laranjeiras Sampaio, que também é diretor e sócio-fundador da Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ), acha que a lei veio para preencher uma lacuna. “É uma forma de superar estereótipos. Contudo, em relação aos professores, é preciso desensinar para ensinar. Ninguém ensina o que não sabe”, pontuou.

A videoconferência foi transmitida para mais de 25 cidades baianas, entre elas Ilhéus, Caetité, Feira de Santana, Macaúbas, Itabuna e Eunápolis. Se você não conseguiu acompanhar ao vivo e tem interesse no tema, segue vídeo com conteúdo completo da Videoconferência.

Veja também link para site temático produzido pela equipe do PW.

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Forte abraço.

Simulação Física

Olá, pessoal.

Ultimamente, o assunto abordado em nossas postagens sobre 3D, tem sido animação. Dando continuidade, hoje falaremos  sobre simulação física. Esta é um tipo de animação que não utiliza keyframes (quadros-chave) e por isso sua aplicação é mais freqüente em jogos de videogame e outras situações que necessitam de um processamento em tempo real.

A simulação física, de maneira genérica, é uma forma de “imitar” o modo como os diversos tipos de corpos se comportam no mundo real, especialmente quando interagem entre si.  São inúmeras as situações que podem ser simuladas por programas de computador, como por exemplo, o choque entre dois corpos rígidos, o choque de um líquido contra uma parede, o movimento de tecidos ou algo que tenha comportamento semelhante, como cabelo.

As simulações físicas realizadas em um programa de computador, como softwares de modelagem e animação 3D, por exemplo, são baseadas em modelos matemáticos, como no caso da simulação dinâmica, que é descrita por uma equação diferencial ou uma equação diferencial parcial. Isso significa que não podemos controlar através de keyframes, o curso desse processo, e sim, através de algoritmos e expressões matemáticas.

Em geral, a essência dessas simulações está na modelagem de contato, que consiste em impedir que os objetos envolvidos se interpenetrem. Para que essa ação tenha eficácia, é necessário buscar no mundo  real quais são as forças responsáveis pelo  evento e, uma vez calculadas, utilizá-las para reproduzir virtualmente o comportamento esperado.

Os resultados são apresentados no monitor, através de sucessivas imagens, com imperceptível diferença de uma dada imagem e sua sucessora.

Segue um vídeo com algumas demonstrações.

Até a próxima.

Cine PW: “Quem são eles?” e “Uma outra história”

Salve, salve, galera!

Este mês vamos dar atenção especial aos Povos Indígenas brasileiros com as postagens do Cine PW. Abordaremos, portanto, temas inerentes às causas indígenas da atualidade. Para começar, vamos ver e ouvir um pouco da história do Brasil de acordo com a visão da população que esteve aqui desde antes da chegada dos brancos portugueses: os nativos.

A série de dez videodocumentários chamada “Índios no Brasil” é uma produção do projeto Vídeo nas Aldeias – VNA, com cooperação da TVEscola, sob o comando de  Ailton Krenak,  indígena da etnia Krenak, situada no Vale do Rio Doce – MG.

A atividade é precursora na área de produção audiovisual indígena no Brasil e tem por objetivo “apoiar as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais, por meio de recursos audiovisuais”, além de possibilitar o intercâmbio inter-indígena através do compartilhamento das produções entre os povos indígenas acompanhados pelo VNA.

Começamos com o primeiro episódio, intitulado “Quem são eles?”. Ele é construído com base nos depoimentos de entrevistadas/os não-indígenas, destacando o que elas/es sabem da existência, da história e dos hábitos dos povos indígenas. No entanto, ao longo do vídeo, as/os entrevistadas/os deixam nítido a pouca informação e a controvérsia entre a história oficial e o que são os indígenas segundo eles próprios.

Assista ao “Quem são eles” aqui.

Geralmente, quando pesquisamos informações sobre a história do Brasil, constatamos que o indígena é tratado como um ser que parou no passado. Além disso, relacionado a atraso, preguiça e selvageria. Este episódio apresenta quem são e como vivem alguns povos indígenas no Brasil, tomando como foco a relação deles com os outros brasileiros. O documentário também contém depoimentos de pessoas dos povos Krenak, de Minas Gerais; Kaxinawá e Ashaninka , do Acre; Yanomami, de Roraima; Pankaruru, de Pernambuco e Kaingang, de Santa Catarina”, que conversam sobre o assunto.

A segunda indicação de hoje será o episódio cinco “Uma outra história”, confronta a história oficial da chegada e da forma de dominação dos portugueses sobres os povos nativos que já habitavam a terra encontrada. Ilustrando esta versão oficial com cenas do filme “O descobrimento do Brasil” (1936), de Humberto Mauro e, simultaneamente, apresenta os depoimentos de chefes indígenas sobre o mesmo fato histórico.

Assista ao “Uma outra história” aqui.

“A realidade indígena nos dias atuais é bem diferente do passado, da mesma forma que os tataranetos dos portugueses que chegaram com suas caravelas nesse solo não se vestem hoje da mesma maneira que seus avós. Nós, povos indígenas, possuímos vestimentas tradicionais próprias e grafismos com os quais fazemos pinturas corporais, mas nossa nudez ou não nudez não define ser indígena ou não-indígena. Toda cultura é dinâmica, está sempre em constante movimento, mudando e se adaptando dentre os séculos.” (ÍndioEduca).

Vale a pena conferir a versão dos povos indígenas sobre suas próprias histórias.  Aproveite para aprender um pouco mais e fazer o download do guia para professoras/es e estudantes no site do projeto  Vídeo nas Aldeias.

Boa sessão e até mais!

Fonte: Vídeo nas Aldeias, Índio Educa e Vimeo

Radiola PW – Somos Tupinambá

Olá, galera esperta!

O Radiola PW indica hoje a música “Somos Tupinambá”. A canção, vencedora do FACE (Festival Anual da Canção Estudantil) de 2012, foi escrita por Lucas Santos Nascimento e Carlos Alberto Pereira de Araújo Júnior, de 13 e 12 anos, respectivamente. Oriundos do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença – Ilhéus/Ba, esses dois jovens compositores reiteram em “Somos Tupinambá” a etnia indígena a qual pertencem. Uma letra que dialoga com a atual situação dos povos indígenas e os conflitos que os circundam.

O videoclipe da música foi produzido pelo coletivo Oca Digital, através de uma oficina ministrada pelo videodocumentarista Glauber Xavier.

As culturas indígenas estão há mais de cinco séculos lutando contra hegemonias que já passaram pelas monarquias ibéricas até a atual conjuntura capitalista. Portanto, toda manifestação artística, cultural e intelectual desses povos ganha enorme importância e precisa ser compartilhada com bastante zelo e atenção. Afinal, as culturas indígenas fazem parte de nossos hábitos, tradições e identidades.

Somos Tupinambá

É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá
Viemos pra essa luta e não vamos perder
Lutando todos juntos temos como vencer
É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá
A luta é grande
A luta é sagrada
Mas com fé em Tupã
Vencemos qualquer parada
É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá