A linguagem e suas funções

Oi, galerinha! Tudo bem? O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) está se aproximando e, a partir de hoje, vocês vão receber dicas sobre todas as áreas do conhecimento aqui no blog. Para começar, vamos falar sobre as funções da linguagem, um conteúdo de literatura recorrente nas provas do exame.

Todo ato de comunicação envolve seis componentes essenciais:

  1. O locutor (ou emissor): é aquele que diz algo a alguém.

  2. O interlocutor (ou receptor): aquele com quem o locutor se comunica.

  3. A mensagem: é tudo que é transmitido do locutor ao interlocutor.

  4. O código: é a convenção social que permite ao interlocutor compreender a mensagem.

  5. O canal (ou contato): é o meio físico que conduz a mensagem ao receptor.

  6. O referente (ou contexto): é o assunto da mensagem.

Os enunciados produzidos em situações de comunicação apresentam uma intencionalidade, que está relacionada à situação. Dependendo da intenção do locutor e da ênfase que ele dá aos componentes dos atos de comunicação, a linguagem pode assumir diferentes funções. Por isso, assim como são seis os componentes do ato de comunicação, são também seis as funções da linguagem.

Função emotiva (ou expressiva): ocorre quando o locutor ou emissor é posto em destaque. Leia este texto do poeta português Mário de Sá-Carneiro:

Perdi-me dentro de mim

Porque eu era labirinto,

E hoje, quando me sinto,

É com saudades de mim.

Observe que o texto está centrado nos sentimentos do locutor. É um texto subjetivo, pessoal, que expressa seu sentimento de profunda desilusão com a vida. Os textos líricos, que expressam estados de alma do locutor, são o melhor exemplo da função emotiva da linguagem. Ao eu que fala nos textos líricos chama-se de eu lírico.

Função referencial: ocorre quando o assunto é posto em destaque. Leia o texto que segue:

Secretaria da Educação do Estado da Bahia disponibiliza conteúdos para reforçar preparação dos estudantes para o Enem

Ajudar na preparação dos estudantes da rede estadual para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que, em 2013, acontece nos dias 26 e 27 de outubro. Este é o principal objetivo da Secretaria da Educação do Estado da Bahia com a disponibilização para os alunos de uma série de conteúdos multimídia, que complementam as aprendizagens da escola.

Observe que o objetivo do texto é simplesmente o de informar ao leitor, com o máximo de clareza, sobre os conteúdos multimídias que estarão disponíveis para os estudantes. Os textos cuja linguagem tem função referencial são dotados de objetividade, uma vez que visam informar, traduzir ou explicar fatos da realidade. Os textos jornalísticos, didáticos e científicos são o melhor exemplo de função referencial da linguagem.

 Função apelativa (ou conativa): ocorre quando o interlocutor é posto em destaque. Veja este anúncio que foi publicado aqui no blog:

pw-doe-vida

Observe que toda a linguagem do texto se organiza com a intenção de convencer o receptor. Empregando verbo no imperativo (Procure, doe). Textos como discursos políticos, anúncios publicitários e argumentação jurídica são o melhor exemplo da função apelativa da linguagem.

 Função metalinguística: ocorre quando o código é posto em destaque. Dizemos que há metalinguagem ou função metalinguística da linguagem, por exemplo, num filme que tematiza o próprio cinema; num programa de TV que discute o papel social da televisão; ou ainda num poema que reflete sobre a criação literária. Veja, por exemplo, este poema de Carlos Drummond de Andrade:

A palavra

Já não quero dicionários

consultados em vão.

Quero só a palavra

que nunca estará neles

nem se pode inventar.

O melhor exemplo da função metalinguística da linguagem são as aulas de língua, os livros de gramática e os dicionários.

Função fática: ocorre quando o canal é posto em destaque. Exemplos típicos de função fática da linguagem: as primeiras palavras de quem atende ao telefone (“Alô!”, “Pronto!”), os cumprimentos diários (“Oi”, “Tudo bem?”, “Boa tarde”, “E aí?”), as conversas de elevador (“Está quente, não?”), as primeiras palavras de uma aula (“Sentem-se”, “Vamos começar?”, “Pronto?”, “Atenção, gente”). O interesse dos interlocutores é o de, apenas, testar o canal de comunicação.

Função poética: ocorre quando a própria mensagem é posta em destaque. Leia o seguinte trecho do romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz:

… tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Essas preocupações de ordem literária reveladas pela construção da linguagem evidenciam a função poética, que ocorre principalmente em textos literários, tanto em prosa quanto em verso.

É importante registrar que quase sempre há a convivência de mais de uma função de linguagem em um único texto. Assim, nas situações de interação pela linguagem, cabe aos interlocutores perceber a função predominante nos textos, o que equivale a reconhecer sua verdadeira intencionalidade.

Fiquem ligados nas dicas!

Até o próximo!

Adaptado de: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Linguagem e interação social. In: ______; ______. Literatura brasileira. 2. ed. reform. São Paulo: Atual, 2000. Cap. 1, p. 8-14.

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12 thoughts on “A linguagem e suas funções

  1. Vc pode me ajudar a entender essa questão: Por que o reconhecimento dessas funções é importante para a interpretação ou para a produção textual

    • Oi, Janaina Torres! Tudo bem? Posso,sim! Mas antes, quero te agradecer pelo comentário nesta postagem. Muito obrigado. O reconhecimento das funções da linguagem é importante para a interpretação de um texto porque, através delas, você pode identificar a intenção comunicativa do interlocutor. Por exemplo, no dia a dia, quando queremos apenas estabelecer uma comunicação sem mais aprofundamento, a gente faz muito uso da função fática da linguagem. Então, imagine alguém do seu convívio, que dá um “bom dia” de cara fechada para você. Imaginou? Embora não saiba o motivo de a pessoa estar daquele jeito com você, você “interpreta” a cara fechada como sinônimo de zanga, não é? O “bom dia” emitido por ela foi apenas para testar o canal de comunicação entre vocês, estabelecer contato e mostrar que alguma coisa a fez ficar chateada. Entendeu? Então, as funções ajudam muito na interpretação de um texto! Na produção textual, nem se fala! Elas ajudam a tornar o texto mais criativo. Se você escreve um poema ou um romance, faz uso da função poética da linguagem; se quer chamar a atenção de outrem, usa a função apelativa na hora de redigir o seu texto. Enfim, são muitas possibilidades de uso das funções numa produção textual. Espero que tenha ajudado. O nosso blog passou por uma mudança e, agora, estamos com um novo nome e um novo endereço: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/. Atualmente, no Blog da Rede, estamos fazendo uma série de postagens voltadas para o ENEM. Acompanhe e interaja! No dia 21, vamos publicar um texto da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Acho que você vai gostar! Abração!

  2. Pingback: Radiola PW: Salvador, uma soteropolitana de 467 anos | Professor Web

    • Oi, Jacy. Ficamos felizes em contribuir um pouco com o seu aprendizado. Continue acompanhando o nosso blog. Grande abraço!

  3. Pingback: Você lê editais? | Professor Web

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