A beleza negra em evidência

Olá, turma esperta!

É provável que você, professor(a) de química, física ou de biologia, já tenha se questionado sobre como relacionar sua área de conhecimento interdisciplinarmente com a história e a cultura afro-brasileira e indígena, resgatando a identidade dos povos que formam a base da nossa cultura. A lei 11645 – Cultura Negra e Indígena Brasileira, altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Nesse sentido, uma abordagem interessante é resgatar a identidade negra através da reflexão da estética no mundo atual, buscando a pesquisa das propriedades dos produtos destinados a população negra.

Os conhecimentos que se pode abordar em disciplinas como química, física e biologia podem contribuir para identificar as características dos produtos destinados à beleza negra. Por exemplo, você pode levantar quais as características dos produtos cosméticos e de higiene específicos para a pele negra (composição, tipos) e pesquisar se existe uma especificidade ou se são produtos que servem a qualquer tipo de pele e, portanto, pode haver uma estratégia comercial para atingir essa parcela crescente economicamente da população. A abordagem sugerida é a da problematização cujas possíveis soluções podem ser construídas a partir de pesquisas na vasta fonte de informações que é a internet. Transformando o exemplo citado em questão de pesquisa, podemos ter: os produtos de beleza e de higiene para a pele negra são específicos para esse tipo de pele ou constituem uma estratégia de mercado voltada para essa parcela de consumidores?

Através do link http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/cabelo.html você pode saber mais sobre a química do cabelo e poderá diferenciar os tipos de cabelo e os produtos e processos para alterar sua aparência. Outras pesquisas sobre os componentes presentes nos produtos de higiene e nos cosméticos podem ajudar na compreensão da função de cada componente.

Uma abordagem mais próxima da biologia pode ser constatada em http://www.portaleducacao.com.br/estetica/artigos/4654/dermatologia-na-pele-negra. Trata-se de um artigo bem referenciado que traz aspectos dermatológicos da pele negra. Existe uma versão mais completa deste estudo disponível em www.cilad.org/archivos/Rondon/Rondon2009/pelenegra.pdf. Como exemplo de uma abordagem crítica sobre os produtos específicos para a pela negra é recomendável a leitura do artigo “Discurso e identidade: a mulher no novo Lux Luxo”, disponível no link http://www.fflch.usp.br/dlcv/enil/pdf/67_Carina_Aparecia_LS.pdf.

Outras questões podem surgir dessa problematização. Como exemplo, a questão da padronização estética que impõe o consumo de determinados produtos de acordo com a moda. Ou ainda, identificar os impactos do uso constante de determinados produtos de beleza para a saúde e para o meio ambiente. Destacam-se, nesse sentido, o uso do formol em alisamentos de cabelos e a necessidade de intercalar hidratações a processos de alisamento.

É isso aí, pessoal: precisamos estar sempre atentos(as) a estas questões, pois é perfeitamente possível construir e afirmar as nossas identidades sociais e históricas sem cair nas armadilhas da economia de mercado e seus estímulos ao consumismo desenfreado e predatório!

Novembro Negro: recontando a nossa história!

Texto de Ródnei Souza, professor e colaborador da Rede Anísio Teixeira, Programa de difusão de linguagens e Tecnologias da Informação e da Comunicação da Rede Pública Estadual de Ensino.

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