REPENSANDO O MEIO AMBIENTE

Ao discorrer sobre esta data, 05 de junho, escolhida mundialmente para pensar a importância da relação entre espécies viventes e o meio ambiente, a qual estas fazem parte e dele necessitam para que a manutenção da vida seja possível, faço referência a uma citação da pesquisadora Tânia Franco*, sobre estarmos vivendo em tempos sociais contrários aos tempos naturais, e que não  podemos esquecer que somos seres naturais. Ela acrescenta ainda, que assim como o mundo da produção e seu uso de recursos naturais não pode ser do ritmo que há, porque vamos destruir a natureza, e sem ela não vivemos, pois a nossa sociedade inverteu a relação com a mesma.

O repensar destes tempos naturais é fazer referência a ciclos naturais que se repetem continuamente (Ciclos biogeoquímicos: Ciclo do carbono, Ciclo do oxigênio, Ciclo do nitrogênio, Ciclo da água na natureza, Efeito estufa, Ciclo de matéria e energia – cadeias e teias alimentares, dentre outros) os quais tem sido ameaçados pela ação antrópica (do homem) e por um modelo de desenvolvimento capitalista que prioriza a produção e o capital em detrimento das questões de ordens naturais. O estabelecimento deste modo de produção depende de matéria-prima extraída desta natureza e, assim como a sociedade estabelece um tempo social de trabalho e produção que visa somente o lucro, a natureza também tem uma resposta, um tempo de produção, ciclagem que nem sempre corresponde ao tempo de produção construído pelo homem o que tem levado a curto prazo a estagnação de vários recursos naturais e que, em um ciclo contínuo afetará  a longo prazo, diretamente este modo capitalista de produção.

Estamos presenciando este fato através dos últimos tempos, desequilíbrio dos ciclos biogeoquímicos, degradação e escassez dos recursos naturais, problemas ambientais, uso de agrotóxicos, extinção de recursos minerais, vegetais e espécies vivas. Juntamente a estes problemas, decorrem outros como a degradação social (fazendo um trocadilho: relação intraespecífica desarmônica – Competição (homem x homem); relação interespecífica desarmônica – Competição, parasitismo, predatismo (homem x outras espécies); Especiação – uma verdadeira seleção social (incluídos x excluídos): Extinção de espécies (degradação dos direitos fundamentais a vida), fome, miséria, violência; degradação econômica (elites x assalariados x desempregados); degradação cultural (perda da identidade cultural; dos referenciais identitários); degradação política( descumprimento de leis, corrupção, falta de políticas públicas) etc. Desta forma, conclui-se que o processo de adaptação a estas novas mudanças nem sempre será favorável diante da emergência dos acontecimentos. Um processo adaptativo requer um tempo natural e social diferente do tempo de produção e a evolução destes processos e das espécies, também nem sempre será favorável, é a lei natural das coisas e das ideias.

Não se pretende ser aqui um pessimista e sim, um otimista, um critico da real situação que temos hoje no planeta. Portanto, devemos aproveitar os momentos das discussões como a Conferência das Nações Unidas Rio + 20 (discussão de ideias de cidades sustentáveis), audiências públicas, debates políticos nas eleições, momentos de discussões nas nossas escolas, bate-papo entre família, amigos, no ambiente de trabalho e lazer, nas redes sociais para ampliarmos as nossas discussões, exigirmos cumprimento de direitos e deveres, exercitarmos práticas sustentáveis e participarmos da construção deste mundo que tanto se deseja e almeja alcançar. O verdadeiro sentido da palavra Sustentabilidade tão hoje comum, passa por um conjunto de sustentabilidades: econômica, social, ambiental, cultural, ética, critica, política.

* (Tânia Franco, pesquisadora do centro de Recursos Humanos da UFBA. Entrevista a revista Muito, 24/5/2009).

Texto de autoria de Márcia P. de Almeida, bióloga, colaboradora do Programa Rede Anisio Teixeira do Instituto Anisio Teixeira – IAT/SEC e professora da rede pública estadual de ensino.

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